desvendando o enigma

Palavras… apenas palavras

Aqueles que me conhecem intimamente… sabe? Aqueles que chamam minha mãe de tia ou que podem entrar no meu quarto de sapato mesmo… Enfim, essas pessoas conhecem um lado meu que não é tão famoso aos estranhos. O lado de uma escritora amadora, mas que encontra grande alento nas palavras. Tudo começou quando eu tinha nove anos e costumava montar estórias usando o PowerPoint, pois amava colocar imagens para enfeitar, ainda era uma pessoa muito visual ao invés de apenas escrita. Em seguida, passei para o papel, melhor, para o word e atualmente para o papel para depois passar para o Word – sim, eu tenho esse trabalhão! – No entanto, o que ambas as fases têm em comum é uma saga chamada Harry Potter.

Eu amava tanto, mas tanto os personagens da JK Rowling, que os peguei emprestado durante muito tempo para criar meus próprios enredos, mas, claro, acrescentando alguma figurinha original que me representasse naquele círculo social fabuloso. Pouco tempo depois eu fiz uma tentativa de iniciar algo completamente destituído de referências Potterianas… e me lembro que o nome da protagonista de tal ato era Arabella Carter. Ainda hoje, possuo os primeiros manuscritos dessa história em folhas de fichário – aulas de física suuuuper rentáveis… depois chorava quando pegava nota de prova. Fazer o que? Prioridades… – Contudo, nunca terminei. Quem sabe um dia?

Minha escritora favorita sempre foi Jane Austen e ela também possuía um baú cheio de manuscritos inacabados, cartas e anotações, que insistia em carregar consigo para qualquer lugar. Quando eu viajei a primeira vez para a Inglaterra (ano passado), uma das minhas primeiras compras foi um journal, porque eu achei que iria escrever lindamente sobre todas as minhas impressões sobre o país dos meus sonhos. Acabou que eu vivi muito e me lembro de muitas dessas experiências, mas, o journal permanece vazio para quando eu voltar, talvez só e assim tenha tempo de algo mais introspectivo. Já aos quinze anos, eu fiz mais uma tentativa de algo original. Concluí e confesso que sou apaixonada por vários dos arquétipos de meus personagens… mas, sinto que a ideia da história ainda precisa ser melhor trabalhada. Sendo assim, pretendo reescrevê-la, repensá-la.

Enquanto não faço isso, porque faculdade a gente não pode levar da mesma forma que fazíamos com as aulas de física, pratico minha arte (que não vendo na praia) em sites de fanfic. O que é fanfic? Sabe aqueles textos de Harry Potter que eu disse ter escrito aos nove/dez anos utilizando os personagens da Rowling e o universo dela, mas acrescentando uma pitadinha de mim? Pois bem, isto é fanfic. Existem vários sites onde é possível lê-las espalhados na internet, mas, atualmente, eu posto apenas em dois. Fanfiction. net e Nyah!Fanfiction.

2016-02-11
Minha página de perfil no Nyah

Não sou uma das mais famosas, mas aqui o intuito não é esse. E sim, continuar sempre melhorando e criando melhores personagens, enredos e afins. Minhas principais estórias são a respeito de Sherlock Holmes – o cânone, não a versão da BBC, por mais que ame – e algumas – uma – de Harry Potter. Esse post é dedicado a dúvida da senhorita Cecília Maria do BLOG REFÚGIO, sobre eu nunca ter deixado um link na mesa dela hahaha… E, como prometido, irei disponibilizar dois trechos de duas fanfics para que ela possa ler e também vocês, se gostarem, eu passo meu perfil onde estão copilados todos os meus trabalhos.

Primeiro… a fanfic de Harry Potter, Memórias Sobre a Fênix, que possui uma história interessante. Permaneci com seu enredo na cabeça durante longos anos, com medo de como seria recebida. No fim, foi bastante positivo e fico muito orgulhosa disso.

capa (3)
Capa da fanfic. Sim, é a Mary e o Matthew que eu usei para representar meu casal principal… porque apesar da Lady Mary ser uma bitch, a Michelle Dockery se enquadrava na minha descrição da protagonista: Amélia Preminger

A sinopse é a seguinte: “Muitas pessoas começam um diário, pelo simples prazer de escrever. Este, no entanto, começou por outro motivo…”

Com o fim da guerra, o trio de ouro acreditava que os mistérios deixariam de persegui-los. Numa visita a Hogwarts para ver Hermione, Harry encontra uma carta bastante interessante endereçada ao professor Dumbledore por uma mulher desconhecida. Instigados pela curiosidade de descobrirem quem seria aquela que possivelmente fora a única mulher na vida do professor, vão até a casa de Elifas Doge, amigo de infância do falecido diretor. Lá, ele lhes entrega o diário de Amélia Preminger, uma conhecida Inominável da qual não se tem notícia há mais de três anos. Em meio a narrativa de suas memórias sobre seu eterno amor por Dumbledore, Harry, Rony e Hermione poderão descobrir que a amizade verdadeira pode sobreviver sob a mais eloquente das paixões.

E o trecho:

Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, Amélia Preminger se deitou sem sentir pesar em seu coração. Sem qualquer onda de culpa ou arrependimento, e isso fez com que seu sono ficasse mais leve… Leve o suficiente para leva-la dali até o lugar que ela ansiava há muito ver. De pronto, ela não o reconhecera, até se olhar em um dos espelhos dispostos no console da lareira e ver que seus cabelos haviam voltado ao tom castanho que sempre tiveram e que nenhuma ruga lhe escondia os olhos. Olhou mais uma vez para trás e reconheceu o hall de entrada da casa dos Flamel.

Por um momento assustou-se, até começar a ouvir as notas de uma melodia conhecida… E então uma voz entoou branda, vinda da sala de visitas… “In the still of the night… as I gaze out of my window, at the moon in it’s flight, my thoughts all stray to you.” Ela a seguiu com passos calmos até seu local de origem, para encontrar a pessoa que ela mais almejava ver… Ele estava como ela gostava de se lembrar dele… Com seu terno mais alinhado, os cabelos acaju na altura dos ombros. Estava chegando ao refrão da música, quando ela o alcançou e repousou uma das mãos em seu ombro, juntando-se a ele… “Do you love me as I love you? Are you my life to be? My dream come true… or will this dream of mine, fade out of sight… Like the moon growing dim, on the rim of the hill, in the chill… still… of the night.”… Sentou-se ao seu lado enquanto as notas finais eram tocadas e ele sorriu assim que se virou para encará-la. “Por que demorou? Está atrasada.” Os olhos azuis muito brilhantes de Alvo Dumbledore pareciam dizer, vidrados nos olhos amendoados de Amélia Preminger.

Estavam finalmente juntos em um lugar onde seriam felizes para sempre.

Já o segundo trecho de outra fanfic, essa com Sherlock Holmes e que possui um carinho mais especial para mim. Por quê? Bem, todos sabem do meu amor pelo detetive de Londres, isso não é segredo para ninguém, mas, esse amor me fez desenvolver uma personalidade feminina – not Irene Adler – que seria o interesse amoroso de Holmes. Quem de vocês ainda achar que ele tem uma conexão especial com o John e considerar minha ideia um absurdo, tudo bem. Tenho vários leitores assim e que gostam da minha personagem: Anne de Bergerac (Anne… Ana… sentiram? A pessoa nem tentou disfarçar) individualmente. Comecei estas histórias em 2009, após sair da sessão do filme do Guy Ritchie e não parei mais.

Anne Bergerac: As Portas da Contradição foi a primeira fanfic que postei na vida, seguida por Entre Pontas de Faca e Velhas Histórias, Sob os Olhos do Napoleão e agora O Legado de Pontmerci. Durante esse quarteto, é possível, notadamente, reparar como meu estilo foi se desenvolvendo e amadurecendo. Já quis começar as duas primeiras várias vezes e certamente ainda farei isso, mas nunca irei desmerecer quem eu era ao escrever as primeiras versões. Afinal, a menina que criou Anne Bergerac, embora não seja a mesma que escreveu O Legado de Pontmerci, ainda detém todo o meu amor e respeito. Sem ela e seus sonhos para o nosso “pomposo detetive” não haveria Anne e Sherlock… não haveria, como uma leitora bem pontua, Sheranne… O dia que eu vi esse nome numa lista de ships para a vida toda de uma leitora minha… eu chorei, sério! Você sabe que fez um bom trabalho quando criam nomes de ships aos seus personagens. Então, sem mais delongas…

Anne Bergerac
Notem que no canto direito ainda está constando como Slytherin_Carol, hahahah, meu primeiro nome de usuário antes de me tornar Ana Holmes, como está na capa de Memórias…

Agora os trechos… acho que vou mandar o primeiro parágrafo de cada um, para que vocês reparem o que quis dizer com progressão…

Anne Bergerac: As Portas da Contradição

             Estamos em um daqueles dias frios em Londres. Quando tudo o que você pensa em fazer parece chato e maçante. Chovendo, o barulho das gotas d’água batendo pela janela fechada por uma leve cortina branca. A Sra.Hudson trazendo chá, enquanto eu estou sentada em uma das poltronas perto da lareira, esperando que meus dois amigos voltem de mais uma energizante empreitada. Quem sou eu? Você se pergunta. Sou Anne Bergerac, filha de um policial da Scotland Yard falecido há dois anos, assim como sua esposa. Ambos trabalhando juntos em um caso para a polícia, ajudados pelo meu defensor e grande amigo. Sherlock Holmes. Com a morte deles, fiquei sem um teto sob minha cabeça, o senhor Holmes, um homem muito bom e um tanto “modesto” (falo isso por convivência próxima), me convidou para morar com ele e seu amigo Watson. Desde então, ajudo a Sra.Hudson que às vezes insisti para que eu descanse por ser jovem demais. Jovem… Tenho 26 anos e sou apaixonada pelas empreitadas de Holmes e Watson. Me intrometo continuamente, mesmo Holmes dizendo para que eu fique fora do escritório dele. O que este não sabe é que seu e meu grande amigo, John Watson, me deixa a par de tudo e com isso, consigo ajudar Holmes, mesmo ele não sabendo como.

Entre Pontas de Faca e Velhas Histórias

Durante a noite, não conseguimos distinguir entre o que é sombra e o que é concreto. Apenas tentamos passar por ela, com a esperança de que voltemos inteiros para casa no fim. Contudo, para uma mulher, especialmente quando ela é atraente, nem sempre se pode contar com a sorte. As ruas de Londres são dos mais variados tipos. Tem-se desde as mais seguras, até as mais perigosas. E por mais que as pessoas tentem evitá-las… alguns de nós simplesmente não conseguem retirar o perigo de suas veias.

            _ Quem está aí? – eu perguntei, me virando para verificar se não estava sendo seguida. Realmente, não esperava que houvesse resposta e continuei meu caminho.

            O casamento, para muitos, é como uma grande benção. Mas para mim, significa ser acordada às três da manhã para chamar a Scotland Yard, enquanto meu marido persegue nosso principal suspeito. Ele fica com toda a diversão e eu faço o trabalho chato. Não me lembro de ele ter me prevenido sobre isso quando ficamos noivos, mas o que se pode fazer… me apaixonei o suficiente por ele para desistir da ideia de jogá-lo no Tâmisa.

Sob os Olhos do Napoleão

É tolice tentar descrever meus pensamentos. Sentindo-me desmaiar, cambaleei até a parede oposta. Por um instante, o grupo de policiais que subia as escadas permaneceu imóvel, em um misto de espanto e profundo terror. No momento seguinte, uma dúzia de braços robustos esforçava-se por um esboroar a parede. Ela caiu inteira. O cadáver, já bastante decomposto e coberto de sangue coagulado, estava ereto perante os olhos dos espectadores, na mesma posição em que eu o deixara. Mas sobre sua cabeça, com a boca vermelha escancarada e uma chispa de fogo no único olho, sentava-se a besta horrenda cujos ardis me tinham levado ao assassinato e cuja voz denunciadora agora me levaria ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro do túmulo.”

            _ Anne? – eu ouvi a voz de Sherlock me chamando de volta para o mundo assim que fechei o exemplar de Poe que estava lendo. Estava cansada de ficar sentada na mesma posição por todos aqueles longos minutos, pois “O Gato Preto” prendia tanto a minha atenção, que relia duas vezes cada um de seus parágrafos. Puxei a porta para que meu marido entrasse em resposta ao seu chamado, ao passo que guardava meu livro junto aos outros.

O Legado de Pontmerci

Louis Bergerac de Pontmerci era um homem honrado na medida em que um Pontmerci poderia ser. Sendo assim, por mais que desgostasse de funerais, cumpriria a promessa que havia feito a seu pai em seu leito de morte e cuidaria dos preparativos para a cerimônia, sem deixar que qualquer pormenor tivesse que passar pelo aval de sua mãe. Em circunstâncias habituais, ela não permitiria que qualquer acontecimento fosse planejado sem que a palavra final fosse a sua, contudo, aquilo estava muito longe de ser o habitual.

Os Pontmerci não eram boêmios, e, portanto, não sentiam grande necessidade em exaltar a vida. Ainda assim, quando esta se perdia, demonstravam o devido respeito pela passagem de um plano para o outro. Louis sempre fora o mais religioso dos três, sem deixar que sua fé se transformasse em fanatismo, e encarava a morte pacífica de seu pai como uma benção. Fazia um bom tempo que vinha sofrendo com as pontadas em seu coração, mas não sofreu em suas últimas horas. Apenas fechou os olhos e apertou uma última vez a mão de seu precioso menino e de sua esposa.

Gostaram? Meu Deus que post longo… Enfim, Ceci, espero ter sanado sua curiosidade.

xoxo

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3 comentários em “Palavras… apenas palavras

  1. Aaaai, que linda que você é postando tudo isso só porque eu perguntei hahahaha ❤
    Eu também tenho uma conta no Nyah, sabe? Eu costumava postar umas originais lá, mas acabei largando de mão e apagando a maioria, shame on me. Mas pode ter certeza de que agora mesmo vou correr pra lá e ler tudinho que você escreve porque simplesmente amo a sua escrita desde o primeiro post desse blog. Não entendo muita coisa de HP porque assisti a todos os filmes mas nunca passou disso, ainda assim, vou ler as fics desse universo também.
    Beijo

    Curtido por 1 pessoa

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