Ana Caracoles visita o Mundo Esmeralda

Na Sexta-feira, dia 4 de Março de 2016, atingi um novo nível de reconhecimento. Descobri que existem três níveis de impressionável aos quais meu corpo responde. O nível morte do Dumbledore: muito impressionante. Eu vou para a cama chorando depois e tenho uma noite de sono sem sonhos e, no dia seguinte, acordo com uma sensação de “minha vida mudou, estou sem chão.” O nível morte do Han Solo: não sei lidar. Passo mal horrores, não consigo dormir e só penso em como Harrison Ford pôde sequer cogitar tal ideia. E, agora, o nível Wicked: morta feat. enterrada. Muitos feelings desafiando a gravidade. Não durmo, passo mal, melhoro, volto a passar mal, mal durmo, tonta de tanta vontade de passar por tudo isso novamente.

A horrível verdade? Eu nunca, nunquinha, havia assistido a um teatro musical ao vivo. Tudo mudou no ano passado, quando pude assistir O Fantasma da Ópera no “Her Majesty Theater” em Londres. Eu sempre fui uma grande fã do teatro, desde a minha primeira vez vendo uma adaptação infantil de Rapunzel. Tenho uma enorme admiração por todos os envolvidos nessa arte e acredito em sua competência. No entanto, quando soube que Wicked viria para o Brasil, fiquei com um SUPER pé atrás. Primeiro: por ser baseado em um dos contos mais americanos que existem (O Mágico de Oz), achei que trazê-lo para o nosso país, acabaria com seu significado, a sua magia; achei que, ao adaptarem as letras das músicas para o português, muito da mensagem de Wicked se perderia. Segundo: eu não conseguia imaginar ninguém, absolutamente NINGUÉM, que fizesse jus ao papel da Elphaba. Eu cresci ouvindo a versão da Idina Menzel de Defying Gravity, amando-a demais, para simplesmente aceitar qualquer uma imortalizando a canção na nossa língua pátria.

Resumindo, eu não acreditava que o nosso país, na falta de alguém mais específico para culpar, estivesse pronto para Wicked. Que fique claro, não por acreditar na falta de competência de nossos atores, mas sim, porque vocês teriam a mesma reação se eles resolvessem adaptar O Sítio do Pica-pau Amarelo de Monteiro Lobato. É querer trabalhar com algo sério, quero dizer, a maioria de nós admiradores do mundo de musicais cresceu ouvindo a Idina e a Kristin entoando as clássicas canções desse musical… Mas, então. A surpresa… vamos usar um vídeo comparativo.

Não siga em frente antes de ouvir as duas versões. Mas, enfim. O trabalho em Wicked foi minucioso de uma forma que eu, na minha ingenuidade, não acreditei que seria. As adaptações foram, sim, perfeitas. E não, não estou exagerando! Os figurinos, perucas, cenários, todos vindos da terra natal deste hit e utilizados com maestria por nós, que conseguimos, talvez, trazer até mais magia para a terra encantada de Oz. E as atrizes maravilhosas: Myra Ruiz e Fabi Bang. Fiquei sabendo que foi a diretora original da peça que as escolheu entre milhares de Elphies e Glindas, o que só confirma que, sim pessoal, existe um carinha lá em cima que sabe o que faz ao iluminar as mentes de pessoas prestes a tomarem sérias decisões. Cena atrás de cena, coreografia atrás de coreografia, ainda que da distância do Balcão A, as duas me fizeram mergulhar na terra do mágico, na Cidade das Esmeraldas e garantiram a todos que estávamos lá na estreia, uma noite memorável.

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Falando sobre o momento que todo fã de Wicked espera: Defying Gravity. Agora é o momento em que eu tiro a minha máscara de pessoa contida e digo: pessoas atrás de mim devem ter me xingado, porque eu cantei junto com a Myra e fiz os gestos! Estava sentada na segunda fileira do balcão A, então, quando ela levita, é como estivesse olhando diretamente na minha direção. Por óbvio, que eu compartilharia esse momento com ela, não é mesmo? kkkkkkkkkk Para vocês terem uma ideia, meu pai não é fã de musicais e simplesmente AMOU Wicked. Até agora pagando pau horrendo para Fabi Bang. E tentando dar uma de: é gostei, mas você gostou mais… AHAM! ACHA QUE ENGANA QUEEEEM? Mais um foi fisgado pela mágica da Broadway. No Regrets.

Então, após várias lágrimas com isso:

Seguimos para o lado de fora. Eu levei uma Sharpie. Uma Sharpie na qual Myra e Fabi tocaram para me darem seus autógrafos. Foi meu primeiro momento tiete da vida!! Confesso que me comportei melhor do que esperava. Era nítido o cansaço delas, mas também foi nítido o quanto se entregaram em seus papéis! Sério. A partir de hoje, não aceito ninguém falando mal do teatro brasileiro (alguém já ousou fazer isso?) ou que os americanos fazem melhor: NÓS SOMOS MARAVILHOSOS! PERFEITOS! MELHORES! E eu queria ter dito isso para Fabi e para a Myra, mas se eu tivesse dito qualquer coisa que não: “Você poderia assinar para mim? Foi maravilhoso! Se importa de tirar uma foto comigo?” Teria me acabado de chorar e eu quero guardar esse mico para quando conhecer a Maggie Smith. Logo, mitei na elegância Hepburniana e consegui manter a compostura que normalmente eu não teria.

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glinda e elphie.png
Detalhe: acho que meu pai pagou tanto pau para a Fabi, que caprichou mais na nossa foto do que na minha com a Myra, mas ok. E outro detalhe: O tipo de foto em que você não liga como ficou sua cara, o importante é que a foto existe.
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Vista do Balcão A
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A empolgação da pessoa antes de começar

 

Bem, era isso o que eu tinha para dizer. Vejam Wicked! O trabalho está sensacional e merece ser prestigiado por nós, fãs. Próxima meta: My Fair Lady em Agosto!

xoxo

 

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2 comentários sobre “Ana Caracoles visita o Mundo Esmeralda

  1. Antes de tudo: obrigada por me lembrar da morte do Han Solo e me deixar na pior o resto da noite.

    Agora vamos ao ponto:Carol, eu tô tão feliz por você, nossa! Eu nunca vi um musical ao vivo e me arrependo todos os dias por não ter ido ver Les Mis em Londres e de quebra ainda ver a Carrie ao vivo. Eu nunca vi Wicked, acredita? Assim, uma colega foi pra NY (o nome dela também é Carol hahaha) e viu lá na Broadway e é o musical preferido dela, então eu vi alguns videos no blog quando ela contou tudinho e é por isso que eu posso ousar comparar com o brasileiro e meu Deus, tá incrível! Tá super idêntico! Olha esse figurino!!!!

    Acredito que foi uma experiência única que você vai levar pro resto da vida. Deixa eu repetir que tô super feliz por você, de verdade! Que bom que você aproveitou tudo de todas as maneiras possíveis.

    Beijo

    Curtido por 1 pessoa

    • Amora… já estamos em 2016 e a ferida ainda nem cicatrizou! O Oscar abriu ela toda de novo, mas enfim… Desculpa! Vem pra Udia sofrer comigo, tá bem? Então tá bem, te passo endereço inbox.
      Gente! Pode haver ser humano mais lindo?? Ooown… que linda! Feliz por miim! QUERIDA VOCÊ PERDEU UMA CHANCE DE VER LES MIS AO VIVOOOO?? LOUCA! OZADA! ANARQUISTA! REBELDE! Como assim?? Prova de que EU não estava lá para te puxar para longe do Bennedict Cumberbatch e te carregar na cestinha até o teatro. C-H-A-T-E-A-D-A! FOR SHAME! AUSHAUSHUASHAU. Mas, calma. Calma. Você vai voltar e vai assistir. Ok? Ok. Manda foto para me provar que é moça obediente. E sim. Ficou igualzinhooooooo! Em gênero, número e grau! Estou super feliz, porque nunca havia assistido Wicked, só conhecia a história por trás e muita coisa poderia ter se perdido numa adaptação. Contudo, não foi o caso, e amém! Agora é um dos meus favoritos! Mas o podium continua pertencendo a My Fair Lady… é muito amor! Torcendo para dar certo de ir também!
      Obrigada pelo carinho, ceci! Bjoos!

      Curtido por 1 pessoa

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