Até logo, Baker Street.

Este não vai ser um post curto e muito menos direto. Embora eu tenha esperado vários dias após o ocorrido que me trás a ele para compô-lo, ainda não acredito que meu raciocínio esteja totalmente descontaminado da forte emoção, ou seja, muito provavelmente eu não consiga ser imparcial e acabe dando um tiro no meu pé. Contudo, este é um texto – textão – que por diversos motivos precisa ser escrito. Ficar protelando não irá clarear minha mente e trazer o esclarecimento de que tanto preciso, me conheço muito bem para saber. Sendo assim, vamos, ao som de Postmodernjukebox, falar sobre a quarta temporada de Sherlock. Mais especificamente, o seu season finale.

Até o momento, já existem várias críticas, comentários de fãs, muito mais versados nas artes do que eu e muito mais capazes de clareza. Vamos tentar entender isso aqui como um desabafo que, quem sabe, eu também consiga passar alguma coisa, qualquer coisa a vocês que leem este blog. Gostaria de começar dizendo: Sherlock Holmes significa o mundo para mim. Foi a razão primordial para que um dia eu desejasse conhecer Londres, é o meu grande amor no mundo da literatura – mesmo com toda a polêmica circundando sua sexualidade – o propulsor da minha “carreira” como escritora amadora/autora de fanfics. O carro chefe na minha estante de romances policiais, um dos personagens mais interessantes já escritos, enfim, William Sherlock Scott Holmes penetrou tanto a minha existência que agora é parte da minha alma. E, citando Emily Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes: “Não posso viver sem a minha vida, não posso viver sem a minha alma!”

Não há quaisquer dúvidas de que esta tenha sido a última temporada e que foi a última vez que assistimos à novas nuances na atuação de Bennedict Cumberbatch, à novas tramas na vida de Holmes e Watson. Logo, a primeira dor que tive que enfrentar e ainda estou tentando superar, enquanto a trilha sonora crescia e os créditos subiam, foi o fato de que estava dizendo “adeus” para uma das melhores adaptações feitas acerca destes personagens seculares. Não a minha favorita, mérito este que sempre pertencerá a série da rede Granada de televisão de 1984, com Jeremy Brett no papel principal. As tantas adaptações existentes, assisti-as todas e a recente feita pela BBC, finalizada agora, realmente ousou em muitos aspectos, pecou em outros e trouxe várias referências que a tornaram uma das melhores séries da era. Abençoado seja Bennedict que homenageou em vários momentos o finado senhor Brett durante sua performance e ganhou seu lugar nos corações dos amantes do cânone, trazendo mais novos sherlockians para Baker Street.

Os casos sempre foram muito bem adaptados para o nosso presente a fim de criar-se algo inédito. A trilha sonora… a música de um filme, uma série, minissérie, é aquilo que irá ajudar a criar o tom do que estamos vendo; se existe algo sem o qual um ser humano como eu não consegue viver é a música, portanto, a meu ver, trata-se da primeira coisa a ser pensada a fim de enlaçar o imaginário e a empatia do telespectador. Não houve pecado nisso em Sherlock. Foi brando quando precisou ser, intenso e grandioso da mesma forma. O elenco escolhido a dedo também nunca decepcionou. O fato de que alguns fãs questionarem a “existência” desse ou daquele personagem não diminui o empenho que foi colocado em cada fala, em cada cena do seriado. Na verdade, me deixa imensamente abismada como o ódio ou o descaso que alguns fãs possuem sobre este ou outro membro do universo sherlockiano, muitas vezes os fazem rechaçar aqueles que deram vida a eles e que simplesmente seguiam um roteiro. Cada mínimo detalhe premeditado, uma equipe de produção ferrenha, paletas de cores que se alternavam a cada temporada… e, se vocês notaram, esta última foi extremamente corroída, o que ajudou a dar o tom de que tudo estava se fechando sobre nossos garotos e garotas, sim garotas… a senhora Hudson é a rainha dessa série, ai de quem falar o contrário!

Antes de passar para o próximo passo, só gostaria de dizer: BENNEDICT SEU ATORZÃO DA PORRA! Acho que isso resume muito do que poderia ser falado a respeito de sua atuação, mas, vamos tentar aqui… Jeremy Brett. O ator que todos os amantes de Sherlock Holmes afirmam: foi Sherlock Holmes. Não um performista. Não um ator. Ele era o Sherlock Holmes. E, tal qual Benne, nos trouxe várias faces da personalidade do detetive na era vitoriana; o que já demonstra grande marco, visto o que se poderia esperar de alguém interpretando a própria definição de gentleman para a Inglaterra Vitoriana. Contudo, Brett nos ofereceu um Holmes imponente, mas ao mesmo tempo brincalhão, elétrico e taciturno, frio e caloroso. Humano. Uma montanha russa. Do começo até o mais próximo do fim que conseguiu… para aqueles que não sabem, Jeremy sofria de distúrbio bipolar e, após a morte de sua esposa, seu quadro piorou muito… os últimos episódios da série são dolorosos de se assistir a qualquer um… a tradução mais dura possível de O show deve continuar. Acabou falecendo de uma falha no coração antes de concluir a gravação de todo o cânone, como esperava fazer a TV Granada. Bem, toda essa montanha russa que Brett nos ilustrou, como disse, Benne trouxe de volta e eu imagino como uma homenagem. Ao mesmo tempo, criou seu próprio estilo… os sorrisos, os pulinhos de excitação, o sarcasmo mais negro, ir só de lençol para o palácio de Buckingham…

E aqui passamos para o próximo passo. Antes de mais nada: eu sou uma pessoa que shippa. Eu shippei dentro do universo de Sherlock. Eu shippo dentro do próprio cânone. Eu criei uma personagem original para este mesmo fim, como demonstrado em outro post neste blog. Todavia, mesmo eu uma pessoa que shippa reconhece que: o que pode ou não ter tornado essa temporada ruim – não acho que foi, mas, para aqueles que acham isso, seu argumento não deve ser – não é o fato de que Sherlock e John não ficaram juntos VISIVELMENTE ou CANONICAMENTE. Houve queerbaiting? Houve. Mesmo eu que nunca shippei Johnlock – e não venha me chamar de homofóbica por isso – posso ver que sim, houve. Porém, isso diz mais sobre o “caráter” dos nossos autores do que sobre qualidade ou não de uma série. Minha opinião. O fato de que Moffat brincou com as nossas emoções durante todos esses anos não é motivo para tamanho ódio contra essa temporada que fecha um ciclo daquilo que sempre foi o ponto chave: Sherlock Holmes deixando de ser uma máquina (“sou um cérebro, Watson, o resto é mero apêndice”) para se tornar um ser humano, a GOOD ONE.

É sobre o crescimento de Sherlock que estávamos falando e isso não deixou a desejar em nenhum segundo! Meu Deus, você imaginaria a epítome do cavalheiro vitoriano sentado na cadeira de uma terapeuta?! A máquina pensante e fria abrindo seus horizontes e desenvolvendo laços inquebráveis com outros seres humanos? Sherlock finalmente chamando Lestrade de Greg?? Quebrando caixões porque magoou alguém? Não! Você não imaginaria! Mas foi isso que ganhamos e foi BONITO/MARAVILHOSO DEMAIS!! Porque, na minha opinião, como disse certa vez na minha ode à Downton Abbey, nada é mais gratificante do que assistir ao crescimento de uma pessoa. Na literatura é o que faz a história ganhar significado e os personagens adquirirem a empatia do público. Foi porque Sherlock Holmes não era o mesmo homem do Um Estudo em Vermelho quando caiu das cataratas no Problema Final que os fãs imploraram para que retornasse. E foi o desenvolvimento psicológico que Doyle deu a ele nos contos posteriores que o fez consagrado por muitos. Não foi um romance com John Watson, com Irene Adler, com Violet Hunter. Não. Foi o crescimento e amizade de dois homens… e aliás…

Sabe por que eu nunca consegui shippar Watson e Holmes? Entendam-me: você que acredita que eles tinham um envolvimento amoroso do tipo Erus, eu entendo o seu motivo. Eu respeito o seu ship. A sua opinião. Mas, eu, Ana Carolina nunca vou shippar porque: seria a mesma coisa que shippar Harry e Hermione, sabe por quê? Porque, aparentemente, duas pessoas não podem mais ter um laço profundo, uma cumplicidade majestosa e serem os melhores parceiros um do outro, a não ser que eles incontestavelmente, invariavelmente, sejam o interesse amoroso um do outro. A velha história do: não existe amizade entre homem e mulher. Entendem? John e Sherlock são o maior exemplo do universo de irmandade, de amizade sincera, de que “escolhemos uma família”. Claro, é muito bom pensar que a pessoa com quem vamos passar o resto da vida seja o nosso melhor amigo, mas, muitas vezes, não é assim! Então, podemos ter os Harrys e as Hermiones; as Marys e os Toms, os Victors e as Emilys, os Johns e os Sherlocks! Eu nem quero imaginar o que teria acontecido se o Percy e a Annabeth não tivessem ficado juntos no final… Está faltando mais BROTPS e menos OTPS. Nesse quesito, a série foi muito ampla e nos deu a chance de acharmos o que quiséssemos, porque foi justamente o que o Doyle fez… nada nunca foi claro. Apenas teorizadores recentes levantaram as primeiras hipóteses e, quotando a mim mesma de outro texto: “Não por preconceito, creio eu, mas porque, nesse caso, “não saber” é o que torna Sherlock Holmes, Sherlock Holmes.”

No mesmo texto em que digitei essas palavras acima, disse que houve, certa vez, tentativa de fazer algo com Sherlock e John como casal e os donos dos direitos do cânone vetaram porque isso nunca foi especificado pelo Arthur Conan Doyle. É preciso que se respeite a obra do autor, não é? E, na minha opinião, isso é o mínimo a ser observado, visto que não compõe algo de grande diferença para o andamento do que é mais importante. Resumindo: seu ship não ter virado canon não diminui o valor dessa série e você pode shippar quem você quiser. Apenas não deixe seu amor pelo amor de outra pessoa te cegar, coleguinha.

Enfim, passamos para o ponto que mais me atingiu nessa série… as mulheres de Moffat e como foram usadas, em relação ao canon. À exceção, talvez, da Senhora Hudson? Que no cânone era uma figura de proa e na série ganhou uma personalidade mais ativa: “I’m not your Housekeeper”, ex-esposa de um chefe de tráfico, dona de um carrão, vastas propriedades, aponta uma arma como ninguém, ouve rock pesado enquanto passa o aspirador… posso estar desejando uma série só dela? Enfim, talvez com exceção da Senhora Hudson… não podemos dizer que o senhor Moffat seja a pessoa mais… abençoada? Quando se fala em escrever personagens femininas e usá-las de forma positiva. Arthur Conan Doyle nos presenteou com vários nomes – várias Violets – no cânone e que, embora não fossem protagonistas ou recorrentes, não deixavam de ser veneradas e bem quistas ou mesmo vilãs belamente ardilosas. Isadora Klein em “The Three Gables”. Violet Hunter. Porém, vamos primeiro analisar a personagem presente na série da BBC e no cânone: Irene Adler.

Direto ao ponto. No conto “Um Escândalo na Boêmia”, Irene Adler consegue enganar Holmes completamente e este perde para ela, não sendo capaz de recuperar a foto comprometedora que tirara com o Rei. No episódio “Um Escândalo em Belgravia” Irene é utilizada para despertar discussões acerca da sexualidade de Holmes, tal qual sua irmã do cânone, mas de formas distintas, e embora seja uma personagem igualmente de personalidade forte, Moffat simplesmente não permitiu que nosso amado detetive tivesse seu momento de derrota. Houve uma derrocada, mas, para segundos seguintes fazê-lo se reerguer novamente, impiedoso, mas vitorioso. A grande aventureira e atriz Irene Adler, de memória duvidosa, mas de importância suficiente para render uma série de livros próprios para outros autores e mesmo outra trilogia recentemente resenhada por mim, perdera seu grande trunfo: Sherlock Holmes fora derrotado x vezes no cânone, uma delas, ele admite, por uma mulher. Contudo, na série da BBC, embora Holmes possa ter seus defeitos enquanto ser humano, estes não se estendem em absoluto para seu trabalho. Inconclusivo, mas nunca um perdedor. Esse pequeno ocorrido, essa vitória de Adler a tornara A Mulher, o que revela certa prepotência da parte de Holmes, pois, ela se destacaria do sexo em geral vez que fora a única capaz de derrotá-lo. Entre Pulver e Cumberbatch, no entanto, ela se destacara como A Mulher porque… por quê? A Irene de Doyle, até onde eu sei, é considerada um modelo feminista, especialmente por ter sido criada por um homem e na época na qual fora escrita, a de Moffat poderia ser chamada assim por abraçar sua sexualidade e não possuir body shame? Mas apenas isto, tendo em vista que um de seus maiores “traços de caráter” fora substituído por uma cena, admito, com excelente atuação e trilha sonora, seria suficiente para torná-la A Mulher outra vez?

 Não consigo chegar numa resposta. Adoraria saber a opinião de vocês. Seguindo temos: Molly Hooper. Sim, vou colocar o dedo na ferida. Eles mesmos fizeram isso comigo quando não fizeram um funko para ela. A senhorita Hooper que não fora escrita para ser uma personagem oficial, mas, que permaneceu devido ao brilhantismo na atuação de Louise Brealey, tornou-se um dos melhores exemplos de catarse da história. Uma personagem simples, mas complexa, humana. O oposto de Adler, a femme fatale. Amor não correspondido, mas amizade incondicional, desprendimento para tentar seguir em frente. Que, após ter ganhado certo destaque na vida de Sherlock, eu esperava que também fosse ganhar mais respeito e screen time dos roteiristas, mas, não. Sua participação nos dois primeiros episódios da série foi mínima… e quando finalmente a tivemos de volta como influência… depois de um noivado quebrado, talvez outros relacionamentos… foi para que partíssemos seu coração novamente? É claro que ela sempre amaria Sherlock, mas é doloroso ver como tiraram proveito disso para quebrá-la; foi a minha reclamação com o final da temporada: eu queria um pedido de desculpas, uma explicação, algo que justificasse a entrada dela em Baker Street com aquele sorrisão! Visivelmente, Holmes ficou aborrecido pelo que fez – quebrou um caixão e tudo o mais – mas, e Molly? Me enojou muito as palavras seguintes de Moffat para uma coletiva: “Ela provavelmente saiu para tomar um drink, transou com alguém, eu não sei. Molly estava bem”. O senhor conhece alguma coisa… qualquer coisa, sobre o coração humano?

Você que passou anos da sua vida amando uma pessoa, sendo forte o bastante para tentar seguir em frente e ainda manter um vínculo de amizade saudável com a dita pessoa, faria e fez tudo que pôde por ela… ao ser usada daquela forma – porque, afinal, Molly não sabia o que o eu te amo significava no momento – forçada a revisitar aqueles sentimentos que nada mais trouxeram do que frustração e graças àquele que, tudo bem, apesar de não corresponder aos seus sentimentos, parecia finalmente ter entendido que você é um ser humano que importa. Bem, depois dessa montanha russa, de ser quebrada novamente, depois de um péssimo dia, de enfrentar um fantasma deste tamanho… você iria sair para tomar um drink? Iria dormir com outra pessoa?? Por despeito?? What?? O senhor sequer conhece a personagem que diz ter escrito?? Dizem por aí que: Molly deveria estar morta dentro do caixão e que isso foi demais e que eles foram obrigados a reescrever… assim?? Usando-a apenas para ter seu coração partido mais uma vez? Eu não consigo colocar em palavras… me ajudem!! O que concluo apenas é que Moffat não sabe usar as mulheres que escreve ou talvez devesse ser proibido de escrevê-las.

No entanto, ainda assim, eu consegui aproveitar outras partes do que me foi oferecido… os irmãos Holmes tocando violino, se comunicando através da música porque ela possui este poder… os garotos de Baker Street, o monólogo final da Mary que, apesar da dubiedade de uma ou duas linhas, resumiu muito bem e fechou gloriosamente. Embora eu desejasse por um melhor fechamento a outros personagens, foi um final… e um final que nos permite sonhar com, sei lá, assim como Gilmore Girls, um revival algum dia… mais episódios dali alguns anos? Aventuras sempre existirão para os garotos de Baker Street e nem que seja pela minha própria pena, eu irei visitá-los… porque não posso viver sem a minha vida, não posso viver sem a minha alma…

P.S: Está claro que não consegui dizer tudo, me faltam palavras… sintam-se livres a complementar, criticar… sejam livres!

xoxo

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3 comentários sobre “Até logo, Baker Street.

  1. A gente já discutiu um pouco sobre a série e o conteúdo desse post, então você sabe bem onde nossas opiniões se encontram, bem como o amor que dividimos pelo personagem e pela série da BBC.

    “O fato de que Moffat brincou com as nossas emoções durante todos esses anos não é motivo para tamanho ódio contra essa temporada que fecha um ciclo daquilo que sempre foi o ponto chave: Sherlock Holmes deixando de ser uma máquina (“sou um cérebro, Watson, o resto é mero apêndice”) para se tornar um ser humano, a GOOD ONE”. Aqui você resumiu tudo que eu venho tentando dizer desde domingo, então, obrigada.

    Ah, e quanto a Steven Moffat conhecer algo sobre o coração humano, não, ele realmente não conhece. Como a boa whovian sofredora que sou eu posso lhe garantir isso. Eu sou fã do homem, acho que ele é genial. Não poderia deixar de ser para adaptar com tanta maestria a história de um gênio como Sherlock Holmes. Mas ele vacila quando tinha tudo para acertar. Acontece. A gente perdoa, algumas vezes com mais remorso do que outras.

    Beijo

    Curtido por 1 pessoa

    • Eu que devo agradecer por essa reafirmação. Fiquei com tanto medo de ter falado alguma me@#$da! E que bom saber que não estou mentindo e Moffat realmente peca no conhecimento do coração humano, realmente pacificador para a minha alma! Nesse lado ele peca mesmo, porém, não vamos duvidar de que ele fez um SENHOR trabalho adaptando a série mesmo!! Obrigada pelo carinho de sempre, Ceci! Bjoos!

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