Sem Perdão à Bruxa

– Glinda, se aqueles sapatos caírem nas mãos do Mágico, ele vai usá-los em alguma manobra para reincorporar a Munchkinlândia. No momento, eles têm significado demais para os munchkins. O Mágico não pode pegar esses sapatos!
Glinda estendeu a mão e tocou no cotovelo da Bruxa.
– Eles não vão fazer seu pai amar você.
A Bruxa se afastou. As duas ficaram se encarando. Elas tinham história demais em comum para se afastarem por causa de um par de sapatos, mas eles foram postos entre elas, um ícone grotesco de suas diferenças. Nenhuma das duas recuava nem ia em frente. Era tolice, elas estavam presas e alguém precisava quebrar o encanto. Mas tudo que a Bruxa conseguiu fazer foi insistir:
– Eu quero aqueles sapatos.

Um saudoso Olá a todos vocês, meus queridos Ozianos. O mês de Março passou agitado com semanas de provas e alguns trabalhinhos – para aqueles que leram minha despedida de Fevereiro (Dear February), sabem que eu estou lutando para terminar um fichamento de Direito do Trabalho. A batalha está quase ganha. Falta pouco – porém, eles não me impediram de apreciar uma valiosa leitura! É com grande prazer que venho até vocês a fim de dividir os meus pensamentos acerca de: Wicked de Gregory Maguire. Publicado pela primeira vez em 1995 – MEU ANO, OBRIGADA DEUSES DA LITERATURA – e com nova tiragem aqui no Brasil, na minha opinião, após o sucesso do musical nos palcos nacionais. Certamente, o fato de que um ano depois ainda não superei a minha experiência no Teatro Renault, assistindo Fabi e Myra, foi o grande desencadeador da minha leitura.

Comparando peça e livro, a adaptação em si, vários elementos foram deixados de lado, ainda que a essência tenha sido preservada; o que nos trouxe outros três livros para a coleção intitulada: Wicked years. Estes três não traduzidos, ainda. Assim espero. Bem, logo como a essência preservou-se, torna-se seguro dizer que Wicked, por si só, é uma grande crítica… Maguire utilizou muito bem a obra de Frank Baum (autor do Mágico de Oz) e própria análise que ela oferece a uma época da história americana, para lançar novidade e enaltecer outras mazelas. Sempre haverá o que analisar e satirizar no mundo a fim de que se crie uma obra literária de valor. Em Wicked temos a metáfora do preconceito racial na cor verde de Elphaba, temos o fanatismo religioso e suas consequências, também a convivência de várias religiões em um mesmo meio, regimes políticos, golpes de Estado, autoritarismo… Oz é quase um reflexo do nosso mundo, o Outro Mundo.

 De certa forma, foi tanto um erro quanto uma gratificação ter assistido ao musical antes de ler a obra. Erro porque, gostando ou não, certas expectativas de que o que foi adaptado acabasse por se tornar o que realmente acontecia a alguns personagens queridos, tornou-se inevitável. Prometo não dar spoilers, mas… enquanto as lágrimas que derramamos ao final de “For Good” são de uma melancolia até alegre, aquelas que derramaremos aqui são dor pura mesmo. A amizade de Elphie e Glinda é bem menos doce e muito mais ácida. Embora seja indubitavelmente verdadeira, a nossa bruxinha tem um claro crush nela, há no caráter de Elphaba a falta de algo que se percebe muito mais através da leitura. Diz-se que seja a falta de uma alma… assim ela clama. Porém, é muito mais a falta de amor genuíno. Todo o ressentimento que se percebe no musical dentro da família de Elphie é escancarado em pura disfuncionalidade, ressaltado pelas zombarias feitas em voz alta pela personagem que só conhecemos no livro: Babá. A típica pessoa que sabe o que se passa no ambiente e não fica calada a respeito.

Percebemos que Fabala – apelido de infância de Elphaba – chega a Shiz muito menos ingênua acerca das intenções do mágico e deveras mais disposta a desafiar Madame Morrible – traduzida como Morrorosa, RAXEI. Glinda é ainda a menininha do sul preocupada com a imagem, com as amigas cochichando e falando mal de sua colega de quarto. Contudo, tal qual o musical, a constante luta política de Elphaba e sua crença de que Glinda é capaz de pensar, entender tudo tão bem quanto ela, aos poucos vão tornando-a mais humana… especialmente numa fatídica cena envolvendo sua ama, Ama Clutch. Não vinga, todavia, vez que ambas as amigas se separam durante vários anos e ao se reencontrarem já não são mais as mesmas pessoas, apesar de terem um adorável momento no qual se torna visível que, não fosse a situação política – Dorothy acaba de chegar, Nessa está morta e Elphie quer os sapatos, o Mágico tenta comprá-la – elas teriam feito melhor partida. Doeu ler…

Enquanto caminhava pelo átrio de Solos de Colwen, ela cruzou de novo com Glinda. Mas as duas mulheres evitaram os olhares e aceleraram o passo em direções opostas. Para a Bruxa, o céu era uma enorme pedra a pressionando. Para Glinda, era mais ou menos o mesmo. Mas Glinda se virou e gritou:
– Ah, Elfinha!
A Bruxa não se virou. Elas nunca mais se viram.

Algo que me surpreendeu muito, tendo assistido ao musical e lido O Maravilhoso Mágico de Oz, bem como assistido o filme de 1939 – do qual Maguire também pegou várias inspirações, especialmente a de manter os sapatinhos vermelhos e não prateados como no original – foi o quão sexualizada Oz acabou se tornando. Digo… O Mágico de Oz é um livro infantil, não é? E Wicked – O MUSICAL, ainda que possua uma implícita cena de sexo dentro da floresta entre Elphaba e Fyero, não deixa de ser algo “family friendly”. O livro, porém… é bastante explícito em vários momentos. Na verdade, o pai de Elphie é ministro de uma religião – o unionismo – e luta contra a crescente fé no prazer – isso mesmo! – Esta fé nos leva a uma cena num “Clube de Filosofia” que… MEU DEUS! E interessante porque neste momento em particular, Glinda queria ir ao clube com Bock e outros amigos dela e Elphie, mas esta a puxa de volta para o dormitório afirmando que ela não tem nada que se meter na fé no prazer.

A chegada de Dorothy deixa de ser um esquema do Mágico e de Madame Morrorosa, para se tornar algo profético. Ainda na faculdade de Shiz, Elphaba se unira ao Doutor Dillamond a fim de descobrir sobre o que acontecia aos Animais – escritos com letra maiúscula para representar aqueles com alma e, portanto, capacidade de consciência – e durante suas pesquisas, encontrou uma imagem de certa deusa segurando um monstro, uma criatura que anos mais tarde, muito a lembrariam de Dorothy e Totó. A menina chega ganhando a simpatia de todos em Oz, o que leva alguns a murmurarem que ela era uma princesa há muito congelada, esperando o momento para retirar o Poder do Mágico. A já clamada Bruxa Má do Oeste, no entanto, não entende qual o charme de uma caipira como aquela… até estar cara a cara com Dorothy e entender o que via em seus olhos… via a si mesma quando tinha aquela idade e andava com seu pai, enquanto ele catequizava.

Não… e agora seu olhar encontrou o velho espelho cansado, apesar de suas intenções. Ela pensou: a Bruxa com seu espelho. Quem vemos senão a nós mesmos, essa é a maldição – Dorothy se parece comigo mesma, naquela idade, qualquer que seja…
Eu me vejo ali: a testemunha criança, com olhos arregalados como Dorothy. Encarando um mundo tão horrível para compreender, acreditando – por ignorância ou inocência – que por trás desse contrato indestrutível de culpa e censura sempre há um contrato mais antigo que pode obrigar e desobrigar de um jeito mais saudável. Um precedente mais antigo de resgate, que nem sempre precisamos ser atormentados pela nossa vergonha. Nem Dorothy nem a jovem Elfaba podem falar sobre isso, mas a crença está no rosto de nós duas…

– Ela parece uma coisinha medonha – disse a Bruxa. – Ozma, Dorothy… toda essa conversa sobre crianças salvadoras. Sempre detestei isso.

– Sabe o que é? – perguntou Boq, pensando com cuidado. – Como estamos falando dos velhos tempos, eu me lembrei… você se recorda daquela pintura medieval que eu encontrei na biblioteca em Três Rainhas? Aquela com a figura feminina embalando uma fera? Havia um tipo de ternura e espanto naquela pintura. Bem, há algo em Dorothy que me lembra aquela figura sem nome. Pode-se até chamá-la de Deusa Inominável… Isso é um sacrilégio? Dorothy tem uma caridade suave em relação ao cachorro, uma bela ferinha ameaçadora. Você não acreditaria como é repugnante. Uma vez ela colocou o cachorro nos braços e se dobrou sobre ele, cantando, exatamente na mesma pose que aquela figura medieval. Dorothy é uma criança, mas tem um peso nas atitudes que parece um adulto, e uma gravidade que não se encontra com frequência nos jovens. É muito apropriado, Elfinha. Fiquei encantado por ela, para dizer a verdade. – Ele quebrou algumas nozes e macarândias do leste e passou adiante. – Tenho certeza de que você também ficará.

Espero ter a paciência para conseguir terminar a série, mas posso dizer que, enquanto livro solo, Wicked é grandioso por si só. Nos aproxima mais da “vilã” que foi a Bruxa Má do Oeste e engrandece a terra de Oz, muito maior do que provavelmente seu pensador esperava que fosse. Libertando-a da fantasia e mergulhando-a em um misticismo sombrio, controverso e demasiadamente real.

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xoxo

Dear February,

Fevereiro… terminam-se as férias e retornamos para a agitação das atividades habituais, porém, com a expectativa de um feriado logo ali, o que não diminui as atribuições do decorrer do menor mês do ano. Bem, vamos ver:

DE CABECEIRA 

No mês de Janeiro aconteceu a estreia da adaptação da Netflix para a saga de livros Desventuras em Série. Após anos recebendo a indicação destes livros por um dos meus melhores amigos, que insistia em dizer que esta fora a saga de sua infância – mais até do que Harry Potter, vejam vocês – finalmente resolvi aceitar a empreitada de ler os 13 livros com os relatos das desventuras da família Baudelaire. Surpreendentemente, foram a minha leitura contadinha para todo o mês, numa média de dois livros por semana – sim, ainda conseguia estudar – afinal, tratam-se de livros curtos. No máximo 300 páginas cada um. Treze capítulos. Foi absolutamente sensacional e intoxicante! Terminei-os mais cheia de dúvidas do que com respostas, mas, graças a Deus existem vários livros de apoio para que eu possa complementar minhas pesquisas. Intercalando com outras obras, do contrário vou viver de Unfortunate Tales. A resenha ao estilo dos resumos do autor para seus livros encontra-se aqui: É Melhor Não Olhar .

MARATONA

Este mês aconteceu, de fato, uma maratona. Meu amigo Maurício e eu resolvemos fazer algo bem filmes para adolescentes dos anos 90. Assistimos a uma minissérie e série juntos através dos nossos telefones, comentando cada mínima cena. Foi muiiiitoooo divertido!! A série em questão foi: How To Get Away With Murder, a terceira temporada. Apesar de algumas decaídas em certos pontos, considero esta uma das grandes séries de qualidade a qual tive acesso desde o começo. A trama é sempre surpreendente e a atuação da nossa inestimável Viola Davis, recente ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante – devia ganhar o Oscar só por existir, rainha da terra junto com a Meryl Streep – Gente! Que atuação!! Essa mulher não pára! Excelência em tudo!! Os pontos dos outros personagens também, novos relacionamentos, mudanças de humor, tudo muito bem trabalhado e justificado. Amooo demais minha série/aula de Direito Penal.

BALDE DE PIPOCA

Fevereiro não foi o mês de idinhas ao cinema. Ele começa agora em Março… Gente, há quanto tempo estou esperando pela Bela e a Fera?? Nem sei! Esperanças lá no alto, espero não quebrar a cara como foi o caso de Malévola ou, claro, Benévola… argh… Enfim, mas teve a minissérie reassistida com o meu amigo – mencionei ali em cima – que nas minhas contas, tá valendo! Se chama “E Não Sobrou Nenhum“, de 2015 e é uma adaptação para o livro homônimo da diva do suspense, Agatha Christie. Conta com um elenco de peso de atores britânicos: Charles Dance, Miranda Richardson, Burn Gorman, Sam Neill, enfim, uma turminha bacana que recebe o convite de uma senhora para visitá-la em sua casa numa ilha isolada – irrecusável, né não? – e que, ao chegarem lá, descobrem que a casa está vazia, contando apenas com os criados desta senhora e seu esposo. No jantar do primeiro dia, todos são acusados de assassinatos cometidos no passado e pelos quais não foram julgados, mas serão agora… Deu para sentir o gostinho? São três episódios, muito bem adaptado, a cenografia é de tirar o fôlego e tudo é milimetricamente pensado para dar o tom da mente de cada um dos acusados. Muito bom mesmo!

NA WEB 

Esse mês, com o retorno da faculdade, não tive muito tempo para vasculhar a internet, porém, sempre que tinha um tempinho, dava uma passeada pelo site da Garota Agridoce, gosto muitoo delas. São duas autoras, a Michelle e a Priscila!! Muito lindas, elas!!

ARRANHEI O DISCO

Pessoal, eu ainda estou arrumando o quarto todo dia ao som da trilha de La La Land, acreditam? Pois é, mas, em matéria de novidade também rolou muito dessa música por aqui:

JULIA CHILD INSPIRED

Esse mês teve o doce de leite da mãe da minha manicure… MENINAS… O MELHOR DOCE DE LEITE DA VIDA!!! Já estou encomendando mais uns dois vidros, nem me iludo mais com projeto verão!

ITEM DIVO

Não foi tanto a maquiagem, mas mais os produtos capilares. Comecei a usar o leav in da marca L’anza e meu cabelo está… acho que se ele pudesse me mandar um thank note, mandaria!

PRÓXIMOS PLANOS 

Encontrar outros livrinhos amor que me façam superar a dor da perda de Desventuras em Série… pelo amor de Deus terminar um fichamento de Direito do Trabalho que… AAAAAA… Sério, pessoas, né por nada não, mas eu não aguento essa matéria! Não vou conseguir ajudar meu amiguinho proletariado…

NEWSLETTER

Receber o vídeo de uma dubladora querida e adorável te convidando para participar do curso dela no Rio conta? Ai gente… PAGA PRA MIM! Vamos iniciar o projeto #laladubla #herestothefoolswhodream

INSPIRAÇÃO

Depois daquele discurso maravilhoso no Oscar, Viola Davis, no doubt! A mulher já tinha meu coração há um tempo, mas… roubou de vez!!

Bom, esse foi meu Fevereiro… vamos lá viver as emoções de Março… PAGO O PREÇO QUE FOR PRA QUEM FIZER ESSE FICHAMENTO PRA MIM!!!

xoxo

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É Melhor Não Olhar

Gostaria de começar esse post pedindo para que vocês:

Não seguirão meu conselho? Pois muito bem, espero até o final deste post conseguir nada mais do que explicar todos os livros pelos quais vocês não devem, em hipótese NENHUMA, ler sobre a vida dos irmãos Baudelaire. Afinal, se você gosta de histórias com finais felizes, em que os mocinhos sempre triunfarão sobre o mal ao final do dia, certamente não deve ler este livro, mas sim aquele outro… como era mesmo o nome? Ah sim, “O Menorzinho dos Elfos”. Eu recomendo mil vezes mais que você vá ler este livro e desista completamente da empreitada de acompanhar as desventuras dos Baudelaire. Violet, Klaus e Sunny. Quer dizer, quem em sã consciência gostaria de ler sobre…

Uma menina de 14 anos com grandes habilidades de inventora, um garoto de 12 anos com um gosto voraz para leitura detentor de grande capacidade para resolver enigmas e memorizar fatos, uma bebê com valiosos dentes capazes de triturar qualquer superfície dura a que tiverem acesso e também, no futuro a serem revelados, dotes culinários. Não. Realmente estas não são as pessoas sobre as quais gostaríamos de ler. Principalmente após terem suas vidas arrasadas por um incêndio que lhes custaria os pais e também o lar… de que nos importa tais infortúnios? Um agente de banco, Sr. Poe, indiferente, apático as mandou morar com um homem pérfido e inescrupuloso que, apesar de ter sido desmascarado, continua a perseguir os meninos por treze livros, colocando-os nas mais detestáveis situações? O que temos com isso? Não é problema nosso.

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O senhor Lemony Snicket passou muito tempo pesquisando e catalogando fatos a respeito destes acontecimentos, como recorrentemente insiste em nos lembrar, mas isso não quer dizer que devamos nos interessar, não é? Não quer dizer que devem ou merecem ser lidos. Ele brincou com a sua inteligência parecendo criar uma fórmula durante os seis primeiros livros, inserindo pequenas dicas aqui e ali indicando que tudo se trata de algo muito maior, e depois reviravoltar para estrondosos definidores de caráter tanto para nossos heróis quanto para nossos vilões? Aff… nem um pouco interessante. Gosto de livros com personagens previsíveis e sem nenhum mistério. São os melhores não é mesmo? Do que me importa descobrir o significado de C.S.C, qual a real ligação entre Lemony e a famosa Beatrice, qual a motivação do Conde Olaf, o que é e o que está dentro do maldito açucareiro? Os Quagmire estão vivos? Eles se reencontraram com os Baudelaire? Não. Não preciso saber de nada disso. É inteiramente dispensável.

Ah, e sentimento. Quem precisa disso? Eu não gosto de livros que me fazem criar tamanho vínculo com as personagens ao ponto de me acabar em lágrimas quando, talvez, só uma hipótese, estão na cadeia em pleno aniversário de um deles. Não. Isso nunca aconteceria, porque livros construídos para catarse entre leitor e personagem são os PIORES. Pessoas presentes nas histórias de seus livros não deveriam ser interessantes… relatos sobre corações partidos, o crescer forçado de uma criança fora de sua zona de conforto, não não, “O Menorzinho dos Elfos” com certeza é a melhor pedida. A constante provocação para certas hipóteses e a falta de respostas concretas que nos levam a raciocinar e nos envolver ativamente na história, não, BORING.

Pessoas nobres são sempre os mocinhos. Vilões são sempre os piores exemplos de espécimes a cruzar a terra. É assim e ninguém deve cometer a audácia de lançar um outro olhar a respeito. Nós gostamos de preto e branco. Bom é bom, mau é mau. Um meio termo é tão impossível de ser alcançado, nem sei porque as pessoas ainda tentam. Quem gostaria de ler sobre personagens humanos luz e trevas dentro de si… detestável! É BEM melhor não olhar… pessoas puras, recatadas e do lar como vocês sequer deveriam estar se dando ao trabalho de completar a leitura desta resenha. E eu sinto muito por você que… embora receba estas palavras, ainda assim irá desafiá-las e abrir estes livros… sinto do fundo do meu coração… você não merece conhecer tantos infortúnios, quando poderia estar satisfeito com histórias cheias de finais felizes…

E bem, se também ousar olhar acreditando que vai encontrar um final feliz…

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O mundo aqui é sereno.

Lemony Snicket à parte, leiam!!!!

xoxo

Os Irmãos Karamazóv

Ano passado, tive a primeira oportunidade de conhecer Fiódor Dostoiévski com “Crime e Castigo”. Sua literatura, como pude perceber, é recheada de indagações elevadas a respeito do espírito humano, especialmente a sua relação com o divino. No primeiro caso, como o verdadeiro castigo e a verdadeira salvação provém de Deus. Em “Os Irmãos Karámazov”, enquanto último romance escrito pelo autor, vemos serem levantadas ainda outro mar de questões: a separação entre o Estado e a igreja, por exemplo, que a partir da vivaz terceira onisciente pessoa de Dostoiévski – quase assemelhada a uma primeira – percebe-se ser algo desaprovado por ele.

Os irmãos Karamázov é o último romance de Dostoiévski. No fundo, ele resume toda a criatividade do escritor, trazendo à baila as “malditas” questões existenciais que o afligiram a vida inteira, com especial relevo para a flagrante degradação moral da humanidade afastada dos ideais cristãos. Cheia de peripécias, a narrativa põe em foco três protagonistas irmãos, representantes dos mais diversos aspectos da realidade russa – o libertino Dmítri, o niilista Ivan e o sublime Aliocha -, a fim de alumiar as profundezas insondáveis do coração entregue ao pecado corrompido por dúvidas ou transbordante de amor.

Esta obra foi dividida em 12 livros e mais um epílogo, se iniciando com uma pequena biografia desta família russa que deverá nos ajudar a entender o passado e caráter de nossos protagonistas, assim como as suas motivações. É muito raro que um livro me conquiste desde o prólogo e esta foi uma destas bem-vindas exceções. Nele, Dostoiévski deixa claro quem é o seu verdadeiro herói, Aliocha, contudo, conforme a narrativa vai progredindo, fica cada vez mais claro que este não deveria ser um livro solo. É possível que a ideia do autor foi a de separar esta história em dois volumes, porém sua saúde não permitiu dar fim ao plano. Como resultado, aparentemente, temos a história não de Aliocha, mas de Dmítri.

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Dmítri, Ivan, Aliocha

De início, uma certeza: Fiódor Pavlóvitch Karámazov é alguém de quem não gostamos. Personalidade repulsiva e corrupta. Casado duas vezes com mulheres que foram notadamente infelizes, a segunda sendo taxada como louca. Dmítri Mítia Karamázov sendo seu filho mais velho e fruto único de sua primeira relação matrimonial, ao passo que Ivan e Aliocha compartilham o sangue de sua mãe. O primeiro sempre teve a pior relação com o pai e talvez porque ambos possuem traços de lascívia em suas personalidades. Em todo caso, a criação de Dmítri fora deixada à cargo do criado mais velho da casa de Fiódor: Grigóri, que ironicamente viria a ser seu grande algoz no futuro. Por fim, a oportunidade para se livrar do filho surgiu com a chegada de um primo da mãe de Dmítri: Piotr Alexândrovitch Miússov, que o levou para viver em Paris consigo ao perceber a indiferença do pai para com o menino. Longe das vistas do pai, o primogênito cresceu cheio de ares por acreditar que era herdeiro de uma grande herança, agindo como um verdadeiro bon vivant. Seu pai, sempre preocupado de que seus filhos viessem lhe tomar dinheiro, resolveu punir a ganância do mais velho enviando-lhe pequenas somas de dinheiro. Chegado o momento do acerto de contas, quando este atingiu a maioridade, Fiódor revelou-lhe que aquela soma era tudo a que tinha direito, três mil rublos ao total, os quais já havia gasto. Assim, achava-se destituído. Tal situação inaceitável o levaria a tomar suas próximas decisões…

Seus outros dois irmãos, Ivan e Aliocha, apesar de dividirem o mesmo sangue e o mesmo lar, não poderiam ser mais diferentes… como a vida tende a nos ensinar. Ivan frequentou uma universidade e ao retornar para casa, levantando muitas contradições por todos que conheciam a família, passou a representar a consciência e o juiz para as rusgas entre o irmão mais velho e seu pai. Apesar de todas as chances, Fiódor parecia se dar bem com este filho. No entanto, salvo engano, o único de que realmente parecia gostar e dissera amar – o que todos diziam amar – era Aliocha. Um anjo na terra. Crescido, recolheu-se ao mosteiro de onde tomava os ensinamentos do alto sacerdote Padre Zózimo, a quem amou como seu mais querido professor. Alma gentil e caridosa, por quem as mulheres locais detinham o mais alto respeito e dirigiam seus dilemas. O plano de Aliocha sempre parecia ter sido, de fato, seguir os passos de seu mestre dentro do mosteiro. Contudo, no início da história descobrimos que Zózimo está enfermo, prestes a morrer e antes que isso ocorra, como um favor a Aliocha, juntos tentam conciliar o pai com os irmãos. A reunião, é claro, sai extremamente errada e ao seu final, Zózimo tem um ataque final ao olhar para Dmítri e aparentemente prever as próximas decisões que tomará… suas últimas palavras a seu pupilo são para que ele deixe o mosteiro, pois ele pertence ao mundo. Talvez, ele houvesse de fato previsto os fatos seguintes e queria se certificar de que Aliocha estaria lá para socorrer sua família.

Certamente, para alguém que tinha pretensões de seguir os passos filantrópicos de um sacerdote, o caçula dos irmãos Karámazov demonstra possuir, ainda que contidos e menos exorbitantes do que os de seu irmão mais velho e pai, sentimentos tidos como lascivos. Mítia chega a dizer para seu irmão que ele não está isento da luxúria que assola os homens da família. Assim, temos um momento em que Aliocha confessa estar apaixonado por Lisa, sua amiga de infância e esta lhe devolve o afeto. Ambos trocam promessas para o futuro, mas por algum motivo acabam não cumprindo-as. Lisa o chama de covarde… e não a vemos mais. Provavelmente esta porcentagem da história deveria receber um final melhor num segundo volume, mas algo de que podemos ter certeza é que a natureza de Lisa é muito mais mundana e contraditória se comparadas com a bondade inerente de Aliocha. Dostoiévski, durante o prólogo do livro, disse que Aliocha é um herói que fica à margem e que por isso seria difícil para as pessoas acreditarem nele como tal. De fato, especialmente quando toda a motivação aparente da história circunda pai e filho mais velho.

Pois bem. O grande x da questão aqui é: pai e filho estão de olho na mesma rapariga, *risos*. Uma moça de nascença e caráter duvidoso, mas que na verdade apenas sofreu muito com a vida e não gosta de se deixar enganar, mas de manipular um pouco as pessoas como forma de realização pessoal, talvez. Em todo caso, Agrafena Alexandrovna ou Gruchénka é o motivo de grande desquite entre pai e filho. Ela brinca com ambos, apesar de Dmítri amá-la de verdade. Mesmo assim, este procura uma herdeira, Katerina Ivanova, a fim de se casar com ela… mas acaba lhe roubando dinheiro que foi-lhe confiado por ela  para que enviasse uma carta a sua irmã em Petersburgo. A partir desse roubo, nasce um rombo no coração de Mítia que deseja apenas quitar essa dívida para ver-se livre de Katerina e recomeçar com Gruchénka – embora ela não tenha lhe feito promessa alguma de que pretendia se casar com ele. Todavia, Katerina está obcecada por Mítia, num misto de amor e boa samaritânisse… apesar de estar claro que na verdade seus sentimentos reais são para Ivan, o irmão do meio. Em todo caso, neste luta por Gruchénka, o filho põem-se em várias vigílias na casa do pai para assegurar-se de que sua amada não vai visitá-lo, vez que se o fizer… sangue vai escorrer do pescoço de alguém ali… e isso se repete ao longo das noites…

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Ivan e Katerina; Dmítri e Gruchénka; Lisa e Aliocha

 Entrementes, temos o encontro de Aliocha com os meninos de rua, a publicação do artigo de Ivan… algo análogo ao que o autor fizera em “Crime e Castigo”; utilizar-se de algo que um personagem teria escrito e que soasse contraditório ou revolucionário, a fim de expor sua própria visão acerca das grandes questões que o atormentavam. Neste caso, seria a existência de Deus, questionada a partir daquela célebre frase: se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo, de Voltaire, e que se estende para também se questionar o dever do amor ao próximo e que nos leva ao maior questionamento relacionado a esta obra:

ele (Ivan Fiodorovitch Karámazov) declarou em tom solene que em toda a face da terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu a lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiodorovitch acrescentou, entre parenteses, que é nisso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco, ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acredita em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve ser permitido ao homem mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre para a situação.

Então, se Deus não existe, tudo seria permitido? No entanto é muito bela a certeza que possui Aliocha de que ele, de fato, existe e que acaba convertendo algumas das pessoas que veem a cruzar seu caminho. Dentre estes estão os meninos de rua que acabam se familiarizando a Aliocha, muito embora este tenha possuído graves desavenças com um deles no início da história. Voltamo-nos, então, mais uma vez para o ciclo principal. Pai e filho e Gruchénka. Dmítri está cada vez mais desesperado em quitar sua dívida com Katerina, porém, acaba abrindo mão deste pedaço de si, desde que consiga arrumar os três mil rublos a que acredita ter direito e que também acredita terem sido roubados por seu pai, para fugir. Ele está dentro do jardim e vê seu pai olhando pela janela como se esperasse alguém. Mítia acredita que ele espera por Gruchénka, contudo, horas antes ele a havia escoltado para a casa de outra pessoa… ela não poderia ter mentido. Buscando sair para se assegurar, acaba sendo visto por Grigóri que o agarra e grita “Parricida”. Sem entender, Mítia tenta se livrar dele e o acaba ferindo gravemente na cabeça. Achando ter matado alguém, desespera-se e foge em busca de sua amada. Questiona a criada e acaba por fazer uma pequena viagem atrás de Gruchénka que partira atrás do homem que há muitos anos havia cuidado dela e por quem se apaixonara, um oficial Polonês.

Este que, contudo, acaba por tratá-la com indiferença frente a seus amigos em um bar. Finalmente, diante do estado de Mítia, ela aceita se casar com ele, afirmando-o que de fato o amara mais do que somente por uma hora. Ambos passam a noite no mesmo bar, com o mais velho Karámazov matutando sobre o homem que com certeza havia matado. Contudo, quando os oficiais os encontram a fim de prendê-lo, afirmam que fora seu pai quem ele matara. Alguém matara Fiódor Karamázov naqueles segundos em que ele estivera e não estivera na janela, não se sabe quem e suspeita-se de Smerdiakóv, suposto filho bastardo de Fiódor, criado por seus dois empregados e que teria todos os motivos para cometer tal assassinato devido a maneira como fora tratado durante seu tempo de servidão dentro da casa. Porém, de fato, nunca foi realmente descoberto quem e Mítia acaba sendo culpado quando é inocente… e nesse meio tempo, Ivan chega a enlouquecer… os motivos não irei revelar, porque quero que vocês leiam! O julgamento de Dmítri é maravilhoso! Para uma aluna de Direito ler, chega a ser um tapa na cara atrás de um tapa na cara, porque enquanto leitora, eu sei que ele é inocente, mas, se estivesse ali assistindo aquilo tudo… muito provavelmente, na falta de outro suspeito, visto que Smerdiakóv falece de um de seus ataques – ele era extremamente doente – logo após o ocorrido, também o teria chamado de culpado…

Que os juízes se interessavam pelo ocorrido não por um enlace moral envolvendo o caso ou pela pena que sentiam de Mítia, mas pelo simples fato de que aquele caso oferecia novas análises modernas para a jurídica russa e talvez mundial é… repugnante de certa forma. De fato, um estudioso, um cientista deve se animar frente a novas descobertas e os fatos que as propiciam a eles, mas, esquecer-se da própria humanidade das circunstâncias – como se espera que aconteça, tendo em vista a imparcialidade – foi um pequeno tapa na cara… pelo menos eu interpretei assim. E há uns tantos outros milhões de assuntos abordados dentro deste livro que, embora eu tenha gostado mais de “Crime e Castigo”, não posso não dizer que: enquanto obra da literatura mundial russa, “Os Irmãos Karámazov” é o romance melhor. Ele é mais rico. Mais forte. Portanto, não pode não ser lido.

dear january,

É muito bom retornar à responder as tags do Discípulas de Carrie e, para 2017, nossas meninas reimaginaram o conceito do nosso grupinho. Nossos “dear months” serão uma espécie de gazeta para enaltecer todos os meses do ano e aquilo que eles nos trouxeram de melhor para, ao final, fazermos um top 10. Bem, Fevereiro já chegou cheio de promessas, mas vale relembrar que Janeiro não passou em branco de jeito nenhum! Vamos então a minha cartinha de amor para este mês maravilindo de férias… o meu dear january:

*De Cabeceira

Nestas férias, tive o prazer de ler alguns livros pelos quais estivera sedenta durante o fim de semestre – faculdade, faculdade… – dentre eles, houve um que me acompanhou o mês inteiro, por sua profundidade e novecentas páginas. Os Irmãos Karamazóv de Fiódor Dostoiévski. Ano passado tive meu primeiro contato com a escrita deste autor que acabou se tornando um dos meus livros/autores favoritos da vida. Com este exemplar, embora a leitura tenha demorado mais para se concretizar, não foi diferente. O romancista russo de fato merece todo o aplauso, porém, irei me aprofundar num post dedicado apenas para a obra. Aguardem.

*Maratona

Janeiro foi o mês da alegria/tristeza, uma vez que várias das minhas séries amadas voltaram de seus hiatos; o que é sempre bom e ao mesmo tempo ruim – triste – porque essas séries me trazem altos sentimentos. Leia-se lágrimas. Em todo caso, apesar da quarta temporada de Sherlock ter sido marcante, já abri espaço para discutí-la: Até logo, Baker Street. E aliás, assisti os episódios aos poucos, conforme passavam na BBC – TV ONLINE EU TE AMO – o que foge um pouco do proposto. Logo, vou falar de uma série que realmente maratonei até falar chega, ou seja, até acabar. Desventuras em Série da Netflix. O que foi essa adaptação MARAVILHOSA???!!! OBRIGADA NETFLIX!!! Comprei o box dos livros para retomar minha leitura da série… e dos adaptados para a primeira temporada, só não havia lido o Serraria Baixo Astral, agora já estou começando o sétimo livro. Continue o bom trabalho Netflix, sua linda!

*Balde de Pipoca

City of stars… are you shining just for me? City of stars… there’s so much that I can’t see… Não entendeu? Saí do meu blog – brincadeirinha. FICA. VAI TER BOLO! – Enfim, eu fiz várias visitas ao cinema nessas férias. Contudo. La La Land. Não sei nem por onde começar a explicar… O FILME FOI FILMADO EM CINEMASCOPE QUE ME REMETEU AOS MEUS FILMES ANTIGOS FAVORITOS EM WIDESCREEN!! É UM FUCKING MUSICAL COM MAIS DO QUE DANCINHAS BROADWESCAS – NEOLOGISMO, SIM – UMA SENHORA CARTA DE INCENTIVO PARA SONHADORES COMO A MAMMA AQUI! A TRILHA SONORA COM O PIANO E O JAZZ… EU SÓ ESTOU ESCUTANDO A TRILHA DESSE FILME E NÃO VOU PARAR COM O CAPS LOCK. VÃO TER QUE ME ENGOLIR. E O QUANTO EU AMEI O QUÃO PALPAVELMENTE VERDADEIRO FOI AQUELE FINAL!! ARGH!!! PRECISO VER DE NOVO!!! E AS REFERÊNCIAS, ANALOGIAS, AOS CLÁSSICOS… AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

lalaland

*Na Web

Li tudo mesmo o que pude do blog da maravilhosa, encantadora, querida: Nina Spim. Nina é uma. A última resenha dela a respeito da obra Antologia Valquírias: as vozes femininas na literatura fantástica sobre como possuímos várias mulheres talentosíssimas no mundo escrevendo em seus universos fantásticos e não recebendo o devido conhecimento, e se reunindo numa obra para exaltar personagens femininas totalmente fortes ficou ó: um amor. GO READ!

*Arranhei o disco

Volte ao tópico Balde de Pipoca. Obrigada.

SÉRIO. VÃO VER LA LA LAND!!

*J. Child inspired

Gente… vou ficar devendo… eu não cozinho… poderia escrever um livro envolvendo os motivos, mas, se tem uma comida na minha vida que merece ser repetida com certeza é o fricassê de frango da minha mãe.

*Item divo

Balm da Maybelline. Acho que redescobri o significado de amor.

*Próximos Planos

Gente, Fevereiro. No primeiro dia eu já retornei para a minha vidinha linda de estudante de Direito. Obviamente os planos são: sobreviver a mais um semestre exercendo o motto da Lufa-lufa – minha casa mais linda – e trabalhar duro para atingir os resultados necessários, mas ao mesmo tmepo me permitir uns mimos como… Assistir à série sobre Joan Crawford e Bette Davis que estreia em Março. Fazer outra visita ao Teatro Renault para ter outra experiência mágica com o teatro musical… é, acho que isso. O resto a gente vai descobrindo no caminho, certo?

*Newsletter 

Confesso que mal acompanhei o mundo durante este mês, agora que estou ressurgindo das cinzas e… Meu Deus/Zeus/Merlin parem o mundo que eu quero descer… só o que tenho a dizer.

*Inspiração 

Como sempre, a minha inspiração provém dos meus amiguinhos queridos que me aguentam todos os dias. Em Janeiro, aqueles que mais me serviram de inspiração – sem desmerecer a gangue do Twitter, nunca desmerecendo esse povo GOURGEOUS – foram Diih Franco e Cecília Algayer, pois depois de meses com a pena criativa parada, elas me inspiraram a dar início ao meu há muito comentado projeto de fanfic para o meu casal de 2016: Queenie e Jacob de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Diih minha revisora, amiga, beta, glamourosa que pega na minha mão e ousa ter ideias comigo, frear algumas maluquices… Cecília que é uma das minhas escritoras favoritas e que super queria ler esse trabalho meu, e que através de suas palavras inspira as minhas. Beijos meninas!

Teve baum esse Janeiro. Vamos ver Fevereiro.

xoxo

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Mas só o tempo transforma

Um segundo. Cinco palavras.

Eu não quero ser bailarina.

Dez anos depois. Uma oração inteira.

Meu maior arrependimento foi não ter começado ballet quando menina.

Coisa engraçada, o tempo. Num momento nos faz feliz, no outro nos leva às copiosas lágrimas. Outra hora nos faz ansiar por agito, por vida. Noutro segundo requer silêncio e reclusão. Dizem que só ele cura. Na verdade, só ele transforma. Não existe, de fato, uma cura… é possível se curar de uma gripe, febre, enxaqueca… mas isso a que o ditado popular faz referência… isso não é algo que requeira cura. Apenas uma mudança de perspectiva. E sim, isso só o tempo concede. Mudança. Ele que é movimento inconstante e desafiador da lógica, vez que não tem pé nem cabeça, mas é. Um menino pode ser um homem e um homem pode ser um menino, a recíproca é verdadeira para as grandes meninas e pequenas mulheres; tudo vai depender da perspectiva do tempo. O gozador… frio, imperdoável gozador…

Ele poderia ter me sussurrado ao ouvido que eu deveria dançar ballet; que estava brincando comigo naquela idade, ao me dizer que isso era coisa de menininha fresquinha… Eterno gozador, só foi me revelar isso dez anos depois, quando me concedeu nova perspectiva; por me transformar. Pobre tempo, tão solitário e incompreendido quanto a morte, sua amiga mais íntima. Desejamos incansavelmente que ele fizesse mais por nós. Nos desse mais tempo… nunca é o bastante… e mesmo suas transformações parecem chegar tarde demais, pois as minhas articulações já se achavam rígidas demais para que eu conseguisse tocar o céu… ele me arrancou as pernas, mas me manteve o coração… o que raios eu haveria de ter feito para que me castigasse com o vil sentimento da impotência? Talvez, garantir-me o beijo da arte tenha sido seu golpe de misericórdia…

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Eis que tornou minha vida mais bela com os olhos de quem sonha; de quem um dia sonhou, mas ainda anseia e ama. Os pés de uma bailarina estão destruídos por ele; perfurados com cicatrizes de seus êxitos anteriores… provavelmente fora isso que se passara na cabeça de Einstein ao descobrir a sua relatividade; e não uma fórmula maluca de física. Pode até ser que haja física naquilo que a mantém sobre a ponta de seu pé, mas os olhos de quem sonha conseguem ver apenas o coração… O tempo já fez várias vítimas dessa maneira. Talvez por isso as salas de cinema, peças de teatro, sarais, apresentações de ballet estejam tão abarrotadas de público… Talvez essa seja a maneira mais dura de equilibrar o mundo… através do tempo e sua gozação, a sua eterna ironia… a sua inconstância…

Pois só o tempo transforma.


Esse texto faz parte do Pena & Tinta, um projeto de escrita criativa que tem como objetivo a criação de textos (crônicas, contos, poesias, relatos pessoais etc…) em cima de temas predeterminados mensalmente. Neste mês, escolhi o tema TEMPO.

Tem um blog e quer participar das próximas edições do Pena & Tinta? A gente está te esperando aqui: bit.ly/2dEXQEF 

xoxo

Até logo, Baker Street.

Este não vai ser um post curto e muito menos direto. Embora eu tenha esperado vários dias após o ocorrido que me trás a ele para compô-lo, ainda não acredito que meu raciocínio esteja totalmente descontaminado da forte emoção, ou seja, muito provavelmente eu não consiga ser imparcial e acabe dando um tiro no meu pé. Contudo, este é um texto – textão – que por diversos motivos precisa ser escrito. Ficar protelando não irá clarear minha mente e trazer o esclarecimento de que tanto preciso, me conheço muito bem para saber. Sendo assim, vamos, ao som de Postmodernjukebox, falar sobre a quarta temporada de Sherlock. Mais especificamente, o seu season finale.

Até o momento, já existem várias críticas, comentários de fãs, muito mais versados nas artes do que eu e muito mais capazes de clareza. Vamos tentar entender isso aqui como um desabafo que, quem sabe, eu também consiga passar alguma coisa, qualquer coisa a vocês que leem este blog. Gostaria de começar dizendo: Sherlock Holmes significa o mundo para mim. Foi a razão primordial para que um dia eu desejasse conhecer Londres, é o meu grande amor no mundo da literatura – mesmo com toda a polêmica circundando sua sexualidade – o propulsor da minha “carreira” como escritora amadora/autora de fanfics. O carro chefe na minha estante de romances policiais, um dos personagens mais interessantes já escritos, enfim, William Sherlock Scott Holmes penetrou tanto a minha existência que agora é parte da minha alma. E, citando Emily Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes: “Não posso viver sem a minha vida, não posso viver sem a minha alma!”

Não há quaisquer dúvidas de que esta tenha sido a última temporada e que foi a última vez que assistimos à novas nuances na atuação de Bennedict Cumberbatch, à novas tramas na vida de Holmes e Watson. Logo, a primeira dor que tive que enfrentar e ainda estou tentando superar, enquanto a trilha sonora crescia e os créditos subiam, foi o fato de que estava dizendo “adeus” para uma das melhores adaptações feitas acerca destes personagens seculares. Não a minha favorita, mérito este que sempre pertencerá a série da rede Granada de televisão de 1984, com Jeremy Brett no papel principal. As tantas adaptações existentes, assisti-as todas e a recente feita pela BBC, finalizada agora, realmente ousou em muitos aspectos, pecou em outros e trouxe várias referências que a tornaram uma das melhores séries da era. Abençoado seja Bennedict que homenageou em vários momentos o finado senhor Brett durante sua performance e ganhou seu lugar nos corações dos amantes do cânone, trazendo mais novos sherlockians para Baker Street.

Os casos sempre foram muito bem adaptados para o nosso presente a fim de criar-se algo inédito. A trilha sonora… a música de um filme, uma série, minissérie, é aquilo que irá ajudar a criar o tom do que estamos vendo; se existe algo sem o qual um ser humano como eu não consegue viver é a música, portanto, a meu ver, trata-se da primeira coisa a ser pensada a fim de enlaçar o imaginário e a empatia do telespectador. Não houve pecado nisso em Sherlock. Foi brando quando precisou ser, intenso e grandioso da mesma forma. O elenco escolhido a dedo também nunca decepcionou. O fato de que alguns fãs questionarem a “existência” desse ou daquele personagem não diminui o empenho que foi colocado em cada fala, em cada cena do seriado. Na verdade, me deixa imensamente abismada como o ódio ou o descaso que alguns fãs possuem sobre este ou outro membro do universo sherlockiano, muitas vezes os fazem rechaçar aqueles que deram vida a eles e que simplesmente seguiam um roteiro. Cada mínimo detalhe premeditado, uma equipe de produção ferrenha, paletas de cores que se alternavam a cada temporada… e, se vocês notaram, esta última foi extremamente corroída, o que ajudou a dar o tom de que tudo estava se fechando sobre nossos garotos e garotas, sim garotas… a senhora Hudson é a rainha dessa série, ai de quem falar o contrário!

Antes de passar para o próximo passo, só gostaria de dizer: BENNEDICT SEU ATORZÃO DA PORRA! Acho que isso resume muito do que poderia ser falado a respeito de sua atuação, mas, vamos tentar aqui… Jeremy Brett. O ator que todos os amantes de Sherlock Holmes afirmam: foi Sherlock Holmes. Não um performista. Não um ator. Ele era o Sherlock Holmes. E, tal qual Benne, nos trouxe várias faces da personalidade do detetive na era vitoriana; o que já demonstra grande marco, visto o que se poderia esperar de alguém interpretando a própria definição de gentleman para a Inglaterra Vitoriana. Contudo, Brett nos ofereceu um Holmes imponente, mas ao mesmo tempo brincalhão, elétrico e taciturno, frio e caloroso. Humano. Uma montanha russa. Do começo até o mais próximo do fim que conseguiu… para aqueles que não sabem, Jeremy sofria de distúrbio bipolar e, após a morte de sua esposa, seu quadro piorou muito… os últimos episódios da série são dolorosos de se assistir a qualquer um… a tradução mais dura possível de O show deve continuar. Acabou falecendo de uma falha no coração antes de concluir a gravação de todo o cânone, como esperava fazer a TV Granada. Bem, toda essa montanha russa que Brett nos ilustrou, como disse, Benne trouxe de volta e eu imagino como uma homenagem. Ao mesmo tempo, criou seu próprio estilo… os sorrisos, os pulinhos de excitação, o sarcasmo mais negro, ir só de lençol para o palácio de Buckingham…

E aqui passamos para o próximo passo. Antes de mais nada: eu sou uma pessoa que shippa. Eu shippei dentro do universo de Sherlock. Eu shippo dentro do próprio cânone. Eu criei uma personagem original para este mesmo fim, como demonstrado em outro post neste blog. Todavia, mesmo eu uma pessoa que shippa reconhece que: o que pode ou não ter tornado essa temporada ruim – não acho que foi, mas, para aqueles que acham isso, seu argumento não deve ser – não é o fato de que Sherlock e John não ficaram juntos VISIVELMENTE ou CANONICAMENTE. Houve queerbaiting? Houve. Mesmo eu que nunca shippei Johnlock – e não venha me chamar de homofóbica por isso – posso ver que sim, houve. Porém, isso diz mais sobre o “caráter” dos nossos autores do que sobre qualidade ou não de uma série. Minha opinião. O fato de que Moffat brincou com as nossas emoções durante todos esses anos não é motivo para tamanho ódio contra essa temporada que fecha um ciclo daquilo que sempre foi o ponto chave: Sherlock Holmes deixando de ser uma máquina (“sou um cérebro, Watson, o resto é mero apêndice”) para se tornar um ser humano, a GOOD ONE.

É sobre o crescimento de Sherlock que estávamos falando e isso não deixou a desejar em nenhum segundo! Meu Deus, você imaginaria a epítome do cavalheiro vitoriano sentado na cadeira de uma terapeuta?! A máquina pensante e fria abrindo seus horizontes e desenvolvendo laços inquebráveis com outros seres humanos? Sherlock finalmente chamando Lestrade de Greg?? Quebrando caixões porque magoou alguém? Não! Você não imaginaria! Mas foi isso que ganhamos e foi BONITO/MARAVILHOSO DEMAIS!! Porque, na minha opinião, como disse certa vez na minha ode à Downton Abbey, nada é mais gratificante do que assistir ao crescimento de uma pessoa. Na literatura é o que faz a história ganhar significado e os personagens adquirirem a empatia do público. Foi porque Sherlock Holmes não era o mesmo homem do Um Estudo em Vermelho quando caiu das cataratas no Problema Final que os fãs imploraram para que retornasse. E foi o desenvolvimento psicológico que Doyle deu a ele nos contos posteriores que o fez consagrado por muitos. Não foi um romance com John Watson, com Irene Adler, com Violet Hunter. Não. Foi o crescimento e amizade de dois homens… e aliás…

Sabe por que eu nunca consegui shippar Watson e Holmes? Entendam-me: você que acredita que eles tinham um envolvimento amoroso do tipo Erus, eu entendo o seu motivo. Eu respeito o seu ship. A sua opinião. Mas, eu, Ana Carolina nunca vou shippar porque: seria a mesma coisa que shippar Harry e Hermione, sabe por quê? Porque, aparentemente, duas pessoas não podem mais ter um laço profundo, uma cumplicidade majestosa e serem os melhores parceiros um do outro, a não ser que eles incontestavelmente, invariavelmente, sejam o interesse amoroso um do outro. A velha história do: não existe amizade entre homem e mulher. Entendem? John e Sherlock são o maior exemplo do universo de irmandade, de amizade sincera, de que “escolhemos uma família”. Claro, é muito bom pensar que a pessoa com quem vamos passar o resto da vida seja o nosso melhor amigo, mas, muitas vezes, não é assim! Então, podemos ter os Harrys e as Hermiones; as Marys e os Toms, os Victors e as Emilys, os Johns e os Sherlocks! Eu nem quero imaginar o que teria acontecido se o Percy e a Annabeth não tivessem ficado juntos no final… Está faltando mais BROTPS e menos OTPS. Nesse quesito, a série foi muito ampla e nos deu a chance de acharmos o que quiséssemos, porque foi justamente o que o Doyle fez… nada nunca foi claro. Apenas teorizadores recentes levantaram as primeiras hipóteses e, quotando a mim mesma de outro texto: “Não por preconceito, creio eu, mas porque, nesse caso, “não saber” é o que torna Sherlock Holmes, Sherlock Holmes.”

No mesmo texto em que digitei essas palavras acima, disse que houve, certa vez, tentativa de fazer algo com Sherlock e John como casal e os donos dos direitos do cânone vetaram porque isso nunca foi especificado pelo Arthur Conan Doyle. É preciso que se respeite a obra do autor, não é? E, na minha opinião, isso é o mínimo a ser observado, visto que não compõe algo de grande diferença para o andamento do que é mais importante. Resumindo: seu ship não ter virado canon não diminui o valor dessa série e você pode shippar quem você quiser. Apenas não deixe seu amor pelo amor de outra pessoa te cegar, coleguinha.

Enfim, passamos para o ponto que mais me atingiu nessa série… as mulheres de Moffat e como foram usadas, em relação ao canon. À exceção, talvez, da Senhora Hudson? Que no cânone era uma figura de proa e na série ganhou uma personalidade mais ativa: “I’m not your Housekeeper”, ex-esposa de um chefe de tráfico, dona de um carrão, vastas propriedades, aponta uma arma como ninguém, ouve rock pesado enquanto passa o aspirador… posso estar desejando uma série só dela? Enfim, talvez com exceção da Senhora Hudson… não podemos dizer que o senhor Moffat seja a pessoa mais… abençoada? Quando se fala em escrever personagens femininas e usá-las de forma positiva. Arthur Conan Doyle nos presenteou com vários nomes – várias Violets – no cânone e que, embora não fossem protagonistas ou recorrentes, não deixavam de ser veneradas e bem quistas ou mesmo vilãs belamente ardilosas. Isadora Klein em “The Three Gables”. Violet Hunter. Porém, vamos primeiro analisar a personagem presente na série da BBC e no cânone: Irene Adler.

Direto ao ponto. No conto “Um Escândalo na Boêmia”, Irene Adler consegue enganar Holmes completamente e este perde para ela, não sendo capaz de recuperar a foto comprometedora que tirara com o Rei. No episódio “Um Escândalo em Belgravia” Irene é utilizada para despertar discussões acerca da sexualidade de Holmes, tal qual sua irmã do cânone, mas de formas distintas, e embora seja uma personagem igualmente de personalidade forte, Moffat simplesmente não permitiu que nosso amado detetive tivesse seu momento de derrota. Houve uma derrocada, mas, para segundos seguintes fazê-lo se reerguer novamente, impiedoso, mas vitorioso. A grande aventureira e atriz Irene Adler, de memória duvidosa, mas de importância suficiente para render uma série de livros próprios para outros autores e mesmo outra trilogia recentemente resenhada por mim, perdera seu grande trunfo: Sherlock Holmes fora derrotado x vezes no cânone, uma delas, ele admite, por uma mulher. Contudo, na série da BBC, embora Holmes possa ter seus defeitos enquanto ser humano, estes não se estendem em absoluto para seu trabalho. Inconclusivo, mas nunca um perdedor. Esse pequeno ocorrido, essa vitória de Adler a tornara A Mulher, o que revela certa prepotência da parte de Holmes, pois, ela se destacaria do sexo em geral vez que fora a única capaz de derrotá-lo. Entre Pulver e Cumberbatch, no entanto, ela se destacara como A Mulher porque… por quê? A Irene de Doyle, até onde eu sei, é considerada um modelo feminista, especialmente por ter sido criada por um homem e na época na qual fora escrita, a de Moffat poderia ser chamada assim por abraçar sua sexualidade e não possuir body shame? Mas apenas isto, tendo em vista que um de seus maiores “traços de caráter” fora substituído por uma cena, admito, com excelente atuação e trilha sonora, seria suficiente para torná-la A Mulher outra vez?

 Não consigo chegar numa resposta. Adoraria saber a opinião de vocês. Seguindo temos: Molly Hooper. Sim, vou colocar o dedo na ferida. Eles mesmos fizeram isso comigo quando não fizeram um funko para ela. A senhorita Hooper que não fora escrita para ser uma personagem oficial, mas, que permaneceu devido ao brilhantismo na atuação de Louise Brealey, tornou-se um dos melhores exemplos de catarse da história. Uma personagem simples, mas complexa, humana. O oposto de Adler, a femme fatale. Amor não correspondido, mas amizade incondicional, desprendimento para tentar seguir em frente. Que, após ter ganhado certo destaque na vida de Sherlock, eu esperava que também fosse ganhar mais respeito e screen time dos roteiristas, mas, não. Sua participação nos dois primeiros episódios da série foi mínima… e quando finalmente a tivemos de volta como influência… depois de um noivado quebrado, talvez outros relacionamentos… foi para que partíssemos seu coração novamente? É claro que ela sempre amaria Sherlock, mas é doloroso ver como tiraram proveito disso para quebrá-la; foi a minha reclamação com o final da temporada: eu queria um pedido de desculpas, uma explicação, algo que justificasse a entrada dela em Baker Street com aquele sorrisão! Visivelmente, Holmes ficou aborrecido pelo que fez – quebrou um caixão e tudo o mais – mas, e Molly? Me enojou muito as palavras seguintes de Moffat para uma coletiva: “Ela provavelmente saiu para tomar um drink, transou com alguém, eu não sei. Molly estava bem”. O senhor conhece alguma coisa… qualquer coisa, sobre o coração humano?

Você que passou anos da sua vida amando uma pessoa, sendo forte o bastante para tentar seguir em frente e ainda manter um vínculo de amizade saudável com a dita pessoa, faria e fez tudo que pôde por ela… ao ser usada daquela forma – porque, afinal, Molly não sabia o que o eu te amo significava no momento – forçada a revisitar aqueles sentimentos que nada mais trouxeram do que frustração e graças àquele que, tudo bem, apesar de não corresponder aos seus sentimentos, parecia finalmente ter entendido que você é um ser humano que importa. Bem, depois dessa montanha russa, de ser quebrada novamente, depois de um péssimo dia, de enfrentar um fantasma deste tamanho… você iria sair para tomar um drink? Iria dormir com outra pessoa?? Por despeito?? What?? O senhor sequer conhece a personagem que diz ter escrito?? Dizem por aí que: Molly deveria estar morta dentro do caixão e que isso foi demais e que eles foram obrigados a reescrever… assim?? Usando-a apenas para ter seu coração partido mais uma vez? Eu não consigo colocar em palavras… me ajudem!! O que concluo apenas é que Moffat não sabe usar as mulheres que escreve ou talvez devesse ser proibido de escrevê-las.

No entanto, ainda assim, eu consegui aproveitar outras partes do que me foi oferecido… os irmãos Holmes tocando violino, se comunicando através da música porque ela possui este poder… os garotos de Baker Street, o monólogo final da Mary que, apesar da dubiedade de uma ou duas linhas, resumiu muito bem e fechou gloriosamente. Embora eu desejasse por um melhor fechamento a outros personagens, foi um final… e um final que nos permite sonhar com, sei lá, assim como Gilmore Girls, um revival algum dia… mais episódios dali alguns anos? Aventuras sempre existirão para os garotos de Baker Street e nem que seja pela minha própria pena, eu irei visitá-los… porque não posso viver sem a minha vida, não posso viver sem a minha alma…

P.S: Está claro que não consegui dizer tudo, me faltam palavras… sintam-se livres a complementar, criticar… sejam livres!

xoxo