Did I make the most of loving you?

O episódio final saiu dia 25 de Dezembro. Foram seis anos de envolvimento. Acredito já ter esperado demais para dar meu adeus por escrito à Downton Abbey.

Em 2011, eu acabara de dar adeus à saga que marcara a minha infância de diversas maneiras. Harry Potter. Num primeiro momento, fiquei perdida no mundo cinematográfico, pois nada me chamara a mesma atenção que Harry. Nada me conquistara a ponto de me fazer ansiar por mais como as produções baseadas na obra de Jo Rowling. Por fim, num determinado dia estava vagando pelo tumblr e me deparei com gifs de Maggie Smith – Violet Crawley/Minerva McGonagall – com figurino de época.

Vou começar, então, definindo um número: 4. Foram quatro, vamos dizer aqui, situações, que me marcaram nesta viagem ao lado da família Crawley e as quais destacarei em meu humilde até logo… afinal, como aconteceu com Potter, é impossível dizer adeus. Os DVD’s estão aí para isso, não é?

1-Violet Crawley/Maggie fucking Smithviolet

Aqueles que me conhecem desde a época de Potter (sinto muito pessoal, mas talvez eu cite muito ele por aqui), sabem que meu relacionamento com a personagem de Minerva McGonagall sofreu consideráveis reviravoltas ao longo da saga e também à medida que lia os livros. Contudo, a pessoa Maggie Smith, em seus anos de carreira, sempre esteve presente na minha infância e ganhou meu amor incondicional. Sonho de vida número cinco: dar um abraço nessa mulher.

Primeiro, eu a conheci através de sua persona como Minerva, depois em O Jardim Secreto e a partir dali, meu santo pai me chamava na sala de TV sempre que a vislumbrava em algum filme, de forma a me tornar bastante habituada com seu grande trabalho na atuação. Sendo assim, ao me deparar com os seus gifs em Downton Abbey como a grande matriarca da família Crawley, lógico que eu precisava conferir essa série.

Acredito que ninguém discordará de mim nesse ponto: Maggie Smith é a alma de Downton. Com suas caras e bocas, suas falas memoráveis (“What is a weekend?”) e o desenvolver de sua personagem de uma mulher completamente enraizada ao passado, para uma mulher que é capaz de lidar com velhos preconceitos e trabalhá-los pelo bem da família, é brilhante! E crédito a personagem de Penelope Wilton também, Isobel Crawley, que chegou para ser sua desafiante, mas acabou se tornando sua maior aliada e amiga. Eu não tenho palavras para expressar como me sinto (copiando Violet) a respeito dela, a não ser afirmar que o autor, Julian Fellowes, poderia tê-la explorado muito mais, além de usá-la em sub tramas e quase espécie de alívio cômico. Quando finalmente o fez e trouxe à tona seu passado com o príncipe russo, foi magnânimo! Mas não durou o suficiente para compensar o erro…

De qualquer forma, tendo começado como uma mulher preconceituosa, pedante ou não, há verdade em várias das citações da matriarca. Minha favorita sendo:

Sou uma mulher, Mary, posso ser tão contraditória quanto desejar.

E, não duvido, ficará para sempre marcada. Além disso, aproveito para defender Maggie Smith. Milhares de fãs a criticaram ao descobrirem que ela não havia assistido à série, quando muitos dos atores não o fizeram. O fato é: existem aqueles atores que se sentem desconfortáveis assistindo às suas performances, pois uma vez vendo a si mesmos na tela, ficam encucados imaginando como poderiam ter feito aquele pedaço, aquela cena, melhor. Smith é uma atriz metódica, creio piamente ser esse o seu caso e a respeito por isso. Independente de assistir a série ou não, ela ficou até o fim, mesmo acreditando ser ridícula a permanência de sua personagem (que, segundo ela, já deveria estar com uns 110 anos àquela altura) e deu o seu melhor até o fim.

2 – Mary & Matthew Crawley

stick

Acho que esse gif resume tudo.

Olha, gente, eu juro juradinho que o primeiro romance a fazer com que eu me apaixonasse por essa série NÃO foi Mary e Matthew. Na primeira temporada, eu achei que tudo foi muito rápido. Ele literalmente sofreu um baque com ela à primeira vista, depois foi a cena estilo Elizabeth e Darcy em que ambos ficaram implicando um com o outro, depois o flerte e daí o primeiro beijo. Sei que se passaram alguns meses durante a primeira temporada, que houve deslocamento temporal, mas ainda achei rápido.

O primeiro casal que me saltou aos olhos foram Anna e Bates. Porém, a trama da prisão, dos assassinatos ficou tão repetitiva que acabou se tornando risível, ao passo que a segunda temporada… MEU SENHOR JESUS! O QUE A SEGUNDA TEMPORADA FEZ PELO SHIPP MARY E MATTHEW… acho que só meu próximo ponto supera. Enfim, palmas à Julian Fellowes pelo desenvolvimento. É isso que a população quer! DESENVOLVIMENTOOOO! Não acredita? Vamos comigo:

Lady Mary Crawley era a rainha do gelo, ao passo que Matthew Crawley sempre foi um querido, então, vamos focar na parceira dele. Mary era a rainha do gelo que só ligava para sua posição social: “Quem precisa do monstro marinho quando se pode ter Perseu?” e de repente o que acontece? O amor da sua vida fica noivo e vai para a guerra. Ao invés de termos uma reação Scarlett O’Hara de odiar a suposta nova amada de seu querido, Mary demonstra grande maturidade ao insistir com Violet que Lavinia é uma boa pessoa e independente de ainda estar apaixonada por Matthew e ela ser um empecilho a sua felicidade, Mary não deseja nenhum mal a ela!

E também temos Mary limpando vômito do rosto de Matthew quando ele chega brutalmente ferido ao hospital, temos Mary rezando pelo bem estar dele:

Meu Deus, eu não vou fingir ter grande crédito com o senhor. Na verdade, às vezes nem acredito que esteja aí. Mas, se estiver e se alguma vez eu fiz algo bom, por favor, mantenha-o a salvo.

TRUE LOVE! E, então, ela ainda se recusa a contar-lhe sobre seu momento de “devassidão” com Kemal Pamuk, acreditando que ele a desprezaria. MAAAS:

E você estava errada a respeito de uma coisa. Eu nunca iria… Eu nunca poderia desprezar você.

Resumindo: eles fazem com que um e outro desejem ser pessoas melhores. Eles crescem juntos. Ela é o apoio dele (vide gif) e ele o dela. Logo, entendam a minha dor. A minha loucura quando, depois de tanto drama para ficarem juntos, o autor pega e mata o Matthew! E para piorar, apaga todo esse desenvolvimento da senhorita Mary e a faz retornar ao seu velho eu presunçoso, egoísta e desdenhoso. Com alguns lampejos da velha Mary… não posso dizer que foi de todo ruim, mas se alguém espera que algum dia eu aceite Henry Talbot no lugar do Matthew…. HA-HA

Por fim, uma das cenas que ficará para sempre em minha memória e que salvou meu coração de amante desses dois nesse final: Mary visitando o túmulo de Matthew.

No matter how much I love him… I’ll always love you.

3- Elsie e Charles Carson

26.jpg

Eu juro que sou uma pessoa normal, no que entendo por normalidade. E que nunca pensei que o casal de meia idade seria o meu AMOR MAIOR numa série de drama. Sério, gente, foram cinco temporadas até rolar um pedido de casamento e até então o autor foi me matando aos pouquinhos com olhares, discursos que refletiam a importância de um na vida do outro, mãos dadas na praia, CANÇÕES DECLARANDO QUE ELA ROUBOU SEU CORAÇÃO… Nas palavras de Jim Carter – Mr. Carson – foi o cortejo mais lento da história… mas TÃO SATISFATÓRIO!

Como eu disse o que a segunda temporada fez pelo desenvolvimento de Mary e Matthew, a série inteira fez pelo desenvolvimento de Charlie e Elsie. Não foi a primeira vista. Foi construído, através de anos trabalhando juntos em Downton, tijolinho por tijolinho. Até o ponto em que Carson entendeu que queria ficar atado a ela pelo resto da vida. Isso é tão… isso é tão… acho que não inventaram uma palavra para isso, então ok, isso é tão CHELSIE (nome do shipp via tumblr: charles + elsie = chelsie). Eu tinha uma lista de casais que me marcaram ao longo da vida… Emma e George Knightley eram o topo e caíram, agora só há Elsie e Charles.

Quer falar sobre um relacionamento real, em que, nas palavras dela, ambos são indivíduos diferentes e que, portanto, não precisam concordar o tempo inteiro e ainda assim são felizes? Só falar do senhor e da senhora Carson.

4- Lady Edith Crawley

Desenvolvimento. Quantas vezes eu usei essa palavra ao longo desse post? Não importa, porque talvez seja esse o legado que Downton me deixou. O que possivelmente torna algumas séries até melhores que certos filmes, é o c20150703_variety_downton_shot-2_052_v1tempo dedicado a um personagem para desenvolvê-lo. As pessoas não são completamente pretas ou brancas e trazer as várias camadas à mostra é o que torna uma história interessante.

Edith começou essa saga como a irmã do meio com a qual ninguém se importava. E por muito tempo, ela julgou ser incapaz de encontrar felicidade. “Edith, querida, você é uma mulher com um cérebro e habilidade razoável; pare de reclamar e encontre algo para fazer.” Claro que tais palavras duras e choque de realidade só poderiam ter vindo de sua querida vovó Violet, mas acredito que foi o incentivo necessário. Embora sua sorte no amor tenha continuado duvidosa, o patinho feio da família se tornou a dona de seu próprio nariz!

Tornou-se uma jornalista querida por seus leitores, em seguida herdou o
jornal de seu amante, Michael Gregson, com quem teve uma filha e, apesar dos pesares, a trouxe para Downton e tornou-se uma mãe zelosa dona de seu próprio negócio. E, por fim, para grande felicidade do nosso Team Edith, desbancou a família inteira se tornando uma Marquesa por um casamento feliz!

Eu não poderia estar mais orgulhosa e acho que a nossa querida Sybil, a feminista da família, também estaria! Vou ser a mais clichezenta do mundo, mas vou dizer: Edith mostrou aos seus fãs que, independente de onde você esteja e quão ruim as coisas estejam, felicidade é uma questão de escolha; é algo possível de ser alcançado, não importa a nuvem negra que esteja perpassando sobre sua cabeça.


Downton entrou na minha vida num momento de cegueira emocional, quando eu nada sabia sobre séries e acreditava que o coração não pode ser tocado mais do que algumas vezes por uma boa história. Obrigada Maggie Smith por estar nela ou talvez eu nunca tivesse dado uma chance kkkkk, graças à Deus pelos gifs reveladores do tumblr também.

As histórias que nos marcam permanecem conosco para sempre, disse uma sábia autora uma vez e embora tenha derramado algumas tantas lágrimas quando os créditos finais surgiram após o fim do especial de natal, o fato é que depois de tanto tempo se aprende que:

Não chore porque acabou. Sorria porque aconteceu.

xoxo

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6 comentários sobre “Did I make the most of loving you?

  1. Meu Deus do céu, esse post! Eu ainda tô mal pelo final de Downton porque não consigo focar em mais nenhuma série desde então. Violet Crawley é a alma da série, bem como Maggie Rainha Smith. Acho que ela é minha personagem preferida exatamente por conseguir ser congruente e dona razão mesmo quando se contradiz. Uma mulher forte, que luta pelos seus princípios, pela sua honra e pela da família e ao mesmo tempo é engraçada, sábia e um amor de pessoa.

    Matthew e Mary. Eu tenho muito medo de tocar nesse tópico e ser renegada pelo fandom, porque eu realmente não consigo gostar da Mary. Matthew é o amor da minha vida, o homem mais maravilhoso que o mundo das séries já me deu e, para mim, Mary nunca será boa o suficiente para ele. Mas tudo bem, talvez ninguém seja. Mas ainda sim preciso admitir que se tiveram momentos que senti simpatia por Mary foram em muitas das vezes em que ela estava dando o melhor de si pelo Matthew, principalmente durante todo o plot do hospital. E é como você bem falou, eles queriam ser melhores um para o outro, pelo outro. E é aí que está toda a beleza. Posso até não gostar da Mary e poderia perfeitamente enumerar todos os defeitos dela em ordem alfabética, mas ainda assim devo admitir que a admirei todas as vezes que ela cuidou dele e o amou. Matthew enxergava o melhor de Mary, o melhor que ela não gostava de trazer a tona, mas trazia por ele. Então sim, admito que eles eram (e sempre serão um casal incrível).

    O que falar de Carson e Mrs Hudges, coisinhas mais gostosa da minha vida inteira? O cuidado que um tinha com o outro, a amizade e principalmente a cumplicidade. Eu fui no céu e voltei quando Carson se declarou. A última temporada foi um presente para todos nós que tanto torcíamos para a felicidade desses dois (juntinhos).

    A palavra para Edith, com certeza, é desenvolvimento. Talvez tenha sido a personagem mais bem desenvolvida da série inteira. E eu juro que a odiava no início. Não gostava da Mary, mas ainda assim, ver Edith a prejudicando me deixava louca. Elas eram irmãs, pelo amor de Deus! E Edith foi conquistando todo mundo aos pouquinhos, a medida que foi amadurecendo, correndo atrás de seus objetivos, enfrentando as dificuldades da vida, crescendo e aprendendo com todas as desilusões amorosas. No fim, tudo que eu queria era um final feliz pra ela, um amor que lhe fosse digno. E quando olho lá para o início da nossa relação eu penso “quem diria, não?”

    E depois de ter feito praticamente um segundo post nesse comentário eu quero sair gritando para todo mundo o quanto essa série me conquistou e mexeu comigo e falar de cada um dos meus faves. Muito obrigada(?) hahahahaha

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    • Acho lindo que seja um segundo post, esse comentário! Meu dia começou de forma bem negra com a morte do Alan Rickman e daí leio essa resposta tão linda para o meu post… fico muito feliz mesmo!! Downton também retirou minha vontade de ver outros seriados, não consigo focar em mais nenhum… É tudo muito negro! Ainda temos que fazer aquela análise sobre Lady Mary Crawley, creio eu hahahaha… E QUE BOM QUE APROVAMOS LADY EDITH! Sybil também foi minha favorita logo de cara! Ai… essa resposta também não pode virar outro post hahaha… Um bjoo! Continuamos inbox!

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  2. Oi Ana!! Que maravilha saber que compartilhamos o amor por HP, mas mais que isso o amor pro Downton Abbey, minha série favorita de todas. Lady Violet é e sempre será a alma de Downton. A sua evolução, apesar da idade (vamos combinar que quanto mais velha uma pessoa fica, mais difícil é mudá-la), sua inteligência e perspicácia… e claro, outra evolução: a amizade com a prima Isobel. Tão querida! Mary e Matthew são meu crush favorito do muuuundo e da galáxia. Soube que foi o ator que quis sair da série. Difícil superar o que aconteceu, mas Mary apesar da amargura evoluiu muito. E Henry Talbot não é Matthew, claro… mas fico feliz que ele tenha existido na série, e tenha feito Mary ser feliz de novo. Adoro aquele ator. Quanto a Elsie e Carson… ai ai! Sempre adorei Mr. Carson e como ele é cuidadoso com Mary. Muito amor que Elsie e ele tenham descoberto o amor. Antes tarde do que nunca. E Edith! Que surpresa feliz! Quando Silbie morreu, doeu muito, além de doçura materializada em pessoa, temos a feminista e transgressora da família! Mas Edith se mostrou tão forte e corajosa quanto. Achei lindo, emocionante e merecido o desfecho que ela ganhou. Só posso ter todos os suspiros do mundo por essa série, e agradecer ao Netflix por sempre ter ela a minha disposição. Quero ver e rever ainda muitas e muitas vezes! Sem falar que indico pra todo mundo. Um beijo Ana!

    Ps: Uma série que me indicaram, aos órfãos de DA é A Place to Call Home. É uma série australiana, que se passa na década de 50, bem no pós II Guerra. Comecei a assistir e apesar de preferir – obviamente – DA, é beeem envolvente. Dá uma conferida. :* ❤

    Curtido por 1 pessoa

    • Kaka, concordo com tudo em número gênero e grau. Eu adquiro todos os DVD’s justamente por isso! Ver e rever mil vezes, especialmente a segunda temporada, quando a Mary e o Matthew roubaram meu coração. E, claro, depois o especial de natal da season 5, quando CHELSIE VIROU CANON E EU NUNCA GRITEI TANTO! HUASHUAHSUA Obrigada pelo comentário lindoo! Espero que te ver sempre por aqui!

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