desvendando o enigma

Guerra e Paz BBC: e agora eu vou reler esse livro!

Rússia. Assim como a Regina George, é impossível começar a explicá-la. Claro, existem vários pontos controversos no que concerne a política atual e não atual. No entanto, estou aqui apenas para analisar o ponto mais relevante para este post: cultural. Acredito que todos, senão a maioria de nós, já ouviu falar a respeito de um camarada chamado Liev Tolstói. Ou Leão Destrói, como diria o nosso amado Charlie Brown. Pequena grande história, Tolstói nasceu em meio a aristocracia russa, porém, devido a certas vivências dentro do exército, recolheu-se no campo na posterioridade de sua vida. Conheceu Victor Hugo – sim, a mente por trás de Les Misérables – quem influenciou em demasia suas opiniões políticas, bem como algumas cenas de batalha de Guerra e Paz.

Eu gostaria muito, do fundo do meu coração, que este post pudesse conter a minha crítica pessoal sobre o livro. No entanto, bem… quando eu li Guerra e Paz, houveram empecilhos. Primeiro: foi minha primeira ida a uma biblioteca, logo, o livro não era meu e essa pessoa, na afobação da vida, leu rápido demais. Eu não aproveitei Guerra e Paz, pessoas; porque só o que eu pensava enquanto lia era: “Eu preciso acabar de ler… eu preciso acabar de ler, se não vou perder o prazo e pagar multa AIAIAI.” Segundo: eu li muito jovem. Deve ter sido o quarto ou quinto livro que eu peguei depois de Harry Potter. Isso com doze anos. O QUE UMA CRIANÇA SABE SOBRE A GUERRA E A PAZ COM DOZE ANOS? Nada. Então, pode-se dizer que foi apenas Ana Carolina tentando pagar de cult. Se @#$%, porque Ana Carolina só lembra de Natasha… e ela nem é a personagem mais incrível dessa obra! Terceiro: o livro não era meu. Então, eu nunca pude acessá-lo para reler, como eu já fiz com Anna Karenina – também Tolstói, e ele acredita que esse tenha sido seu primeiro grande romance… SABE DE NADA INOCENTE! A gente simplesmente não pode jogar cinco anos no lixo. Seus leitores não vão permitir. Sim, o livro foi escrito em cinco anos…

Acho que já deu para entender que a minha relação com a obra dá quase ensejo a um processo de negligência, abandono afetivo… enfim! O importante é: eu me lembro de ter gostado muito. Da Natasha. Porque com doze anos, eu não estava interessada na guerra, ou seja, aqueles capítulos muito extensos e focados no Napoleão Bonaparte, nas cenas de batalha, no sofrimento do exército russo e/ou francês… eu pulava. EU TRAPACEEI LENDO GUERRA E PAZ! ME PROCESSA! Eu mereço. Porém, contudo, todavia, graças a Deus e aos roteiristas que se dispõem a adaptar quase oitocentas, mil páginas, para as telas. Eu não tenho problema nenhum em dizer que muitas das minhas leituras ocorreram porque antes delas eu assisti ao respectivo filme. Foi assim com Orgulho e Preconceito da Jane Austen e, consequentemente, eu li toda a obra dela depois e vi todas as adaptações delas depois. Porque eu não era burra com doze anos de idade, eu trapaceei, mas não era burra. Eu sabia que os filmes não eram tudo. Nunca são! Até hoje!

Mas que bom que eles existem. Que graça divina! Bem, vou parar de lançar vocativos (e as mãos) para o alto e explicar: se vocês não sabem, eu sou uma enorme fã de filmes antigos. Eu assisto às quatro horas de Cleópatra – com a Liz Taylor – deboua. Sento ali no sofá e fico vidrada. E, assim, tendo feito isso, eu achei que estava pronta para as três horas da versão de 1956 de Guerra e Paz; porque tinha a Audrey Hepburn no elenco. Ela era a Natasha; a única personagem de quem eu me lembrava em detalhes. Daí, assistindo ao filme, eu me lembrei do Andrei, do Pierre, da Hélène (#$%), da Sonya <3… e redescobri outros. Porém, eu não gostei tanto dessa versão, mas não sabia dizer porquê. Afinal, todo mundo que já assistiu a ela, ama. E, então, eis que surge no ano passado a notícia de que Andrew Davies iria produzir com a BBC uma adaptação para as telinhas da obra do escritor russo realista mais querido de todos os tempos.

De novo, a atriz que faria a Condessa Natasha Rostova era alguém que eu conhecia. Lily James. A Rose McClare de Downton Abbey (ô série que me persegue desde que acabou, SENHÔR! Acho que ela e Harry Potter fizeram um pacto) e a Cinderella de 2015. Também a Tuppence Middleton, de Sense8, que faria a Condessa Hélène (@#$%) e o JIM BROADBENT, O PROFESSOR SLUGHORN DE HARRY POTTER! E a atriz que foi a Senhora Weston na adaptação de Emma de 1996… Assim, muito ator que eu conheço e de quem eu gosto. Mas, ainda de luto por causa de Downton Abbey, eu assisti ao piloto e nada mais. Gostei do piloto; falei que veria o resto depois. O depois foi essa semana. Estreou em Janeiro. E o que eu concluí? Preciso, desesperadamente, ler Guerra e Paz de novo! Ler de verdade dessa vez. Sem trapaças. Sem achar que a Natasha é a única coisa que importa na trama. Não é. E, de verdade, Lily James está se tornando uma das minhas atrizes favoritas do momento. Quase me dá vontade de ir assisti-la sendo Elizabeth Bennet naquele arremedo de filme chamado Orgulho e Preconceito E zumbis (a obra que faz Jane Austen se revirar no tumúlo até hoje). Quase.

Mas, sério. Ela é fantástica! Finalmente eu descobri porque eu não gostei tanto da versão de 1956. Não acredito que vou digitar essas palavras, mas… eu não gostei, porque não acho que a Audrey Hepburn tenha feito eu sentir qualquer coisa pela Natasha quando, num determinado momento da obra, NO SPOILERS, ela tem o seu momento ápice de drama. EU AMO A AUDREY! Porém, esse é um problema que eu vejo na maioria dos filmes antigos, quando eles têm que ser dramáticos são num grau que não é emocionante, e sim ensaiado demais. No teatro, seria ÓTIMO, mas para o cinema, para mim, não encaixa. E assim, a Lily fez drama? Fez. Ela chorou, ela bateu porta, ela gritou, sim, mas não pareceu coreografado; foi realmente tocante. E outra, agora COM SPOILER, a série retratou melhor o desenvolvimento da relação Natasha/Pierre do que o filme. No filme, você percebe que rola alguma coisa ali, mas chega até nós como uma paixonite e não amor de verdade.FIM DO SPOILER.

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Audrey e Henry como Natasha e Pierre

Na minha opinião, o próprio personagem do Pierre, porque até parece que eu estou fazendo de novo e dando atenção apenas para a Natasha, mas NÃO… o próprio Pierre, o ator que o interpretou, por ser mais jovem do que o Henry Fonda, responsável pelo papel no filme, pareceu fazer mais jus a juventude da mente do Pierre no início da obra. Não que exista uma idade certa para alguém achar que está se casando com um anjo e a pessoa, na verdade, ser um demônio (Hélène &@$%), contudo, a aparente juventude do ator, somado a imaturidade do Pierre no início da estória, se juntam em um sincronismo tão perfeito… Nota dez para os escaladores deste elenco. Ficou muito bom! E eu quero colocar o Pierre num potinho junto com a Sonya… Aaaah, Sonya… Lembra que eu falei de mulheres fortes, mas que não necessariamente precisam ter qualquer habilidade nas artes marciais para isso? Então, Sonya! Depois que eu reler Guerra e Paz, e mergulhar mais na mente de Sonya, me aprofundarei mais em destacar suas virtudes. Por enquanto, basta dizer que: você merecia um final melhor, amiga. Você merecia a Rússia inteira!

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Lily e Paul como Natasha e Pierre

Outra personagem de quem eu não lembrava muito e que acredito não ter sido tão destacada no filme, foi a Princesa Marya Bolkonskaya, irmã do Andrei Bolkonsky (ela não era princesa da Rússia, ok? Para tal, seu título seria Princesa Real). Em todo caso, Marya. A PARTIR DESTE MOMENTO TEREMOS SPOILERS PARA QUE EU POSSA EXPLICAR MELHOR, ENTÃO, VOCÊ ESTÁ POR SUA CONTA E RISCO SE CONTINUAR! foi uma personagem por quem eu senti muita empatia e com quem, de certa forma, eu me identifiquei. Queridos leitores, o que eu vou falar agora não é uma tentativa de ganhar elogios nos comentários, ok? Ok. Então, eu não me considero o membro mais bonito da família; se alguém dela concorda com isso ou não, me recuso a responder porque é polêmico. Enfim, Marya também é o patinho feio da casa Bolkonsky e seu pai (Jim Broadbent fabuloso, OSCAR PARA ELE!) não ajuda em nada a respeito. Ela tem uma dama de companhia que ele insiste em favorecer, de certa forma, contra a própria filha; se ela, Marya, tenta apaziguar ou ajudar em alguma situação, ele a censura com veemência. Ao fazê-lo, é nítido que isso faz parte de sua natureza e não uma forma de castigo, mas não deixa de me parecer errado…

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Princesa Marya Bolkonskaya (Jessie Buckley)

É um relacionamento extremamente abusivo, a meu ver. Devido a tantas represálias, Marya é uma pessoa calada e retraída, mas logo se vê que é doce. Romântica. Digna do potinho de todos nós. Pois bem, aqui vai o spoiler, o pai vem a falecer. Em seus últimos momentos, segundos, há uma espécie de redenção na relação deles; o lampejo da compreensão: “Eu rezei pela morte dele… e durante todo esse tempo… ele me amava”. Ela observa, chorosa. É uma cena bem densa, porque revela que existiam trevas no coração da princesa e não apenas a placidez aparente. Logo em seguida, a vemos deixar as sombras de seu pai para trás e desabrochar na mulher que vivia escondida em meio a palavras duras. E é tão gratificante vê-la ganhar autoconfiança, finalmente se apaixonar, não vou dizer por quem, isso seria demais… Mas, sabe? Finalmente encontrar a paz de poder ser quem se é. É maravilhoso e eu fiquei contentíssima pela Princesa Bolkonskaya. FIM DOS SPOILERS, AMÉM! 

Além disso, temos uma cinematografia de tirar o fôlego. Uma trilha sonora utilizada da maneira certa, em especial nas cenas de batalha. Um figurino leve e ao mesmo tempo luxuoso: Detalhe no vestido de baile da Lily James muito Elizabeth Bennet de Orgulho e Preconceito… Resumindo: vou ler Guerra e Paz esse ano! Talvez depois que acabar de ler “As Irmãs Romanov”, minha leitura atual e você precisa conhecer essa fantástica adaptação! Somente seis episódios, mesmo tempo de duração de um episódio de Sherlock cada um e mesmo assim tem mais episódios que essa série destruidora! Eu queria que esses comentários chegassem ao Mark Gatiss…

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Pierre (Paul Dano), Natasha (Lily James) & Andrei (James Norton)

Um último comentário: vocês devem ter reparado que eu xinguei o tempo todo ao escrever Hélène. Bem, eu nunca xingaria uma mulher de @#$% só porque ela dorme com vários homens e é adúltera. Não sou dessas. Mas, eu posso sim, chamar uma mulher desse jeito quando sem motivo nenhum ela resolve, por algum motivo desconhecido, se meter na vida de outra pessoa, sabendo que sua interferência vai culminar em merda. Foi o que aconteceu com Hélène e Natasha em um determinado trecho. Outro motivo para eu querer ler o livro é para tentar entender as motivações dessa mulher. Nota dez para a Tuppence Middleton por construir uma pessoa sem nenhuma qualidade, na minha opinião, que a redima perante a sociedade. Se vocês assistirem e encontrarem alguma, me contem!

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Hélène Kuragina (Tuppence Middleton)

Me recuso a concluir com ela, então:

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Sonya Rostova (Aisling Loftus)

É esse rosto que vocês precisam amar. Detalhe: eu tenho um pingente IGUAL ao dela e nem precisei ir até o set furtá-lo. Sorte? Coincidência? Provavelmente.

Então, é isso. Vamos assistir?

 

xoxo

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2 comentários em “Guerra e Paz BBC: e agora eu vou reler esse livro!

  1. Você como sempre falando perfeitamente por mim, você me representa de todas as formas!! Eu amo a Lily James e achei que a personagem teve tudo a ver com ela, mas na hora de escolher uma personagem feminina favorita eu fico muito em duvida entre a Marya e a Sonya. Porque *spoilers* elas amam o mesmo homem e a gente consegue torcer pras duas porque sabe que ambas são incríveis?! O otp vai funfar com qualquer uma!!!! Eu vi muita gente reclamando da escolha do Paul para o papel, mas eu gostei. Não que eu seja a pessoa mais indicada para opinar porque nunca li o livro. Morro de vontade? Sim. Mas também morro de preguiça, OLHA O TAMANHO DA OBRA!!!! Aiii e cadê o Andrei? Meu amor tão lindo, chorei tanto com as cenas finais dele com a Natasha e a irmã 💔 Eu fiquei completamente apaixonada por essa minissérie! Mas sabe como é, né, selo de qualidade bbc.

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