As Peças Infernais de Cassandra Clare

Primeiramente, gostaria de ressaltar que este post é um oferecimento da minha amiga escritora/blogueira Carol Santana, conhecida por mim como Padfoot, proprietária do fofo/bem escrito blog Horinhas de Descuido que vocês podem conferir através deste link: Horinhas de Descuido. Não. Nada me está sendo pago para fazer este pequeno Merchandise… se bem que um Ouro Branco viria a calhar neste momento… Enfim! Já há algum tempo, séculos talvez, quem sabe? Eu ouvi a Padfoot elogiar e elogiar uma dona chamada Cassandra Clare. Preferindo manter-me na minha bolha de ignorância (um local muito aconchegante, por sinal, onde ouvimos trilhas sonoras variadas continuamente), apenas ouvi-a falar sobre o assunto…

Até que, nos primeiros meses deste ano controverso (convenhamos, 2016 está sendo um ano controverso), enquanto fazia minha leitura de “Como eu Era Antes de Você” e me apaixonava por Will Traynor, resolvi fazer uma declaração de amor no Twitter. Obrigada Deus, Merlin, Athena por me fazerem recriar minha conta nessa rede social maravilhosa! Em resposta ao meu amor eterno, recebi uma reply da Padfoot:

E, através dessa troca de tweets, eu resolvi me entregar à trilogia “As Peças Infernais” de Cassandra Clare, formada por: Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico e Princesa Mecânica. Sem nenhum preconceito com a autora, mergulhei de cabeça em sua Londres do século XIX e já me senti perfeitamente em casa, visto que: Londres + Século XIX = Amor. Lembro-me de que a minha primeira impressão ao ler o prólogo e logo em seguida o capítulo primeiro foi de puro medo. Talvez, mais até do que quando li alguns contos de terror de Poe, porque com ele eu sei o que esperar; enquanto escritor gótico, o terror psicológico já era algo a que estava acostumada; no entanto, com Cassandra, não tinha a menor ideia do que me aguardava e a atmosfera sombria do começo da narrativa me pegou completamente desprevenida. Resumo: Sra. Dark e Sra. Black entraram na lista de personagens da literatura de quem eu tenho medo. Se eu acordar no meio da noite e criaturas meramente parecidas com elas estiverem ao meu lado, eu morrerei com um ataque de pânico.

Tentarei me conter o máximo possível com possíveis spoilers. Dito isso: Nossa narrativa começa com a apresentação da jovem Tessa Gray, uma jovem cujos pais faleceram há muito e que foi criada por sua tia Harriet junto a seu irmão Nate em Nova York. Certo dia, seu irmão sai em viagem para Londres a fim de alcançar seus objetivos de “dar um futuro mais digno e uma vida mais confortável para a família”. Neste ínterim, Tessa escreve várias cartas ao irmão e continua a viver com tia Harriet, até o fatídico dia de sua morte. Pouco tempo após o ocorrido, ela recebe uma carta de Nate pedindo-a para vir para a Inglaterra. Tessa, sem nada que a segure no local onde está, embarca no navio e deixa sua querida América para trás. Chegando ao porto de Londres, quem a encontra não é seu irmão, mas uma figura assustadora ( AAAAAAH! SENHORA DARK!) que a leva até uma construção: A Casa das Irmãs Sombrias.

Lá, Tessa descobre que seu irmão foi abduzido por essas duas criaturas horrendas, as Irmãs Sombrias, e que nada de mal acontecerá a ele enquanto ela concordar em obedecê-las, permanecer na casa e treinar suas habilidades. Habilidades estas que a garota não sabia que possuía e sobre as quais suas tutoras não se designam a explicar a origem. Simplesmente a torturam incessantemente para que atinja a perfeição. Aparentemente, Tessa consegue realizar uma proeza nunca antes vista e certamente não da maneira que faz: através do contato com o objeto de um indivíduo, tanto vivo quanto morto, ela consegue assumir sua forma com todas as suas características, inclusive com acesso a alguns de seus pensamentos e memórias. Uma parte do enigma começa a ser desvendado por Tessa quando, depois de finalmente atingir um resultado considerado aceitável pelas Irmãs Sombrias, descobre que está sendo treinada para servir a um tal Magistrado. Este, que deveria se tornar seu marido.

Tomando conhecimento disso, nossa heroína de saias começa a tomar providências para uma fuga. Um cálculo de possibilidades. Como que enviado pela providência divina, nos surge Will Herondale. Rapaz de beleza estonteante, grande habilidade para decorar poesias e trechos de livros, fazer comentários hilários e lutar como um furacão. Mistura perigosa, hein ladies? Will aparenta estar bêbado, apesar de Tessa pontuar que ele não cheirava a bebida, em todo caso, ao vê-la ali, começa a lhe fazer perguntas. O resultado é uma fuga conjunta, bem como a descoberta de que A Casa das Irmãs Sombrias era um bordel. Fugindo, o senhor Herondale leva sua companheira até o Instituto, onde conhecemos o melhor ser humano do mundo: Charlotte Branwell. Tessa, então, vê-se envolvida por uma trama que, até ali, só considerara ser possível nos vários livros que lera ao longo da vida (sim, nossa protagonista é uma leitora voraz). No Instituto vivem os Caçadores de Sombras, Nephilims, de Londres, liderados pela incrivelmente pequena e aparentemente jovem Charlotte e seu marido sem um pingo de autoridade mas igualmente INCRÍVEL/ADORÁVEL, o inventor visionário, Henry Branwell. Acho que já deixei claro quem são meus personagens favoritos, né?

Os Caçadores de Sombras são pessoas marcadas com o sangue do Anjo Raziel e que dedicam suas vidas à captura e extermínio de Demônios a fim de proteger os mortais (NÓS!). Ao mesmo tempo, existem uma série de Acordos e Leis que regem as relações entre Nephilims, Feiticeiros, Vampiros, Lobisomens, Fadas e Demônios. Quero dizer que, apesar da minha explicação soar vaga e muito whatever, na verdade, há, de fato, uma enorme lógica no mundo de Clare e nas relações entre essas variadas raças. Leis muito rígidas e que acarretam consequências absurdamente terríveis quando quebradas… não vou dar spoiler, mas; segundo livro, uma personagem faz uma cagada e é punida… ser humaninhos… foi nível Umbrigde, para dizer o mínimo! Os três livros são igualmente bons, mas, o primeiro foi o meu favorito, pois acredito que teve a dose certa de tudo, mas, para explicar esse ponto, vamos continuar.

Além dos Branwell, Tessa e Will, temos também James Carstairs ou simplesmente Jem. Rapaz de compleição quase angelical, de cabelos prateados e olhos igualmente brilhantes; apaixonado por música, especialmente seu violino, e melhor amigo de Will. Para compor a última personalidade que se encontra no Instituto ainda como aprendiz de caçador, temos Jessamine Lovelace. Resumindo: um projeto de Regina George, mas com seus momentos , nos quais realmente somos capazes de sentir empatia por ela… raros momentos. Já disse que esse ser humano me rendeu sentimentos contraditórios? Em todo caso, em se tratando do primeiro livro, eu ODIAVA a Jessie. Ainda não a amo totalmente, mas… OPA! SPOILER! Deixa quieto. Leia os livros e venha conversar comigo depois. Em todo caso, o que me chamou atenção foi que todos esses três aprendizes, Will, Jem e Jessie, muito diferentes entre si, tiveram uma jornada muito tortuosa para chegar até ali, se compararmos com a de Charlotte, por exemplo. Ela herdou a liderança do pai dela… não fugiu de casa, seus pais não morreram forçando-a a ficar ali e ela certamente não estava sendo caçada por um demônio e precisava de uma droga oriental para sobreviver!

Algo que com certeza valorizei na escrita de Cassandra e que me faz relevar uma crítica pessoal que farei a respeito dessa trilogia, aos olhos de tantos, perfeita: o quanto seus personagens, sem exceção, foram cativantes. Dos vilões até a criada de cozinha. Eu me deixei ser envolvida por cada um deles e suas personalidades. E até alguns que julguei serem incapazes de serem desenvolvidos para além de sua aparente função na trama, me surpreenderam no fim! De fato, esse talento tão visível que ela tem de criar personagens críveis e amáveis me leva a querer buscar novas obras de sua autoria, quando acreditei que só leria esta trilogia e pronto. Meu relacionamento com Clare já estaria completo, posso morrer feliz. Não. Estou curiosa! Quero ver mais! Deixei-me ser levada pelas mesmas opiniões dos protagonistas, no primeiro livro, durante a resolução de um “mistério” envolvendo Tessa e quando a verdade chegou, eu realmente não a vi vindo! Não foi como “O Chamado do Cuco” em que, sem nenhuma arrogância, desvendei a identidade do assassino já nos primeiros capítulos. Não! Aqui, a autora me fez experimentar a mesma reação que os seus personagens! E foi ótimo! Pela primeira vez na vida, fiquei contente em ser enganada! Ok… acho que isso foi um possível spoiler… perdão…

Bem, a minha crítica. É óbvio que eu adoro um bom romance; uma bem contada história de amor. As Peças Infernais não falha nisso. Contudo, assume um risco muito alto. Pessoalmente, nunca fui muito fã de triângulos amorosos, o que temos com Will, Jem e Tessa, a partir do segundo livro. Apesar de ter sido bem escrito e bem trabalhado, senti que tomou uma grande parte do que eu gostaria de ter visto sendo usada para desvendar o passado de Tessa e em planos para destruir o Magistrado. No primeiro livro, como disse, a dosagem foi perfeita. Ainda não tínhamos um triângulo amoroso, mas, tivemos o começo do enlace entre a nossa protagonista e seu sir Galahad (como Will se autoproclama ao resgatá-la da casa das Irmãs Sombrias); este romance ficou perfeitamente justaposto com o desenvolver do mistério e de ações para resolvê-lo. No segundo livro, talvez não necessariamente no terceiro, tivemos, sim, excelentes diálogos energizantes em que a história andou e se desenvolveu, mas apenas um grande clímax ou uma grande batalha épica ou momento em que a atenção de Tessa não estivesse voltada para seus sentimentos. Posso estar sendo muito “mala” ao falar assim. Outros que leram e adoraram podem discordar, defender que o ritmo escolhido por Cassandra foi o melhor para o andar de sua obra, e por mais que no fim tenha funcionado, acredito que ela sabia que funcionaria não pelo ritmo em si, mas pelo carinho dedicado aos personagens. Cada um deles teve tempo para resolver suas pendências de forma que, ao final, tudo fez sentido. Cada escolha, a personalidade com que chegaram até ali, tudo se encaixou perfeitamente.

Tão perfeitamente que, o fato de ter se focado num triângulo amoroso ou não, pouco importa. Ficamos até o fim porque queremos saber tudo o que pudermos sobre essa família, pois é isso o que os Caçadores do Instituto de Londres se tornaram ao final, uma grande família; tendo eles parentes vivos ou não do lado de fora do Instituto. Para sempre eu me lembrarei de Tessa, Will e Jem; Henry e Charlotte,  de Sophie, Thomas, Bridget, Cyril, Gabriel, Gideon, Sra Black e Sra Dark, Magnus, Camille e até mesmo de Jessamine Lovelace. Durante o epílogo, porque esta é uma trilogia que antecede a Cidade dos Ossos, fiquei imaginando se, neste outra, haveria menções dos protagonistas destas obras. Juro que se houver, lerei-as com prazer. Provavelmente até mesmo para ter novos personagens por quem me apaixonar, por quem torcer e por quem chorar… e acreditem, durante o último livro as lágrimas não foram poucas. Concluí essa saga com um enorme aperto e certamente meu luto literário vai durar por vários dias; o que é chato porque eu tinha uma programação de quantos livros ler nas férias, mas, é inevitável, acredito, um pouco do vazio que nós leitores sentimentos ao ver-mo-nos forçados a deixar um universo e seguir em frente…

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Afinal, fazia muito tempo desde que me permitia ficar até às 3:00 da manhã virando páginas e páginas… por sorte li-os no leitor digital ou meu pobre braço teria apodrecido ao segurar uma lanterna por tanto tempo. Em todo caso, Obrigada, Padfoot, por mais uma vez agir em meu benefício e me mostrar os caminhos da luz! Você é sempre boa com a sua Moony! Àqueles que leram e assim como eu, apesar das aparentes ressalvas, amaram, que lindo! Vamos discutir nos comentários! Para aqueles que também nunca haviam ouvido falar ou ouviram e não deram uma chance, eis a sua hora de tentar, não acha? Pelo Anjo, vocês não se arrependerão!

xoxo

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2 comentários sobre “As Peças Infernais de Cassandra Clare

  1. Entro aqui no blog, feliz e saltitante… E ME APARECE UM POST DAS PEÇAS INFERNAIS?! É ISSO MESMO, BRASIL?!
    Olha, eu amei tanto esse livro que fiquei 3 dias chorando quando acabou. Sério. Faz quase 3 anos que li e ainda choro quando lembro de algumas partes, para ter ideia do quanto me marcou. Não achei “Instrumentos Mortais” tão bom apesar de, nessa série, aparecer uns trechinhos dos nossos queridos personagens! ❤
    Eu poderia escrever infinitas coisas sobre essa série… O quanto eu me identifiquei com Tessa e como eu sentia tudo o que ela sentia. O quanto eu odiei o Will profundamente e, depois, o amei profundamente. O quanto, toda a vez que o Jem tocava o violino, eu me sentia especial e amada. O quanto as personagens secundárias, como você bem citou, são incrivelmente maravilhosas e bem trabalhadas. (CHARLOTTE DIVA!)
    Não sei se sabe, mas a Cassandra está *CAHAM ENROLANDO CAHAM* escrevendo uma série chamada "As Últimas Horas", sobre os filhos deles. ISSO MESMO QUE VOCÊ LEU, QUERIDA AMIGA, MAIS WILL E TESSA E JEM! AAAAAAAAAH!
    Tenho algumas one-shots deles no Nyah, se lhe interessar! HIHIHIHIHI
    Amei sua escrita e fico absolutamente feliz que amamos cantar, amamos Disney, amamos ler, amamos escrever, amamos romances de época e amamos Peças Infernais. ❤ ❤ ❤
    Vou usar seu blog para futuras recomendações e resenhas! Adoreeeeei! ❤

    Curtido por 1 pessoa

    • Gente! Olha só quem está entre nós, a Rainha Tami!! Que honra!!! E calma… não só temos excelente gosto musical, como também temos excelente gosto literário?? Cadê você aqui na minha cidade para nos amarmos? Oh, Deus! kkkkkk CHARLOTTE DIVA!!! E COMO ASSIM ELA OUSA ENROLAR SOBRE UMA OBRA DESSAS?? TÁ PEDINDO POR UMA CARTA BEM MALCRIADA!!! Fico feliz que tenha gostado do blog e da minha resenha – nada imparcial kkkk – Obrigada pelo comentário!! Vamos ali xingar Cassandra pela demora no whats… kkkkkk Bjos!

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