Pena & Tinta

Como Fred e Ginger

Eu achava que sabia o que queria.

Ledo engano. No entanto, um engano, imagino, que muitos cometem. Então, tudo bem estar errada, certo? Tudo bem errar, se você não é a única que já pisou na bola? Ok. Espero que sim. Me peguei andando em círculos pelo quarto… é claro que ninguém sabe o que quer. Pelo menos, não de cara. Especialmente quando se é alguém incapaz de se contentar até mesmo com o plano de fundo da “lockscreen” do celular. Enfim, eu acreditava que queria você… que tudo bem ser, numa metáfora bem tosca, doce, porque seu lado salgado me completaria.

Acreditava nos debates, entende? Na “provocação saudável” que tanto me deslumbrava nos meus casais favoritos de contos infantis e nos romances de Shakespeare. Juro juradinho que cria com todas as minhas forças no amor de Catarina e Petruchio e que não era capaz de enxergar a exaltação ao machismo em detrimento do feminisno naquela relação. Enquanto Beatrice e Benedito se bicavam e discordavam de tudo… sabe? Os amantes que em nada se acertam, além do amor que sentem um pelo outro. Eu achava que queria isso. Numa espécie de busca enfadonha por emoção e por uma chama incessante… eu busquei o meu Benedito e o meu Petruchio…

Estou olhando para aquelas fotos que tiramos na formatura da Luiza. Estamos tão obviamente embriagados… por Deus, você estava usando um poá cor de rosa chiclete! Jesus como deixei alguém colocar um chapéu verde limão na minha cabeça, em contraparte ao meu vestido azul, quase uma ode à bandeira brasileira?! Estou rindo sozinha. Mas, assim, se qualquer pessoa entrasse aqui e visse essa imagem, entenderia. Nos divertimos, não? Nem parece que entre esse casal sempre existiu uma espécie de abismo preenchido com todas as questões as quais nunca conseguiram chegar a um ponto em comum.

E não. Nem envolvia política. Nós dois reconhecemos que as questões estavam atreladas aos assuntos mais banais… porém, não se pode duvidar que essa banalidade é deveras importante. Eu acho. Porque ainda estou sentindo o que a falta dela traz. Aquele vazio que, se a gente ignorar, nem parece que incomoda tanto, mas que deixa margem para tanta irritabilidade… Por que você não entendia ou, sequer tentou entender, a razão do meu fascínio por… sei lá… Percy Jackson? Literatura medíocre?! E daí?! Eu também leio Dostoievski… e eu tentei dar outra chance para Dom Quixote por você; por que cargas d’água não conseguia simplesmente defender um pouquinho do meu amor pelo cabeça de alga? Isso para citar um dos exemplos mais bestas de todos!

Era legal discutir e debater nossas ideias, num eterno episódio de Law&Order… e, pensando bem, pensando sensatamente, amarmos as mesmas coisas não deveria fazer com que eu te amasse menos ou mais. A ideia de que os opostos se atraem é tão bonita em mente, mas, para mim, não dá mais para acreditar que seja prática em prática… por que não sou forte ou madura o bastante? Talvez porque, no momento, estou cansada de dar explicações dignas de uma coluna editorial? Vai saber!

Eu ainda não sei o que quero.

Mas não acho que estará tão embuído de ceticismo. Provavelmente, o que se deseja nem seja o positivo e o negativo… eu poderia citar exemplos, mas, ninguém entenderia referências da década de 50. Contudo, acho que podemos resumir nisso: tudo bem você não surtar por filmes em preto e branco, desde que tente entender meu fascínio por eles. Tudo bem não amarmos os mesmos livros, porque nós amamos livros e, sem nos darmos conta, estaremos tentando ler as recomendações um do outro. Tudo bem você ser da Sonserina e eu da Corvinal. Tudo bem que eu não seja uma garota esportiva, porque isso sempre me deixará do seu lado num churrasco de família. Tudo bem porque… você me olha como Fred olha para Ginger enquanto eles estão dançando. Tudo bem porque, nesse tempo todo, você se deu ao trabalho de aprender o que isso significa.

 


Esse texto faz parte do Pena & Tinta, um projeto de escrita criativa que tem como objetivo a criação de textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc…) em cima de temas predeterminados mensalmente. Neste mês, não consegui me decidir, então, vamos começar com o tema OPOSTOS.

Tem um blog e quer participar das próximas edições do Pena & Tinta? A gente está te esperando aqui: bit.ly/2dEXQEF 

xoxo

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7 comentários em “Como Fred e Ginger

  1. Oi, Ana!

    Para sempre lembrarei de Slytherin e Ravenclaw a partir desse seu texto, me desculpe. É a única coisa que me fez surtar HAHAHA.

    Mas em relação ao tema, eu achei que escrever sobre ele seria muito difícil (especialmente sem cair no clichê), mas eu gostei de escrever o que escrevi (e que vou publicar quando der). Você, com certeza, fez um ótimo trabalho ❤ Seu texto ficou muito, muito, muito melhor e mais profundo do que o meu e a d o r e i as referências! Não sei se é totalmente ficcional, mas acho que te vi nas entrelinhas (posso estar errada, pois é).

    Eu tô é muito apaixonada por esse projeto, porque ele me fez recarregar a criatividade, sabe? ❤ Sentia falta disso no meu processo de escrita.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ninaaa!! Eu acabei de ler seu texto; já, já vou largar meu comentário lá!! Eu também achei que seria complicado escrever a respeito desse tema, mas, quando a epifania caiu, tudo aconteceu muito rápido e estou contente com o resultado. Também estou extremamente animada com esse projeto, porque fazia tempo que eu não escrevia sobre temas diversos, mas somente aquilo que eu queria, de forma que meu senso de criatividade ficava debilitado. Sinto que vou crescer muito dentro dele!! Vamos juntas! kkk O texto é ficcional, sim. Mas aquele pedaço de Ginger e Fred Astaire são meus, sim! kkkkk Um beijoo!

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    1. Fico muito feliz que minhas bobagens tenham te inspirado a criar algo!! kkkk deixa o link lá no grupo que eu quero ler, okey?? Obrigada a você! Gratidão à você que em poucas linhas colocou um sorrisão no meu rosto, sua linda!! Beijooos!

      Curtido por 1 pessoa

    1. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA Ai, senhora. A senhora é muito divertida kkkkkkkk… Não. Não é pessoal. Mas, para não te deixar totalmente triste, a referência ali no final a Ginger Rogers e Fred Astaire foi pessoal, sim!! O Pena & Tinta está sendo uma experiência maravilhosa e, quando minhas provas acabarem, vai jorrar texto para todos os lados!! Um beijooo!! Obrigada pelo carinho!!

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