Carta de amor ao autor

First things first, a rima do título não foi proposital. É que na vida, de vez em quando, do nada, a gente faz poesia sem perceber… eu sou cheia das rimas espontâneas em vários dos meus escritos. Segundo o livrinho escrito por homens sobre as leis da linguística, essas rimas são um erro de escrita chamado “eco” e deveria ser evitado. Mas… mas não interessa o que um carinha escreveu em mil oitocentos ou mil novecentos e bolinha. Eu assumo o risco de me rebelar contra o sistema (e, por conseguinte, risco de nunca ser levada a sério por quem leva essas regras a sério)!

Dito isso, a vida segue.

Pois bem, hoje eu tomei uma decisão importante. Hoje eu resolvi refletir a respeito das pessoas mais especiais do meu mundo: os autores/escritores. Calma, leitor, eu amo a minha família também. Mas se ela soubesse a que horas eu vou dormir por causa dessa galera, bem, digamos que a minha vida passaria a ser como num colégio interno. E não da maneira legal, como Hogwarts. Literalmente, iriam checar se eu estava dormindo a cada hora da madrugada. Felizmente, James Cameron fez a gentileza de me ensinar uma lição muito importante em TITANIC ao fazer com que Rose afirmasse: “o coração de uma mulher é um oceano profundo cheio de segredos”. Portanto, me dou o direito/satisfação pessoal de não contar tudo o que eu faço da meia noite às seis para eles.

Seguindo, nessas várias noites com horas a menos de sono, tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre essas mentes tão imaginativas que permearam a minha própria desde muito cedo, afinal, acredito que uma excelente maneira de se conhecer um autor, é analisando a maneira como constrói sua narrativa. Porque, no final das contas, a maioria deles já partiu para o outro plano e tudo o que nos restou da sua forma de enxergar o mundo foram as suas novelas; seus personagens; suas tramas.

No entanto, por vezes, a vida nos permite dar uma revolucionada e desafiar o ordinário. Às vezes, na vida, temos a oportunidade de realizar dois sonhos ao mesmo tempo e pelo mesmo instrumento. Podemos afirmar com alguma certeza que conhecemos o autor (por mais que diga a todos os meus amigos que eu conheço Jane Austen melhor do que ninguém, sem nunca tê-la visto) e ter a alegria de saber que ele está vivinho da silva; a apenas um digitar de distância de receber um comentário seu sobre sua obra. É bom ter tido contato cara a cara com o autor antes de alguma publicação e depois analisá-lo pela ordem de seu discurso, porque, às vezes, só saber que ele está vivo não é o bastante (meus vários tweets para JK Rowling que o digam).

Gosto de me considerar uma pessoa que tarda, MAS NÃO FALHA. E também uma pessoa que em nenhum momento da sua vida vai achar uma razão para escrever “pra” e não para. Enfim, eu tive uma professora de música que, de vez em quando, era paciente e gentil o bastante para me escutar e prestar atenção quando, DO NADA, eu começava a declamar falas dos meus filmes animados favoritos (coisa que, claro, eu faço até hoje quando estou lavando a louça ou tentando me acalmar ao passo que penso: o que Edna Modes faria?). Tendo esta linha de raciocínio irrefutável sempre em mente, também por óbvio que o mínimo que eu poderia fazer era ler e dizer a ela o que penso sobre sua não tão recente obra publicada: “Estava Escrito”. Porém, meus caros, não pensem que considerei isso uma obrigação! Niem, Niem, Niem (não no alemão da minha cabeça)!

Aquele era o produto de meses de trabalho de uma pessoa que me cativou desde os oito anos de idade. Claro que eu fiquei morrendo de curiosidade para ler. E, agora, direi aqui – porque tenho total controle criativo sobre o que acontece nesse blog – a verdade e nada mais do que a verdade.

Primeiro, vamos criar um clima. Eu peguei o livro recém adquirido como um presente pessoal de natal – sou dessas – e coloquei uma trilha sonora para tocar no computador, Aretha Franklin – outra hora eu acho que convém explicar meu gosto musical que até hoje choca meus familiares. Continuando, que fique registrado que eu sou uma pessoa lenta. Logo, não esperem que eu me apaixone logo no primeiro capítulo, porque não aconteceu nem com o meu primeiro Harry Potter. Sou uma pessoa de três capítulos. Em três capítulos eu escolho se vai ou raxa. Nesse caso, fiquei muito contente em dizer: FOI! E foi um “foi” paradoxal. Por quê? Por quê paradoxal? Porque o livro foi escrito em primeira pessoa e eu tenho uma grande dificuldade de ler livros em primeira pessoa (uma pena para Jogos Vorazes que, por causa disso, não roubou meu coração).

Então, espíritos, porque eu segui em frente (keep moving forward) mesmo sabendo dessa deficiência? Um reconhecimento entre mentes, eu diria. Pois, por mais que você passe anos convivendo com aquela pessoa, acho que ninguém é capaz de dizer, a fundo, o que se passa na cabeça dela ou se ela realmente tem algumas visões de mundo semelhantes às suas ou se apenas concordou naquele segundo para não criar polêmicas. Na exata página dezenove de Estava Escrito, eu percebi um encontro de mentes em meio àquela primeira pessoa, quando:

Ela merecia um nome digno de uma pessoa que sempre se mostrou ser alguém com personalidade forte. Certamente, no futuro, faria jus ao nome.

 Nomes são importantes. Para um personagem, então, nomes são características mais importantes ainda. Nomes são vocábulos com significado e este pode ser bastante revelador quanto a personalidade do indivíduo. Pessoalmente, quando começo um novo projeto que envolva a criação de novos personagens, passo horas visitando sites com significados de nomes, desde os gregos até os indianos. Por quê? Porque nomes são importantes. Simples. Fácil de lembrar. Outro detalhe que me chamou a atenção. Durante o início da apresentação da protagonista, Ana -minha xará de primeiro nome – a meu ver, houve uma inversão.

Na maioria dos romances aos quais já tive acesso, um me marcou eternamente. Em Emma de Jane Austen, a narrativa se inicia assim: “Emma Woodhouse era uma jovem bonita, rica e inteligente”. Sabe? Quando eles te dão as qualidades para depois desconstruí-las completamente a fim de tornar o personagem mais humano? Pois bem, aqui, temos uma personagem que já de cara é cheia de inseguranças e pontos fracos. É fácil se apaixonar por ela porque seu ponto fraco é também sua força: sua capacidade de empatia, de se doar. Todavia, é comum, mesmo assim, que busquemos aquela qualidade única, o cerne do personagem.

No caso de Ana, ela vai sendo desvendada aos poucos, com altos e baixos, até chegar no ponto crucial. Um determinado acontecimento… eu falo? Ah, vou falar, um estupro, faz com que ela fique marcada não para si mesma – uma vez que outro acontecimento faz com que não se lembre disso – mas para nós, seus leitores. Acontece, ela segue. Ela descobre. Cai. E se levanta com grande graça. O livro também explora o amor. Euzinha não creio em amor a primeira vista. Mas, talvez tenha me visto ser um pouco convertida, porque acredito em destino e em química.

Não obstante, não é o amor eros, o amor romântico, que me tocou nessa obra. Não porque não tenha sido fofo, lindo, arrebatador, haha, mas porque eu sou do contra na vida. Lendo Anna Karenina, eu detestei a personagem principal e sua história de amor adúltera que encanta milhares de leitores até hoje. Não, eu me apaixonei pelo casal que mal aparece e leva quase o livro inteiro para acontecer. Uma atitude masoquista? Talvez. Em “Estava Escrito”, me apaixonei pelo relacionamento mãe e filha de Ana e Patricia. O que eu gosto de chamar “break down” da menina nos últimos capítulos quando enfrenta a mãe… W-O-W.

Para concluir, e porque já estamos nas mil e trezentas e alguma coisa palavras, outros detalhes pelos quais me apaixonei: a xícara de capuccino de Ana no início do livro que foi supeer Dri – apelido carinhoso dos íntimos para a autora -, um trecho do pensamento de Ana sobre seu relacionamento com o marido, mais especificamente o pedaço “Me amar do jeito dele”… Também, outra hora aprofundo mais, mas tem a ver com um casal em que o marido era homossexual e a esposa afirmava que ele não precisava amá-la do mesmo modo que ela o amava, a gente nunca esquece uma coisa dessas.

Finalmente, Maktub, pessoal, Maktub.

xoxo

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