a piece of my mind

Chanel Nº5

Eu não sou puta.

Eu sou o que você quiser que eu seja. E por estar tão presa às possibilidades, não sou mais eu. Sou ela.

Eu não sou puta.

Eu sou a menina sobre cujo corpo inocente, suas mãos impuras você lançou. E que por estar tão sozinha, não encontrou ninguém que a escutasse… e ficou gaga; eternamente engasgada na verdade não proferida.

Eu não sou puta.

Eu sou a garota de mães trocadas… “Eu não sou a sua mãe. Sua mãe é aquela ali.” E que por estar sujeita às falácias do destino, nunca teria um pai.

Eu não sou puta.

Eu sou a mulher que foi jogada de casa em casa, perdida de irmão a irmã. E que por já estar perdida, só desejava me perder dentro de um lar que pudesse chamar de meu.

Eu não sou puta.

Eu sou ela. Aquela que o mundo transformou, por achar que assim seria melhor. E que por estar atada a tal imagem e ao que faziam dela, nunca foi levada à sério.

Eu não sou puta.

Eu sou uma atriz. E por me deixar levar ou por me deixar corromper… me reduzi a uma boca de batom vermelho.

Eu não sou puta.

Eu sou uma mulher incompleta. Que viveu a vida que toda provinciana gostaria de ter, mas que gostaria de viver a vida que toda provinciana tem. Que queria ser mãe, antes de atriz. Mas que nunca conseguiu.

Eu não sou puta.

Eu sou ela que canta e dança e se faz de boba para que você se sinta no privilégio de conquistá-la. E que por desejar tanto pertencer a alguém, jamais pertenceu a si mesma.

Eu não sou puta.

Eu sou aquela sobre quem todos acham que sabem alguma coisa. E que por isso acabou se tornando uma história mal contada.

Eu não sou puta.

Eu sou uma mulher que ao finalmente tentar me pertencer, outros chamaram de puta. E que por estar cansada de ser distorcida, não desmentiria.

Eu não sou puta.

Eu sou fruto da doença confundida com capricho. Da insegurança confundida com a vaidade. E que por ser humana, deixaria-os pensarem o que quiserem sem que lucrassem com um pedido de socorro.

Eu não sou puta.

Eu sou aquela que morreria sozinha. E que por isso permaneceria um mistério, independente do quão mais fácil é simplificar uma pessoa a uma palavra: puta.

Eu não sou puta.

Eu sou uma mulher que falhou de muitas formas. E que por ter sido engolida e amada, nunca conseguiu terminar um dia sendo eu, apenas ela.

Eu não sou Marilyn.

Eu sou Norma.

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E então ela se foi… Marilyn ou Norma, ela se foi… mas o mito do Chanel Nº5 e a risada alegre de menina permanecem gravados em filtros de preto e branco…

xoxo

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