a piece of my mind

Inverno

Com o passar dos anos, a estação fica cada vez mais esparsa. No entanto, a menina poderia dizer que entre todas elas… Ainda que com o renascimento da primavera, o céu azul de verão e o brilho decadente do outono… O inverno era sua estação favorita do ano.

Do lado de fora, o mundo parecia realmente estar morto. Não se vê cor, a não ser aquela que resolvemos criar nós mesmos dentro de camadas e mais camadas de tecido quentinho. Contudo, era exatamente isso o que a fascinava tanto sobre todo aquele branco. O frio lá fora, nos faz buscar calor aqui dentro. Em meio a xícaras de chá ou café, sentados diante de um computador ou com um livro na mão, sempre tentando encontrar alento nas palavras…

Aquele momento em que ou se aprende a amar a própria companhia ou o frio faz morada, sem aviso de que irá embora na próxima Primavera. A menina nunca encontrara adversidade nesse aspecto. A paz e o aconchego do inverno lhe serviam como uma espécie de casulo, e o vento que sopra lá fora contra seu rosto, a impulsionava a continuar caminhando, ao invés de esperar parada em um lugar só.

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Havia calor naquela estação. Talvez muito mais do que em qualquer outra! O inverno clamava pelo toque, pela aproximação, pelo riso contagiante que dissipa com todos os possíveis medos que o frio traz consigo. A cor branca sobre as árvores nunca parecera tão mágica… Magia. Isso. Também havia magia nas cinzas da névoa da manhã. E mistério.

Encantada e, talvez, até um pouco iludida pela infância que nunca a deixara completamente, buscava absorver toda ela. Olhos céticos não seriam capazes de jogar o jogo do contente diante de tamanha obscuridade. Olhos sonhadores, como os da menina, por outro lado, tornavam a neve, as brumas e a falta de cor, um terreno fantástico a ser explorado e reconstruído pelo calor. Pois ela saberia reconhecer aquele fato; o fato de que aquela não era uma pista para corações gelados -os que com toda a certeza não sobrevivem a ele – mas para os sonhadores de coração quente.

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Tudo fazia parte de um quadro que ansiava por ser pintado. E ela o faria enquanto estivesse do lado de dentro. Pintaria de todos os jeitos, com todas as cores, por sobre aquele branco sem fim… No entanto, agora, está esparso. Parece que ele nunca irá voltar e trazer consigo a sensação de completude que se tem quando se senta numa poltrona quentinha… E, se nunca voltasse? Como poderia ela lembrar-se das maravilhas que encontram-se nas pequenas coisas? Paciente, ela esperou. Esperou por todas aquelas sensações que a deixavam bem consigo mesma. Esperou pela melhor estação do ano.

Quando veio, os velhos rituais começaram. Janelas sendo fechadas e pessoas correndo para dentro. A menina abriu a janela e sentiu os flocos se chocando contra seu rosto e a brisa que por um momento congelava sua pele; e sorriu. Dali alguns segundos já estaria com seu par de meias, uma chaleira no fogo e um romance sobre a cadeira. Pronta para aproveitar o que o Inverno possuía de melhor para oferecer: o calor.

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xoxo

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2 comentários em “Inverno

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