Como Eu era Antes de Você

Esse é um daqueles momentos na vida em que você é surpreendido de uma maneira boa. Pessoalmente, não sou fã de surpresas, mas a vida é cheia delas e geralmente me presenteia com ocorrências em formato retangular, sendo menos figurada, livros. Ontem eu comentei com minha amiga na saída da faculdade: “Nossa, preciso fazer um post sobre como eu era antes de você.” Confusa, ela me respondeu: “de mim?” Rimos muito do meme da semana. Então, só para deixar registrado: Como Eu era Antes de Você não foi apenas uma surpresa literária, mas também tornou-se objeto de uma excelente piada interna.

Confissão: eu nunca li “A Culpa É das Estrelas” ou qualquer romance de John Green. Mereço apanhar de Ilíada, eu sei, mas o que acontece é que, muitas vezes, quando um livro se torna tão popular que todos ficam repetindo: nossa, leia! Algum instinto de rebeldia se instala no meu coração, tomando proporções anarquistas, e acaba que eu resolvo não ler. Embora, eu tenha prometido que leria Cidades de Papel. Lerei. Algum dia. Como eu fiz com “O Perfume”. Em todo caso, fiquei sabendo que em Junho (melhor mês! Meu aniversário!) será lançado a adaptação cinematográfica do livro… E, até então, não havia sequer ouvido falar em Jojo Moyes.

Tudo bem, eu sei: Poxa, Carolina, em que mundo você vive?! Mas é coisa minha gente! Nunca acompanhei tendência nem no guarda-roupa, muita coisa não ia mudar na literatura. Mas, graças a Deus, Jeová, Buda, Merlin, todos os santos, assisti à metade do trailer (foca na incompetência de ficar até o final) e resolvi que, ao contrário do que aconteceu em “A Culpa é das Estrelas”, eu não seria a pessoa que, à época da estreia do filme, não teria lido o livro e também não veria o filme e, por isso, não saberia comentar nada na roda de amigos. Não! Eu resolvi, antes de saírem os memes da Glória Pires, que esse ano eu teria como opinar! Decidi, portanto, ler a obra da Jojo. Sem grandes expectativas, só baixei (crise financeira) e fui!

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Minha primeira impressão foi: escrita que me lembrava o estilo de uma das minhas autoras favoritas de fanfic. Logo, amor à primeira vista. Porque, traduzindo, é um estilo de escrita completamente despretensioso, no sentido de que “ah, não estou tentando ser Tolstói e estou bem com isso”, e que ainda assim consegue te prender e te fazer ficar vidrada e completamente apaixonada com a ambientação, os personagens, reviravoltas, enfim, com a obra em si. Assim como ocorre quando estou lendo as fanfics da -omite nome da autora- eu não conseguia soltar Como Eu era Antes de Você. Justamente porque a história da Louisa, do ponto de vista dela, foi algo que eu poderia ter ouvido da boca de uma grande amiga. A despretensiosidade criou a preciosidade, quero dizer.

Falando da Clark (muitos feelings), fazia muito tempo, acho que desde Emma, que eu não me identificava tanto com uma personagem. Afinal, é fácil assistir uma série e pensar: “Gosto deste personagem. Ele é foda.” Mas é muito raro encontrar algum que nos faça dizer: “Eu teria feito a mesma coisa, nesta mesma proporção.” Os personagens pelos quais costumamos, pelo menos eu, nos apaixonar numa série de TV podem ter aquela determinada qualidade que nos causa empatia ou simpatia, mas não é a mesma coisa de olhar um livro escrito em primeira pessoa, entendendo o que realmente se passa na mente dela em um determinado momento e se ver ali. Quero dizer, eu nunca usei roupas loucas como a Louisa, mas eu já me senti estranha e sem saber o que dizer ou fazer com uma pessoa aparentemente doente; o que me levou a recorrer ao humor.

Eu soube que me apaixonaria por Como Eu era Antes de Você quando:

Olhei para baixo, em direção ao colo de Will, depois para o chão a seu redor. Eu conseguia apenas distinguir a foto dele com Alicia, cujo rosto agora estava oculto por uma moldura de prata dobrada, em meio a outras vítimas.

Engoli em seco examinando a cena, e, aos poucos, levantei os olhos para os dele. Foram os segundos mais longos que já tive.

— O pneu dessa coisa fura? — perguntei, por fim, apontando com a cabeça para a cadeira de rodas. — Porque não tenho a menor ideia de onde posso colocar um macaco para levantá-la.

Ele arregalou os olhos. Por um instante, pensei que eu realmente tivesse estragado tudo. Mas um mínimo lampejo de sorriso passou pelo rosto dele.

— Olha, não se mexa. Vou buscar o aspirador — falei.

Escutei a bengala cair no chão. Quando saí da sala, acho que ouvi um pedido de desculpas.

 Pega completamente de surpresa pelo uso de humor da Louisa. Depois disso, foi, como dizem, só alegria. Mas, acredito que esteja me adiantando… A plot da estória é uma garota que se vê forçada a abandonar um trabalho de que gostava e vai em busca de outro. Ela deixa claro que cuidar de alguém, “limpar o traseiro” de um doente, é a última coisa que gostaria de fazer. No entanto, sua família precisa do dinheiro e o salário deste emprego excede o usual. Abrindo mão de uma prioridade, essa garota faz a entrevista – e nos ensina que nunca se deve usar um terninho antigo da mamãe em ocasiões como esta – e passa a trabalhar para o rapaz Will Traynor. Sua função não envolve “limpar traseiros” e, de fato, num primeiro momento, todos nós nos questionamos porque alguém contrataria Louisa Clark, digo, porque ela precisa, efetivamente, estar ali. Sem spoilers, o seu papel é o mais importante de todos: lembrar a Will, um paraplégico, de que a vida ainda pode ser boa e bonita, mesmo quando vista de um ângulo diferente.

Com esta ideia, a autora poderia ter se utilizado do famoso clichê, doutor que se apaixona pela paciente ou vice e versa. Não estou dizendo que ela não usou e espero que, a noção de que Will e Louisa vão se apaixonar, não seja um spoiler, mas a grande sacada de um escritor não é ser completamente imune aos clichês, mas saber utilizá-los. Uma coisa é você jogar a bomba de uma vez e deixar o fogo se espalhar como se nada mais fosse importante. Outra, é preparar muito bem o terreno para quando ela vier. Sendo a romântica incurável, porém sensata, que sou, acredito que não haja nada mais natural do que duas pessoas desenvolverem certa intimidade, um laço profundo e, sim ou não, se apaixonarem. Meu melhor exemplo, atualmente, é Charles Carson e Elsie Hughes de Downton Abbey, mas nem todos assistiram, então vamos para o geral: Ron e Hermione da série Harry Potter.

O Ron não achou que a Mione era a coisinha mais linda da rua do nada. Não senhor, a tia Jo nos fez esperar SETE LIVROS por um beijo! Mas, @#$&*% o beijo. O importante foi o trâmite dos seis livros e meio anteriores. Porque o legal de uma “história de amor” é que ela tenha, sobretudo, uma “história”. Não precisa ser “caliente” e, nesse caso, até prefiro que não tenha sido, porque como nós românticos sabemos, o que interessa não é o “caliente”. É o morninho, *risos*. Nós não amaríamos o Senhor Darcy, se ele não tivesse trazido o Bingley de volta ou ajudado a resgatar a Lidya ou sido todo gentil com a Lizzie ao mostrar Pemberley para ela e seus tios. Tanto é, que o pedido de casamento deles foi feito em um momento DEFINIÇÃO DE MORNO: uma fucking caminhada pelo jardim! Certas coisas ficam tão lindas na imaginação, o pós dessas ocorrências também…

O ponto é: Moyes nos deu um relato comprável, crível, é a palavra. E isso separa bons livros de ótimos livros. Pessoalmente, eu não morri de chorar no final, mas chorei durante. Mais especificamente, na cena da tatuagem. Houve também ocasiões em que eu me senti desconfortável: SPOILER ALERT – quando Louisa descobre sobre as Dignitas e conversa com a Treena a respeito. Não sei exatamente o quê exatamente fez com que eu me sentisse assim, logo, “não tenho condições para opinar”. Basta que vocês saibam que não foi tudo flores. Por fim, claro, tem Will. Traynor. Will Traynor.

Eu gostaria de um Will na minha vida. Não para se apaixonar por mim, mas que me desafiasse. “Ah, não gosta de música clássica? Vamos a um concerto e eu te provo que isso é mentira, Clark!””Ah, não gosta de filmes estrangeiros porque não gosta de ler legendas? Vamos assistir a toda a cinematografia alemã e eu te desafio a não chorar no final de todos!” E esses são apenas alguns exemplos. Will é/foi um apaixonado pela vida e tudo que ela tem a oferecer. Acredito, que se ele visse quantas noites já passei em casa com a Netflix, ficaria enojado. Momentos existencialistas à parte, essa certeza, esse amor que ele deixa claro durante toda a obra é o que faz todo o resto melhor e, como disse, crível. A Jojo desenvolveu a personalidade do personagem, jogou a bomba, mas não deixou que ela alterasse algo que nós já sabíamos!

E o que ganhamos? A delícia que é “Como Eu era Antes de Você”. Amei. Amei. Infinitas vezes. Verei o filme, mas não lerei a continuação, porque esta é uma daquelas histórias em que, o que acontece depois, merece ficar para a imaginação. A rima não foi intencional… Bem, pode parecer que eu foquei apenas no romance entre os protagonistas, mas, obviamente, o livro não se trata apenas disso. Contudo, isso não serei eu a contar…

 Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível.

xoxo

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4 comentários sobre “Como Eu era Antes de Você

  1. Meu livro ❤ Minha autora ❤ Meu Will ❤ Sim, sou possessiva hahahah
    Eu também não sou adepta das modinhas, tendo fugir do que todos estão falando e, se eu não tivesse lido Como Eu Era Antes de Você há pouco mais de 1 ano, acho que não o leria agora exatamente por estar em alta. Mas é um dos meus livros preferidos e eu fico muito feliz que você finalmente o tenha lido. É, como você bem disse, muito mais do que uma história de amor. É uma história sobre a vida. Sobre se arriscar, sobre se deixar encantar e mudar. Ah, Will… Esse homem vai estar sempre na lista dos meus maiores amores literários, por tudo que ele fez pela Lou, pela transformação – para melhor! – que ele a proporcionou.
    Reli e relerei de novo, quantas vezes der vontade. É, de longe, o melhor livro da Jojo, mas, mesmo sendo suspeita para falar, eu digo que vale a pena conhecer as outras obras, quem sabe A Garota Que Você Deixou Para Trás.

    p.s: AMO o jeito que você escreve e articula suas ideias ❤
    Beijo

    http://www.blogrefugio.com

    Curtido por 1 pessoa

  2. Projetos para amanhã: primeiro, ver seu vídeo, depois, baixar a garota que você deixou para trás. Só que antes, tenho que terminar um livro que comecei hoje. O mundo assombrado pelos demônios de Carl Sagan, creio ser assim que se soletra. E ownt para você amando minhas articulações loucas hahahahhaa! Obrigada pelo carinho de sempre Ceci!! Bjoos!! VAMOS COLOCAR WILL NUM POTINHO!!!

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