O Casamento da minha melhor amiga

Antes que vocês leiam, uma explicação. Estava conversando com minha querida amiga cpadfoot hoje, pegando ideias para essa nova fanfic que tenho em mente. Já expliquei sobre esse movimento dentro da literatura neste post: Palavras apenas palavras. Certo? Então, conversamos, me inspirei com tantos filmes que assisti hoje e escrevi essa possível versão do primeiro capítulo de “My Fair Lily”, uma au (alternative universe – universo alternativo) de Harry Potter (amo!). Ela é baseada no filme Sabrina com a Audrey Hepburn, o meu favorito com ela depois de My Fair Lady, antes que vocês se assustem com algumas coisas que poderão ler.

Dito isso, segue a leitura.

P.S: trilha sonora da fanfic: Kodaline.

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Never mind I’ll find someone like you…

Com tais palavras ela se revirava na cama toda manhã, esperando que, na verdade, fosse sábado ou algum feriado e tudo não passasse de engano. Os cinco minutos de soneca poderiam ser transformados em um sono de mais de oito horas, tornando a vida mais prazerosa dentro do ócio que gostaríamos de viver e que contraditoriamente tentamos evitar quando o atingimos. Não passavam de oito horas da manhã e ela se revirava com este raciocínio. “Por que não pode ser sábado? Por favor, meu santo deusinho, permita que hoje seja sábado…”

Não era. Mas, era Sexta-feira. Uma Sexta- feira treze. Muita superstição rola a respeito deste dia do ano, especialmente se estivermos em Outubro. Não estamos. É Junho. E melhor ainda, era o dia mais aguardado de todos. O casamento de Alice Lightwood com Frank Longbotton. Uma florista com grandes sonhos paisagísticos e um contador pé no chão com o sorriso mais contagiante da cidade estavam prestes a jurar amor eterno em frente a cem convidados (culpa da mãe de Alice) numa sexta-feira treze. O sonho de toda garota sonhadora e devoradora de livros. Ao menos era como a amiga pensava.

Ela adorava casamentos. Ela odiava casamentos. Mas, chegaremos a isso a qualquer momento. Primeiro, basta esclarecer que qualquer sentimento produzido pela “bad” de ter uma música da Adele como despertador fora instantaneamente apagado quando a garota – a eterna garota – se lembrou que dali algumas várias horas, estaria vendo o sorriso mais bobo na cara da Alice e também na de Dorcas Meadowes. Sei, sei. Estranho né? Que espécie de mãe batiza sua filha com um nome como Dorcas? Vejam só, o nome é Dorothy Isabella Meadowes. A mãe dela tinha um certo vício com O Mágico de Oz e Judy Garland era o melhor ser humano na face da terra para a tia Marisa. Mas, se vocês conhecessem a Dorothy… Ela não faz o tipo. Assinar Dorothy Meadowes no jornal não faria com que suas leitoras a amassem mais. Algo precisava ser feito. Foi quando Dorcas nasceu.

Graças a ela. Enfim, porque estou insistindo em transformar minha vida em um romance tolstóico em terceira pessoa? Aff, cresce Lily. Isso. Exatamente. Lilian Evans. Só Lilian, mas, por favor, me chame de Lily. Pode parecer clichê, mas nem a Petúnia me chama de Lilian… minha irmã Petúnia. Com quem meus pais nunca tiveram com que se preocupar. Ela sempre soube exatamente o que queria fazer da vida. É enfermeira no Judith Health Center. Já eu? A caçulinha? Bem, digamos que eu tenha certa dificuldade em definir prioridades, padrões, sabe como é? O mundo é tão grande, por que focar numa única coisinha pequenininha? No entanto, não é hora de falar de mim. Vamos falar do casamento da Alice e sobre como eu consigo amar e odiar casamentos.

Do início, eu sou uma das madrinhas. Após várias crises da minha querida amiga de infância, insistindo desesperadamente para que eu topasse… Quer dizer, pode não soar assim, mas eu sou muito tímida; incapaz de me sentir à vontade sendo o centro das atenções. Isso sempre me pareceu algo para as Dorcas da vida. Alice também conseguia desempenhar o papel. Na sua forma doce e despretensiosa que lhe rendiam amigos por onde quer que fosse. A típica pessoa que faz amizade na fila do pão. Eu? Quem sou eu na fila do pão? Sou a Andy antes dela começar a usar Prada. Afinal, vocês devem ter assistido ou pelo menos ouvido falar no “O Diabo Veste Prada”. Ele resume bem a minha vida no momento, mas sem o Prada e definitivamente sem a Meryl Streep como minha chefe… isso, na verdade, seria o máximo! Mas, estou falando demais novamente… Focando. Teve choro, insistência, bilhetes ameaçadores escritos no espelho embaçado do meu banheiro (não queira saber detalhes. Por favor.), até que por fim eu cedi à bridezilla que se tornou a doce e despretensiosa futura senhora Alice Longbotton.

E o pior é que ela sabia. Foi um trabalho atlético ficar ao lado dela durante os preparativos, mesmo que fosse minha amiga de infância. Dorcas, por outro lado, tinha o condão natural de atender o telefone e dizer “estou no meio de uma crise”. Me arrependo amargamente de ter assistido “Noivas em Guerra” com ela. Minha colunista favorita era a Kate Hudson e eu sempre era a Anne Hathaway. Mas sempre a Anne antes das grandes transformações. Se Diário de uma Princesa fosse a minha biografia, nós nunca teríamos chegado a parte em que o “coiffeur” da rainha chega para dar um trato nela. Não, não, não, meu cabelo permaneceria sem corte o filme todo. E a verdade é que eu nem tenho um problema com isso. Ele sempre foi longo, regular, sem nenhum detalhezinho para dar uma realçada. Bem o estilo da minha mãe. E meu estilo de roupas… digamos que a Alice não me deixou escolher o meu vestido para a cerimônia sozinha.

Altos e baixos. Tons pastéis ou não. Clássico ou pós moderno. Banda ou DJ. Nem parecia o casamento de uma simples filha de floricultores. De fato, ela sempre sonhou com isso. Queria que seu casamento fosse tão… tão enorme quanto uma festa na mansão dos Potter. Ah… os Potter. Eles eram donos da metade da cidade, com um enorme prédio bem localizo no Upper East Side, o centro da aristocracia de Manhattan, onde Charles e James Potter, pai e filho, dirigiam os negócios – ações, fibras óticas, qualquer coisa que James considerasse passível de produzir uma fortuna em menos de um ano e meio. Meu pai era o chofer da família Potter, minha mãe costumava cozinhar para eles… antes de falecer por uma “doença” do coração. Ela e papai foram felizes ali, as típicas pessoas que nunca ambicionavam por mais nada do que aquilo que sabiam condizer com a sua classe social e posição no mundo. Afinal, quando se vive numa propriedade como a dos Potter, é comum pegar-se pensando nos velhos conceitos feudalistas.

Todo ano, naquela mesma época, a mansão sediava a legendária festa da fragata. Nunca chovia nas noites de festa dos Potter. Eles não permitiriam isso. Pelo menos, eu penso que James não iria. Charles já estava se aproximando da aposentadoria e o primogênito havia deixado de ser a sombra do pai há muitos anos; assim dizia papai. Ele deixou a faculdade como a mente mais provável a fazer cinquenta mil dólares antes dos trinta anos. Hoje, se aproximava dos quarenta anos. Ou ao menos assim parecia, com sua aparência austera e sisuda. Eu nunca o vira sorrir em toda a minha vida e já morava com os Potter desde que meu pai deixara Londres para viver em Nova York; encomendado junto com tantos carros da família. Isso com seis anos. Em todo caso, eu nunca me importei com James. Meus olhos sempre estiveram presos em apenas um membro daquela gigantesca propriedade: Sirius.

Todavia, eu prometi a Alice que não pensaria em Sirius hoje. Pensar nele sempre me deixava num estado pior do que o de Scarlett O’ Hara quando Rhett Butler a deixa sozinha naquelas escadas no final do filme. Porém, como não? Era para a porcaria de um casamento que eu estava indo. “Sempre a dama de honra, nunca a noiva”. Sabe o quanto essa frase me irrita? Quer dizer, cá estou eu, com vinte e cinco anos, sentada na festa de casamento da minha melhor amiga, ao lado da Dorcas falando no celular com a mãe dela – que por alguma razão não conseguiu vir e, por isso, queria todos os detalhes narrados – observando Alice e Frank dançando juntinhos e completamente satisfeitos com o resultado de tanto planejamento e surto.

Não sou expert, mas não importa o quanto você esteja feliz solteira, ao menor sinal de verdadeiro amor ao seu redor, é como se a sua mente entrasse no mundo das ideias perfeitas de Platão e projetasse todo o seu filme. As “Grandes Expectativas” de Charles Dickens, mas sem a macabra figura da senhorita Havisham. Sentada ali naquela cadeira, com um sorriso bobo e uma taça de suco, que eu nem sabia se era minha, poderia ser da Dorcas, já que ela fez um pacto consigo mesma de nunca beber em festas com medo de perder os grandes furos se estivesse bêbada. Enfim, sentada ali, observava-os rodando e sonhando juntos, do fundo do coração desejei o mesmo. Contudo, sabe qual o grande mal de tanto tempo só e amando alguém que em outros tempos fariam as pessoas dizerem que você está tentando alcançar a lua? O hábito. O costume. Aqueles momentos sozinha, nos quais eu me sentia completamente feliz no meu próprio silêncio, fosse lendo algum livro da biblioteca do meu pai – ele escolhera ser chofer para ter mais tempo para suas leituras – ou assistindo algum dos velhos filmes da minha mãe; eles me eram muito caros.

Isso, eu acho, é capaz de deixar alguém assustado. O receio de que, se a pessoa errada entrar, aquela sensação de bem estar consigo mesmo seria quebrada e daria lugar ao desconforto. Então, concluímos, quando você passa tanto tempo só, não é a paixão louca da meia noite, como Dorcas gostava de chamar seus casos, o que vai te satisfazer. Não, você quer Alice e Frank. Infelizmente, você quer que de alguma forma todos aqueles romances da infância e adolescência se tornem realidade. Mesmo a vida jogando na sua cara que isso não é possível, por isso só fazem sucesso em folhas de papel. E então, sentada ali naquela cadeira, só pensava na felicidade que sentia pelo casal e sobre como mesmo desejando o mesmo, sentia-me insegura com a possibilidade de encontrar alguém que realmente fosse capaz de amar a verdadeira Lily Evans. Não somente aquela que tomava suco com a amiga jornalista, ao invés do caro champanhe rosé que a outra metade de convidados engolia como se fosse brigadeiro dentro de uma taça de cristal. Fora assim, até uma das tias avós da minha amiga passar e comentar o velho chavão: “sua vez vai chegar, querida”.

Quem convidou essa mulher e como ela chegou na minha mesa? E porque elas insistem em caçar as madrinhas com o velho sonho americano? Perguntas sem resposta. Perguntas que impreterivelmente faziam com que eu quebrasse minha promessa com Alice, levando-me ao fundinho da minha cabeça, onde Sirius vivia. Sirius e as lembranças da infância. Sirius e eu praticando passos de dança. Sirius e eu andando de patins quando ele os ganhara de aniversário, quando ele se aproximara de mim e me beijara na bochecha. O mesmo Sirius que hoje sequer se lembra de quem eu sou e que já se divorciara na mesma proporção que James enriquecia-se em nome da família. Alice tentava me animar com palavras de incentivo, que eu deveria tentar falar mais ao invés de sair correndo sempre que o via… o que, claro, não ajudaria nem mesmo a Keira Knightley a conseguir alguém. Dorcas, por outro lado, revirava os olhos praticamente toda vez, após três tentativas de ser compreensiva, e me mandava seguir em frente. Ela e meu pai tinham isso em comum.

A vida continua seguindo, não desperdice muito tempo por si só. No entanto, eu era apenas uma garotinha em uma enorme propriedade. A vida e todas as suas possibilidades soavam assustadoras demais, especialmente quando sabia que a única coisa que eu realmente quisera durante toda ela, nunca poderia ter. Seria alcançar a lua. Então… eu deveria permanecer em terra firme e procurar ser mais prática. Isso é notavelmente mais fácil quando se está por sua conta, ou quando se tem duas vozes de consciência chamadas Alice e Dorcas. A primeira, me notou observando a dança dos noivos e acenou. Retribui erguendo minha taça no ar com um aceno de cabeça, em seguida, bebi o último gole do suco. Pelo menos ele continuava doce…

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Gostou? Em breve, ela será postada no Nyah!Fanfiction. Por enquanto, estou decidindo o que exatamente vou buscar do filme, sem ficar uma cópia vívida. Obrigada por descerem até o fim.

xoxo

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