“Abram na Página 394…”

Este post não tem a pretensão de ser um muito longo… apenas o suficiente para um último adeus…

Quando da morte de uma figura pública, um ator, por exemplo, há aqueles que digam que derramar lágrimas é, na falta de melhor palavra, supérfluo. Afinal, como é possível sentir tanto a morte de alguém com quem nunca se trocou um minuto de conversa verdadeira? Talvez, porque existam aquelas figuras que lhe marcam e conhecê-los de verdade seja o supérfluo, para que se desenvolva o carinho ou a admiração.

Um ator não perde sua qualidade de indivíduo ao declarar-se ator e passar a ter publicidade em sua vida. Ele permanece um ser humano e chorar pela perda de um ser humano é sempre válida, seja de um ator, seja de um comerciante, um médico, a morte não é seletiva naqueles sobre os quais coloca seu manto. E hoje eu lamento a perda de alguém que deu sua vida, abriu mão do que nós chamamos de anonimato, para fazermo-nos rir e chorar com suas performances na tela e no teatro.

A grande parte da minha geração conheceu o brilhante trabalho de Alan Rickman através de sua interpretação do odiado/amado professor de poções da saga Harry Potter, Severus Snape. E, apesar da grande maioria de nós desgostarmos de seu personagem e depois entendê-lo para passar a simpatizarmos com suas dores, ainda assim, sempre houve o grande respeito pelo talento de Rickman. Pois, revela grande domínio da arte da atuação manipular nossas emoções assim, quero dizer, por seis filmes, fez com que tomássemos as dores do Harry e disséssemos: Aff, lá vem o Snape, menos 1000 pontos para a  Grifinória… E, então, na segunda parte do último filme, numa sequência de, creio, dez minutos, fez com a sala inteira do cinema derramasse mais lágrimas do que no final de Titanic.

Claro, grande crédito para tia Jo Rowling por ter desenvolvido o personagem, no entanto, mesmo que a maioria de nós estivéssemos prontos para a reviravolta de Snape, nada poderia ter nos preparado para a performance de Alan Rickman. Eu confesso que fiquei mais transtornada com a sequência do filme do que com o próprio capítulo “O Conto do Príncipe”. E como aconteceu com a maioria dos atores de grande escalão britânico, presentes no elenco da franquia de filmes Harry Poter, busquei mais trabalhos dele e percebi que assim era em todos os seus papéis. Teatro ou filme.

Ele dilacerava toda a informação que podia sobre seus personagens e os trazia a vida com um brilho sinistro nos olhos que hipnotizava a plateia. Aqui me refiro a sua performance como Rasputin em 1996. Sua voz era outra característica marcante de suas atuações… subia de tons graves para mais suaves dependendo da qualidade da fala que devesse entregar ao público. E hoje, logo depois de acordar, descubro que nunca mais ouvirei tal voz em novos trabalhos…

A perda de tão grande talento é sempre sentida pela indústria, quando a meu ver, são poucos os que, atualmente, conseguem entregar um trabalho tão perfeito quanto o da velha guarda. Meus mais sinceros sentimentos para sua família e seus fãs, pois todos nós sentimentos essa perda juntos… E por sermos tantos, não deixaremos que seu legado seja perdido… Mais uma vez, Always passa a carregar um significado profundo no coração de todo Potterhead e todos aqueles familiarizados com a filmografia de Alan Sidney Patrick Rickman.

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Hard to see the light now.
Just don’t let it go

Things will come out right now.
We can make it so.
Someone is on your side
No one is alone.

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Thank you, for everything… Professor.

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