A vida de um Gênio

Olá, meus queridos.

Não sei quantos de vocês ainda estão passeando por aqui, mas em todo caso é sempre um prazer conseguir me sentar para falar com os velhos amigos e os recém-chegados. Já faz algum tempo desde minha última passeada por este blog… havia me esquecido da sensação maravilhosa, devido à trabalhos de faculdade e também projetos pessoais – leia-se fanfics – Logo, em breve censura a mim mesma: eu deveria ter escrito mais por aqui durante as minhas férias, mas estive escrevendo em outras plataformas. Contudo, durante estas ditas férias, tive a oportunidade de encontrar alguns refúgios extremamente prazerosos. Sobre um deles eu preciso falar desesperadamente. A Série da National Geographic intitulada Genius.

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Confissão… não sou uma seguidora assídua da programação do dito canal, embora reconheça seu valor intelectual. No entanto, quando foi anunciada uma série a respeito da vida de Albert Einstein e quem interpretaria o sênior cientista, foi obrigatório para mim acompanhar; sem arrependimentos. Baseada no livro Einstein: His Life and Universe (Eistein: Sua vida e Universo – tradução pessoal direta) de Walter Isaacson, esta minissérie acompanha os anos primordiais da vida de Albert, seu desprendimento de sua família, abandono da cidadania alemã e ingresso na Universidade de Zurique, sendo seu sonho tornar-se um físico renomado pela população acadêmica de seu tempo, até sua experiência enquanto cidadão da Alemanha Nazista, bem como todo o trâmite da desenvoltura de sua famosa Teoria da Relatividade. Este é o nosso personagem. Este é o nosso espaço…

Deveriam existir milhares de formas as quais os roteiristas poderiam seguir a fim de nos contar esta história; fazer dela apenas mais um daqueles documentários do History Channel a respeito de Henrique VIII. No entanto, pelo contrário, a produção nos entrega um verdadeiro drama e uma perspectiva mais humana, deveras mais aprofundada, acerca de um homem há muito resumido por uma fórmula que aprendemos no Ensino Médio – sem querer generalizar, claro, pois assim como eu possuo biografias de Georgiana Cavendish em casa, outras pessoas poderiam já estar cientes dos vários detalhes apresentados ao público por esta série. Não foi o meu caso. Tudo foi novo para mim… eu nem sabia que Einstein fora casado duas vezes ou sobre sua amizade com o responsável pela criação da bomba de hidrogênio. A experiência foi de aprendizado, de apresentação e análise, regida pela trilha sonora fenomenal de Hans Zimmer – você convida o pai da música cinematográfica, desde Morricone, pode esperar um sucesso!

A história se divide em dois momentos, como dito: a juventude e “final years” do senhor Einstein *leia-se eu imitando o sotaque do elenco* e entre dois atores que o interpretam.  Johnny Flynn é o responsável por nos apresentar todo o “perrengue” pelo qual nosso protagonista passa em seus primeira anos para conquistar a credibilidade que almeja e o já veterano – MUSO – Geoffrey Rush fecha o ciclo de sua vida com um homem consolidado. É brilhante! Após assistir à série, me imergi num mundo de pesquisas sobre a produção, assistindo várias entrevistas com os atores e o que descobri acerca do trabalho destes dois estourou meu cérebro em mini partículas de admiração. Ao conseguirem seus papéis, um longo histórico de conversas pelo skype se iniciou a fim de que ambos criassem um único ser. Notadamente, imagino que seja de praxe em Hollywood que as versões jovens e velhas interajam, troquem ideias acerca de suas inflexões para o personagem, contudo, aqui chegou a um nível tão minucioso que até gestinho de mão idêntico teve! A forma de mexer os lábios para falar, o arquear de sobrancelhas frente a uma angústia… e o departamento de maquiagem de EXTREMO parabéns por deixá-los tão críveis como extensões de anos um do outro.

Mestres. Absolutos mestres, o que me deixa profundamente chateada ao ver que apenas Geoffrey recebeu a indicação ao Emmy – JÁ GANHOU! A jogada do roteiro em não iniciar a série diretamente na juventude de Albert, mas nos fornecendo um norte do homem que ele havia se tornado em seus anos mais maduros através da atuação majestosa de um veterano, já conhecido e deveras enaltecido, o senhor Rush, deixanos investidos na história e em seguida passa sua a tocha para o senhor Flynn, quem até então eu não conhecia, mas que a segura com firmeza e igual maestria ao assumir a responsabilidade de nos elucidar porque devemos continuar acompanhando a narrativa. Toda a responsabilidade de nos manter presos à história e simpatizarmos com Albert, e o odiarmos ao mesmo tempo, é de Flynn, assim que Rush cumpre seu papel inicial de “vender a ideia”. Ele em sua sala de aula, carismático, apaixonado pela ideia do tempo, da massa e do espaço, tornando-os materiais a quem antes não conseguia visualizar a física como algo tão palpável.

Aliás, os monólogos de estudo são tão maravilhosamente poéticos… por que meus professores de física não me ensinaram assim? Eu fiquei desejosa de estudar mais depois de assistir. O amor de Einstein por sua “arte”, sua viva curiosidade e ânsia em desvendar tudo aquilo o que o cerca, unindo a fantasia da criança e a possibilidade acadêmica de um adulto, é – de várias formas – a forma com a qual se redimi com os fãs, frente aos erros absurdamente “WOW, MIGO, ESTÁ FAZENDO ISSO MESMO?” Impossível odiá-lo completamente perante toda essa devoção, bem como o irresistível charme dos dois atores ao lhe dar vida. Um trabalho bem feito destes, claro, não poderia levar o crédito único de dois homens – NÃO NESTE BLOG! NÃO DURANTE O MEU HORÁRIO DE SERVIÇO! – e, claro, apesar do sexo masculino dominar – até mesmo pela época na qual estamos na série – e cada um destes atores merecer todo o aplauso – não existem papéis pequenos – vamos dar crédito a elas. Them. Afinal, eu não sabia que Albert foi casado duas vezes… muito menos conhecia a pessoa INCRÍVEL que com certeza foi Mileva Maric. 

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Mileva Maric. Melhor do que todos nós.

Samantha Colley você também foi esnobada pelo Emmy, mas saiba… você a rainha desta série. Não obstante pequenos detalhes que foram mais dramatizados na série, Mileva foi peça chave para que eu me apaixonasse. Cocha, mais inteligente do que todos nós, tão real em retratar o que uma garota – a única aluna de sua sala de aula – enfrentaria em ambiente acadêmico tão hostil, a dona do arco do meu episódio favorito – o segundo, infelizmente eles não foram titulados. Certamente, Albert se encanta por ela desde o primeiro encontro, apaixonado por sua mente brilhante, admite duas vezes que ela é e foi o amor de sua vida, mas é através dela que entendemos o quão desumano o cientista poderia ser. “Como um homem tão brilhante sobre o universo pode ser tão obtuso quando se trata dos seres humanos?” Esta fala é usada no primeiro episódio pela secretária e amante de Einstein quando ele lhe propõe que vá morar com ele e Elsa, sua esposa à época. Todavia, é muito gritante no relacionamento dele com Mileva, o quão doloroso foi assistir a corrosão deste.

 Sem divagações, em meio a todo o amor que não duvidamos que eles sentiam um pelo outro, até que o ressentimento o substituiu, também ficou bastante clara a natureza egoística de Albert; escancarada por um paralelo elegantemente traçado pelos roteiristas, ao incorporarem na história um parênteses com a história de Marie Curie e seu esposo Pierre. Incapaz de se consolidar como o físico que ansiara ser, quando Mileva fica grávida e sua maior preocupação torna-se achar uma maneira de prover para sua família, ambos têm a ideia de colocar as explanações fervilhadas da mente de Albert em artigos para as revistas científicas. Mileva fornecendo-lhe inspiração e transcrevendo-os. Até o derradeiro artigo que embasou a teoria da relatividade e ganhou atenção geral da união de cientistas de Zurique; neste caso, Albert também contara com a ajuda de um de seus melhores amigos da faculdade Michele Besso e concedeu a ele crédito na publicação, esquecendo-se completamente da influência decisiva de Mileva. Em contrapartida, no início do episódio, temos Pierre Curie incisivo ao afirmar que não aceitaria o nobel se sua esposa também não o recebesse com ele.

Embora os fatos digam que Mileva abandonou suas aspirações enquanto matemática e física por conta própria ao engravidar pela primeira vez, a resignação silenciosamente forçada apresentada na série oferece um conflito muito mais instigante, de fato. No meu dito episódio favorito, a senhorita Maric exclama: “How could you be so careless with my heart?” Como pôde ser tão descuidado com o meu coração, em tradução pura, continuando em um discurso cortante sobre o quão mais ela precisaria se esforçar para ser levada a sério. E esta conversa se repercute pelo resto do casamento deles, tão clara. O amor de Einstein por seus filhos é certo, bem como a distância que mantém da primeira esposa após o divórcio, tanto fruto da dor que causaram um ao outro quanto de sua certeza de que uma relação civilizada não fosse render em nada, mostra-se exacerbada na veemência com a qual a repele – por crimes tão menores…

Seu verdadeiro amor, embora ele possa discordar, sempre foi a física, o que dificultou para que eu pudesse sentir qualquer empatia por seu segundo casamento. Mas gostei de Elsa, interpretada pela veterana Emily Watson com quem Rush já foi casado nas telas duas vezes antes, e que em entrevistas admitiu que a segunda esposa do senhor Einstein – sua prima – servia-lhe como alicerce àquilo para que deixara de lhe preocupar quando se tornou uma “celebridade”. Elsa entendia dos arranjos sociais, de agendas e do espaço que ele precisava para ser o gênio admirado por todos, e talvez por isso tenha sofrido um choque menor do que o de Mileva, inclusive dando abertura para seus casos extraconjugais, desde que ele nunca – após uma primeira vez – se esquecesse de que o primeiro lugar era dela; uma cena totalmente roubada das mãos de Rush por Watson, sempre sutil mas forte em suas atuações.

Respeitando a época de seus acontecimentos, com um roteiro sustentado por um grupo capaz e carismático de atores, Genius oferece um estudo brilhante e cheio de nuances acerca de uma das maiores mentes de nosso século; e eu espero que a próxima temporada, aparentemente a tratar do senhor Pablo Picasso, contenha estes mesmos elementos instigantes e que elevam a nossa curiosidade, e olhares para dentro de uma história.

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