Essential Book: A Essência do Livro de Fantasia Favorito

Outubro sempre foi um mês extremamente adorado por mim. E sim, pela simbologia cultivada na cultura estrangeira acerca do misticismo rodeando a terra, em outras palavras: O Dia de Todos os Santos. Desde pequena, me senti compelida a acreditar que existe um pouco de magia no mundo e que, se estivéssemos na Idade Média, eu seria queimada por Bruxaria *risos*. Sendo assim, fiquei mais do que feliz com a escolha do tema do Essential Book deste mês fabuloso que é Outubro e, apesar de Harry Potter ser grande parte da minha vida no universo da fantasia, incrivelmente ou não, não foi o título que me veio à mente ao escolher a obra a ser homenageada por aqui.

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Pode-se dizer, no entanto, que foi mais um nome: Juliet Marillier. Autora da Nova Zelândia e que, ao menos nas suas obras as quais tive acesso primeiramente, gostava de se utilizar de contos de fada famosos, mas transformando-os em algo inteiramente novo e seu. De fato, era sobre o primeiro livro que li da autora a que faria menção… porém, algo falou mais alto. A Dança da Floresta (o primeiro que li) marcou muito a minha pré-adolescência e me permitiu conhecer essa pessoa maravilhosa que é Juliet. Ela escreve em primeira pessoa e, não obstante minhas reservas com essa voz, em seus livros esse é um traço muito importante e que torna suas histórias tão envolventes. No entanto, a obra escolhida foi: A Filha da Floresta. Reli-o em uma semana – graças à Deus pelo fim das provas – a fim de escolher as melhores passagens e experienciar novamente todas as sensações que o tornaram tão marcante na minha vida e, claro, para tornar essa homenagem a mais “de coração” possível.

Este livro, baseado no conto “Os Cisnes Selvagens” dos Irmãos Grimm, conta a história de Sorcha, a sétima filha de seis irmãos, Liam, Diarmid, Cormack, Conor, Padriac e Finbar. Li duas postagens de outras participantes do projeto, Marcia e Nina – os links para tais estarão dispostos ao final desta explanação, obrigada – e assim… acho que vou estar me repetindo, mas, que culpa tenho eu se somos tão lindinhas a ponto de nos sentirmos atraídas para certos aspectos da fantasia? Pois sim, este livro também está carregado de menções ao celticismo e ao druidismo, uma vez que Conor dá sinais de que virá a ser o druida da família; bem como a importância que tais tradições possuem frente à criação destas crianças e a maneira com a qual enxergam o mundo. Eles vivem em Sevenwaters, uma fortaleza bem protegida na Irlanda do Norte, notadamente pelo fato de estar envolvida por uma floresta completamente mística e que age em prol desta família, vez que eles respeitam os rituais e seres daquele, na obra chamado, povo do Outro Mundo.

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O enredo em si é bastante simples. A chegada de uma madrasta malvada, vide feiticeira, começa a trazer empecilhos para os irmãos, até o derradeiro momento em que, tentando buscar ajuda dos seres da floresta, eles se veem emboscados por ela, Lady Oonagh, que para seus fins ardis, os transforma em cisnes. Todos, à exceção de Sorcha, que terá a derradeira tarefa de trazer seus irmãos de volta ao normal. Para tanto, ela deverá costurar seis camisas a partir das fibras de uma planta espinhosa que irá destruir suas mãos, antes delicadas mãos de curandeira, chamada “estrela d’água”… enquanto o faz, não deverá proferir nenhum som. Muda. O que torna a primeira pessoa utilizada por Juliet tão essencial para o livro, pois é a única forma de sabermos como nossa protagonista enfrenta seus demônios e medos em meio à empreitada. Sorcha é uma protagonista maravilhosa e memorável, mais até do que as dos próximos livros. Sim, este é o primeiro de uma trilogia que agora se abrirá para mais livros, porém, para mim, o primeiro traz consigo muito mais força e caráter ao estilo adotado por Marillier.

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São cisnes. *São patos, diz a consciência*. São C-I-S-N-E-S. Foto by: Maysa Battistam que gentilmente me emprestou. Thanks Maysa!

 Se passarão anos durante o trâmite desta história, o que torna o sacrifício de Sorcha pelos irmãos muito mais doloroso para mim. Contudo, a essência de A Filha da Floresta, ao menos para mim, foram as reflexões que Juliet nos leva a fazer ao longo da leitura. Como disse, desde criança me senti fascinada pelos contos de fadas e pela magia que poderia haver no mundo; tanto a negra quanto a branca. Sabe a velha dicotomia? Pois bem, o que noto em todos os livros de Juliet é que nem sempre, na verdade quase nunca, os seres do Outro Mundo – aqueles que representam a fantasia, a magia daquele universo – estão ali unicamente para facilitar as vidas das pessoas ou para atuarem como bons samaritanos. O “mundo mágico” de Marillier é sombrio. Não é como Hogwarts que você se sente compelido a querer participar de pronto. Não. Ele é cheio de regras, ardis, recompensas à preços que machucam e deixam cicatrizes eternas nestes personagens.

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Os elementos do druidismo, que ganham até maior destaque a partir do segundo quando Conor já retorna como druida, nos remetem a momentos de uma luz intensa e maravilhosa. Porém, a partir do momento em que os seres do Outro Mundo começam a insurgir-se nas vidas do povo de Sevenwaters, até mesmo os momentos de ajuda passam a ser vistos de maneira duvidosa por nós leitores. Isso torna, a meu ver, a escrita e o mundo celta de Juliet tão maravilhoso e interessante! Neste primeiro livro, Sorcha, como visto na foto anterior, é abusada sexualmente e estas são cicatrizes que nunca se curam realmente. A Dama da Floresta, rainha do Outro Mundo, aparece para Sorcha logo após este abuso e suas palavras, embora pragmáticas, são deveras secas e duras para a menina que ainda se sente morta e suja por dentro.

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Também, uma vez tendo resolvido a maldição de seus irmãos e retornado para casa, nós esperaríamos um final feliz e que tudo voltaria a ser como era antes. Mas não. Os irmãos cresceram sempre admitindo uns aos outros que eram partes de algo único, portanto, fortalecendo a ideia da união familiar. Todavia, se veem totalmente divididos ao final, cada qual seguindo seu caminho; numa apologia a vida como ela é, de fato. A verdade nas histórias de Juliet, como até mesmo aquele mundo que, em nossas mentes maravilhadas infantis acreditavam, deveria estar ali para nos envolver em algo brilhante e mágico/magnífico, na verdade, contém grande parcela de trevas e a inconstância do tempo, tudo isso trabalhado em uma primeira pessoa cheia de vida, tornam estes livros os meus favoritos em matéria de fantasia. 

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Outro ponto de encontro entre suas protagonistas se encontra em sua autoconfiança. Todas – as que li – as meninas de Juliet não se acham bonitas ou detêm aquela noção de que ficarão solteiras para sempre porque tudo bem, não me importo e porque acreditam que jamais irão encontrar uma pessoa que as olhem como tal pessoa olha para tal pessoa, sempre há um paradigma para a comparação. No caso de Sorcha, como seu irmão Liam olhava para sua noiva Eillis. Para, então, envolvê-las com alguém que virá a ser seu interesse amoroso, embora elas nunca percebam que eles estão apaixonadas por elas, por esses mesmos motivos, e daí vir um ser do outro mundo e reafirmar as outras qualidades que elas possuem, acompanhadas de, sim, beleza física. É um traço recorrente e que por alguma razão eu acho tão bacana, porque, querendo ou não, estes livros são destinados a um público pré-adolescente e, pelas mudanças da idade, cheios de inseguranças. Ter em mãos mensagens tão positivas, de amor próprio e autoconfiança significa muito!

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E por fim, porque todo livro tem aquele momento que o torna especial ou que aumenta o tom de especialidade a seu respeito… Sorcha havia sido encontrada e levada para Harrowfield, na Bretanha, por Lord Hugh – Red – o senhor de tais terras. Ele havia sido escolhido para ser seu protetor e, ainda que católico, enquanto a levava para fora da Irlanda, teve breve contato com os seres da floresta. Bem, durante seu período em Harrowfield, apesar das palavras censurantes de todos os moradores avisando-a para que parasse com aquele trabalho que obviamente a fazia sofrer, Sorcha não fez outra coisa senão tecer… Red observava a tudo com peso no coração. Até que um dia, resolve levá-la para tirar um dia de folga. Ela nunca havia visto o mar…

Meu coração batia com a emoção da liberdade. Continuei a correr sobre as pequenas ondas, a barra do vestido azul ficando molhada e cheia de areia. Corri pela praia toda, com as gaivotas voando e gritando acima de mim. Corri até ficar tonta e sem ar, até chegar ao fim da praia, onde o muro de rocha se erguia na areia branca. Encostei nele e fiquei ouvindo meu coração bater e respirando o ar marinho. Não sabia; não tinha percebido o peso que havia sido colocado sobre minhas costas até aquele momento, até aquele instante de liberdade por um dia.

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Sorcha tem o cabelo preto e cacheado… óbvio que isso ajudou na catarse…

Espero que tenham gostado. Este post faz parte do projeto:

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Não deixem de conferir os posts lindos das minhas amiguinhas:

Larissa Escuer | Estefânia | Karla | Sâmella | Carol | Vanessa | Nívine | Mayara | Nina | | Cecília | Marcia |

O post do mês de Setembro você encontra aqui: Essential Book: A Essência do Casal Preferido

xoxo

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4 comentários sobre “Essential Book: A Essência do Livro de Fantasia Favorito

  1. Eu já tive vontade de ler esse livro, mas sabe aquela coisa de ir deixando, deixando, deixando, até que a vontade passa? Gostei do fato de ter druidas, eu simplesmente tô encantada com esse mundo e gosto demais da era medieval justamente por causa desses misticismos e culturas “subversivas”. Gostei dessa protagonista, ela parece forte, mas humana ao mesmo tempo. Eu sou apaixonada por fotos de livros com frozinhas <333 Mas a última tá um arraso. Seu cabelo é sensacional! Queria que meus cachos fossem mais formados, mas acho que tenho cabelo misto, ele é ondulado e cacheado (?) (juro que existe!). Ameeei, claro! <333 Tô muito feliz por todas vocês estarem nesse projeto lindíssimo comigo! :)))

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá!! Seja bem vindo!!! Juliet Marillier realmente não possui a melhor divulgação aqui no Brasil, porém, é extremamente conceituada lá fora, vale muito a pena conferir suas obras e, se começar pela trilogia Sevenwaters, não vai se arrepender de jeito nenhum!! Beijoos!!

      Curtido por 1 pessoa

  2. O plano inicial era tirar fotos dentro do bosque de um clube onde sou sócia, mas não foi dessa vez que a vida deixou… então, foram as frozinhas mesmo! Hahahahhaha Eu entendo cem por cento esse sentimento de ir deixando, porém, nesse caso, vou fazer igual fiz com uma amiga minha e outro livro: pegar no pé até me chamar no whatssap para trocarmos figurinhas! Sim, sou dessas!! Kkkkkkkkk Realmente, a literatura desses períodos nos abre um leque enorme de possibilidades para a cultura abordada. Tenho certeza de que irá amar Sevenwaters. Já amou a Sorcha. Isso que importa! Eu que to feliz de ter entrado nesse projeto lindo!! Beijooos!!

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