Até logo, Baker Street.

Este não vai ser um post curto e muito menos direto. Embora eu tenha esperado vários dias após o ocorrido que me trás a ele para compô-lo, ainda não acredito que meu raciocínio esteja totalmente descontaminado da forte emoção, ou seja, muito provavelmente eu não consiga ser imparcial e acabe dando um tiro no meu pé. Contudo, este é um texto – textão – que por diversos motivos precisa ser escrito. Ficar protelando não irá clarear minha mente e trazer o esclarecimento de que tanto preciso, me conheço muito bem para saber. Sendo assim, vamos, ao som de Postmodernjukebox, falar sobre a quarta temporada de Sherlock. Mais especificamente, o seu season finale.

Até o momento, já existem várias críticas, comentários de fãs, muito mais versados nas artes do que eu e muito mais capazes de clareza. Vamos tentar entender isso aqui como um desabafo que, quem sabe, eu também consiga passar alguma coisa, qualquer coisa a vocês que leem este blog. Gostaria de começar dizendo: Sherlock Holmes significa o mundo para mim. Foi a razão primordial para que um dia eu desejasse conhecer Londres, é o meu grande amor no mundo da literatura – mesmo com toda a polêmica circundando sua sexualidade – o propulsor da minha “carreira” como escritora amadora/autora de fanfics. O carro chefe na minha estante de romances policiais, um dos personagens mais interessantes já escritos, enfim, William Sherlock Scott Holmes penetrou tanto a minha existência que agora é parte da minha alma. E, citando Emily Brontë em O Morro dos Ventos Uivantes: “Não posso viver sem a minha vida, não posso viver sem a minha alma!”

Não há quaisquer dúvidas de que esta tenha sido a última temporada e que foi a última vez que assistimos à novas nuances na atuação de Bennedict Cumberbatch, à novas tramas na vida de Holmes e Watson. Logo, a primeira dor que tive que enfrentar e ainda estou tentando superar, enquanto a trilha sonora crescia e os créditos subiam, foi o fato de que estava dizendo “adeus” para uma das melhores adaptações feitas acerca destes personagens seculares. Não a minha favorita, mérito este que sempre pertencerá a série da rede Granada de televisão de 1984, com Jeremy Brett no papel principal. As tantas adaptações existentes, assisti-as todas e a recente feita pela BBC, finalizada agora, realmente ousou em muitos aspectos, pecou em outros e trouxe várias referências que a tornaram uma das melhores séries da era. Abençoado seja Bennedict que homenageou em vários momentos o finado senhor Brett durante sua performance e ganhou seu lugar nos corações dos amantes do cânone, trazendo mais novos sherlockians para Baker Street.

Os casos sempre foram muito bem adaptados para o nosso presente a fim de criar-se algo inédito. A trilha sonora… a música de um filme, uma série, minissérie, é aquilo que irá ajudar a criar o tom do que estamos vendo; se existe algo sem o qual um ser humano como eu não consegue viver é a música, portanto, a meu ver, trata-se da primeira coisa a ser pensada a fim de enlaçar o imaginário e a empatia do telespectador. Não houve pecado nisso em Sherlock. Foi brando quando precisou ser, intenso e grandioso da mesma forma. O elenco escolhido a dedo também nunca decepcionou. O fato de que alguns fãs questionarem a “existência” desse ou daquele personagem não diminui o empenho que foi colocado em cada fala, em cada cena do seriado. Na verdade, me deixa imensamente abismada como o ódio ou o descaso que alguns fãs possuem sobre este ou outro membro do universo sherlockiano, muitas vezes os fazem rechaçar aqueles que deram vida a eles e que simplesmente seguiam um roteiro. Cada mínimo detalhe premeditado, uma equipe de produção ferrenha, paletas de cores que se alternavam a cada temporada… e, se vocês notaram, esta última foi extremamente corroída, o que ajudou a dar o tom de que tudo estava se fechando sobre nossos garotos e garotas, sim garotas… a senhora Hudson é a rainha dessa série, ai de quem falar o contrário!

Antes de passar para o próximo passo, só gostaria de dizer: BENNEDICT SEU ATORZÃO DA PORRA! Acho que isso resume muito do que poderia ser falado a respeito de sua atuação, mas, vamos tentar aqui… Jeremy Brett. O ator que todos os amantes de Sherlock Holmes afirmam: foi Sherlock Holmes. Não um performista. Não um ator. Ele era o Sherlock Holmes. E, tal qual Benne, nos trouxe várias faces da personalidade do detetive na era vitoriana; o que já demonstra grande marco, visto o que se poderia esperar de alguém interpretando a própria definição de gentleman para a Inglaterra Vitoriana. Contudo, Brett nos ofereceu um Holmes imponente, mas ao mesmo tempo brincalhão, elétrico e taciturno, frio e caloroso. Humano. Uma montanha russa. Do começo até o mais próximo do fim que conseguiu… para aqueles que não sabem, Jeremy sofria de distúrbio bipolar e, após a morte de sua esposa, seu quadro piorou muito… os últimos episódios da série são dolorosos de se assistir a qualquer um… a tradução mais dura possível de O show deve continuar. Acabou falecendo de uma falha no coração antes de concluir a gravação de todo o cânone, como esperava fazer a TV Granada. Bem, toda essa montanha russa que Brett nos ilustrou, como disse, Benne trouxe de volta e eu imagino como uma homenagem. Ao mesmo tempo, criou seu próprio estilo… os sorrisos, os pulinhos de excitação, o sarcasmo mais negro, ir só de lençol para o palácio de Buckingham…

E aqui passamos para o próximo passo. Antes de mais nada: eu sou uma pessoa que shippa. Eu shippei dentro do universo de Sherlock. Eu shippo dentro do próprio cânone. Eu criei uma personagem original para este mesmo fim, como demonstrado em outro post neste blog. Todavia, mesmo eu uma pessoa que shippa reconhece que: o que pode ou não ter tornado essa temporada ruim – não acho que foi, mas, para aqueles que acham isso, seu argumento não deve ser – não é o fato de que Sherlock e John não ficaram juntos VISIVELMENTE ou CANONICAMENTE. Houve queerbaiting? Houve. Mesmo eu que nunca shippei Johnlock – e não venha me chamar de homofóbica por isso – posso ver que sim, houve. Porém, isso diz mais sobre o “caráter” dos nossos autores do que sobre qualidade ou não de uma série. Minha opinião. O fato de que Moffat brincou com as nossas emoções durante todos esses anos não é motivo para tamanho ódio contra essa temporada que fecha um ciclo daquilo que sempre foi o ponto chave: Sherlock Holmes deixando de ser uma máquina (“sou um cérebro, Watson, o resto é mero apêndice”) para se tornar um ser humano, a GOOD ONE.

É sobre o crescimento de Sherlock que estávamos falando e isso não deixou a desejar em nenhum segundo! Meu Deus, você imaginaria a epítome do cavalheiro vitoriano sentado na cadeira de uma terapeuta?! A máquina pensante e fria abrindo seus horizontes e desenvolvendo laços inquebráveis com outros seres humanos? Sherlock finalmente chamando Lestrade de Greg?? Quebrando caixões porque magoou alguém? Não! Você não imaginaria! Mas foi isso que ganhamos e foi BONITO/MARAVILHOSO DEMAIS!! Porque, na minha opinião, como disse certa vez na minha ode à Downton Abbey, nada é mais gratificante do que assistir ao crescimento de uma pessoa. Na literatura é o que faz a história ganhar significado e os personagens adquirirem a empatia do público. Foi porque Sherlock Holmes não era o mesmo homem do Um Estudo em Vermelho quando caiu das cataratas no Problema Final que os fãs imploraram para que retornasse. E foi o desenvolvimento psicológico que Doyle deu a ele nos contos posteriores que o fez consagrado por muitos. Não foi um romance com John Watson, com Irene Adler, com Violet Hunter. Não. Foi o crescimento e amizade de dois homens… e aliás…

Sabe por que eu nunca consegui shippar Watson e Holmes? Entendam-me: você que acredita que eles tinham um envolvimento amoroso do tipo Erus, eu entendo o seu motivo. Eu respeito o seu ship. A sua opinião. Mas, eu, Ana Carolina nunca vou shippar porque: seria a mesma coisa que shippar Harry e Hermione, sabe por quê? Porque, aparentemente, duas pessoas não podem mais ter um laço profundo, uma cumplicidade majestosa e serem os melhores parceiros um do outro, a não ser que eles incontestavelmente, invariavelmente, sejam o interesse amoroso um do outro. A velha história do: não existe amizade entre homem e mulher. Entendem? John e Sherlock são o maior exemplo do universo de irmandade, de amizade sincera, de que “escolhemos uma família”. Claro, é muito bom pensar que a pessoa com quem vamos passar o resto da vida seja o nosso melhor amigo, mas, muitas vezes, não é assim! Então, podemos ter os Harrys e as Hermiones; as Marys e os Toms, os Victors e as Emilys, os Johns e os Sherlocks! Eu nem quero imaginar o que teria acontecido se o Percy e a Annabeth não tivessem ficado juntos no final… Está faltando mais BROTPS e menos OTPS. Nesse quesito, a série foi muito ampla e nos deu a chance de acharmos o que quiséssemos, porque foi justamente o que o Doyle fez… nada nunca foi claro. Apenas teorizadores recentes levantaram as primeiras hipóteses e, quotando a mim mesma de outro texto: “Não por preconceito, creio eu, mas porque, nesse caso, “não saber” é o que torna Sherlock Holmes, Sherlock Holmes.”

No mesmo texto em que digitei essas palavras acima, disse que houve, certa vez, tentativa de fazer algo com Sherlock e John como casal e os donos dos direitos do cânone vetaram porque isso nunca foi especificado pelo Arthur Conan Doyle. É preciso que se respeite a obra do autor, não é? E, na minha opinião, isso é o mínimo a ser observado, visto que não compõe algo de grande diferença para o andamento do que é mais importante. Resumindo: seu ship não ter virado canon não diminui o valor dessa série e você pode shippar quem você quiser. Apenas não deixe seu amor pelo amor de outra pessoa te cegar, coleguinha.

Enfim, passamos para o ponto que mais me atingiu nessa série… as mulheres de Moffat e como foram usadas, em relação ao canon. À exceção, talvez, da Senhora Hudson? Que no cânone era uma figura de proa e na série ganhou uma personalidade mais ativa: “I’m not your Housekeeper”, ex-esposa de um chefe de tráfico, dona de um carrão, vastas propriedades, aponta uma arma como ninguém, ouve rock pesado enquanto passa o aspirador… posso estar desejando uma série só dela? Enfim, talvez com exceção da Senhora Hudson… não podemos dizer que o senhor Moffat seja a pessoa mais… abençoada? Quando se fala em escrever personagens femininas e usá-las de forma positiva. Arthur Conan Doyle nos presenteou com vários nomes – várias Violets – no cânone e que, embora não fossem protagonistas ou recorrentes, não deixavam de ser veneradas e bem quistas ou mesmo vilãs belamente ardilosas. Isadora Klein em “The Three Gables”. Violet Hunter. Porém, vamos primeiro analisar a personagem presente na série da BBC e no cânone: Irene Adler.

Direto ao ponto. No conto “Um Escândalo na Boêmia”, Irene Adler consegue enganar Holmes completamente e este perde para ela, não sendo capaz de recuperar a foto comprometedora que tirara com o Rei. No episódio “Um Escândalo em Belgravia” Irene é utilizada para despertar discussões acerca da sexualidade de Holmes, tal qual sua irmã do cânone, mas de formas distintas, e embora seja uma personagem igualmente de personalidade forte, Moffat simplesmente não permitiu que nosso amado detetive tivesse seu momento de derrota. Houve uma derrocada, mas, para segundos seguintes fazê-lo se reerguer novamente, impiedoso, mas vitorioso. A grande aventureira e atriz Irene Adler, de memória duvidosa, mas de importância suficiente para render uma série de livros próprios para outros autores e mesmo outra trilogia recentemente resenhada por mim, perdera seu grande trunfo: Sherlock Holmes fora derrotado x vezes no cânone, uma delas, ele admite, por uma mulher. Contudo, na série da BBC, embora Holmes possa ter seus defeitos enquanto ser humano, estes não se estendem em absoluto para seu trabalho. Inconclusivo, mas nunca um perdedor. Esse pequeno ocorrido, essa vitória de Adler a tornara A Mulher, o que revela certa prepotência da parte de Holmes, pois, ela se destacaria do sexo em geral vez que fora a única capaz de derrotá-lo. Entre Pulver e Cumberbatch, no entanto, ela se destacara como A Mulher porque… por quê? A Irene de Doyle, até onde eu sei, é considerada um modelo feminista, especialmente por ter sido criada por um homem e na época na qual fora escrita, a de Moffat poderia ser chamada assim por abraçar sua sexualidade e não possuir body shame? Mas apenas isto, tendo em vista que um de seus maiores “traços de caráter” fora substituído por uma cena, admito, com excelente atuação e trilha sonora, seria suficiente para torná-la A Mulher outra vez?

 Não consigo chegar numa resposta. Adoraria saber a opinião de vocês. Seguindo temos: Molly Hooper. Sim, vou colocar o dedo na ferida. Eles mesmos fizeram isso comigo quando não fizeram um funko para ela. A senhorita Hooper que não fora escrita para ser uma personagem oficial, mas, que permaneceu devido ao brilhantismo na atuação de Louise Brealey, tornou-se um dos melhores exemplos de catarse da história. Uma personagem simples, mas complexa, humana. O oposto de Adler, a femme fatale. Amor não correspondido, mas amizade incondicional, desprendimento para tentar seguir em frente. Que, após ter ganhado certo destaque na vida de Sherlock, eu esperava que também fosse ganhar mais respeito e screen time dos roteiristas, mas, não. Sua participação nos dois primeiros episódios da série foi mínima… e quando finalmente a tivemos de volta como influência… depois de um noivado quebrado, talvez outros relacionamentos… foi para que partíssemos seu coração novamente? É claro que ela sempre amaria Sherlock, mas é doloroso ver como tiraram proveito disso para quebrá-la; foi a minha reclamação com o final da temporada: eu queria um pedido de desculpas, uma explicação, algo que justificasse a entrada dela em Baker Street com aquele sorrisão! Visivelmente, Holmes ficou aborrecido pelo que fez – quebrou um caixão e tudo o mais – mas, e Molly? Me enojou muito as palavras seguintes de Moffat para uma coletiva: “Ela provavelmente saiu para tomar um drink, transou com alguém, eu não sei. Molly estava bem”. O senhor conhece alguma coisa… qualquer coisa, sobre o coração humano?

Você que passou anos da sua vida amando uma pessoa, sendo forte o bastante para tentar seguir em frente e ainda manter um vínculo de amizade saudável com a dita pessoa, faria e fez tudo que pôde por ela… ao ser usada daquela forma – porque, afinal, Molly não sabia o que o eu te amo significava no momento – forçada a revisitar aqueles sentimentos que nada mais trouxeram do que frustração e graças àquele que, tudo bem, apesar de não corresponder aos seus sentimentos, parecia finalmente ter entendido que você é um ser humano que importa. Bem, depois dessa montanha russa, de ser quebrada novamente, depois de um péssimo dia, de enfrentar um fantasma deste tamanho… você iria sair para tomar um drink? Iria dormir com outra pessoa?? Por despeito?? What?? O senhor sequer conhece a personagem que diz ter escrito?? Dizem por aí que: Molly deveria estar morta dentro do caixão e que isso foi demais e que eles foram obrigados a reescrever… assim?? Usando-a apenas para ter seu coração partido mais uma vez? Eu não consigo colocar em palavras… me ajudem!! O que concluo apenas é que Moffat não sabe usar as mulheres que escreve ou talvez devesse ser proibido de escrevê-las.

No entanto, ainda assim, eu consegui aproveitar outras partes do que me foi oferecido… os irmãos Holmes tocando violino, se comunicando através da música porque ela possui este poder… os garotos de Baker Street, o monólogo final da Mary que, apesar da dubiedade de uma ou duas linhas, resumiu muito bem e fechou gloriosamente. Embora eu desejasse por um melhor fechamento a outros personagens, foi um final… e um final que nos permite sonhar com, sei lá, assim como Gilmore Girls, um revival algum dia… mais episódios dali alguns anos? Aventuras sempre existirão para os garotos de Baker Street e nem que seja pela minha própria pena, eu irei visitá-los… porque não posso viver sem a minha vida, não posso viver sem a minha alma…

P.S: Está claro que não consegui dizer tudo, me faltam palavras… sintam-se livres a complementar, criticar… sejam livres!

xoxo

Precisamos falar sobre 2016…

What a fucking year this was. Perdoem o meu francês. Mas sério, esse foi sem a menor dúvida o ano mais controverso, cheio de altos e baixos de toda a minha existência. Refletindo comigo mesma, eu tenho todos os motivos para falar super mal de 2016, mas, ao mesmo tempo todos os motivos para falar super bem! Então, vamos lá? Juntem-se a mim nesta retrospectiva do melhor/pior ano de nossas vidas, afinal, não existe um ser humano na terra capaz de afirmar que 2016 foi SUPER MARAVILHOSO, MEU DEUS MELHOR ANO DA MINHA VIDA, NÃO ACONTECEU NADA DE RUIM!! E, se você estiver lendo e já se preparando para falar isso nos comentários… por favor, não seja essa pessoa. Não seja a diferentona estagiária de Machado de Assis; esse é o meu trabalho. Obrigada. De nada.

Todo ano eu faço maratonas de duas séries: Friends e How I Met Your Mother. Sim, um pouco dos dois mundos. Dessa vez, a segunda foi a que eu vi quando já estava de férias da faculdade e a primeira eu fui intercalando com as minhas várias horas protelando os estudos porque… bem, porque Phoebe Buffay me inspira a pensar. E Chandler Bing é quem eu preciso ter ao meu lado durante os anos escolares desde a primeira vez que ouvi: I’m not great at the advice. Can I interest you in a sarcastic comment? Enfim, eu sou aquele tipo de pessoa que sempre busca morais para a sua vida baseada nas escolhas de personagens ficcionais. Irresponsável? Talvez. Mas I give Love a Bad Name está tocando no momento em homenagem a Barney Stinson e eu não me arrependo. E especialmente sobre How I Met Your Mother nós temos um nome na ponta da língua quando o assunto são morais. Ted Mosby.

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Nunca me enganei. Eu sou uma Robin Scherbatsky. Porém, 2016 fez de mim uma Ted Mosby, com a mais absoluta certeza! E, na vida do Ted existiu um ano… 2009… que acabou virando um dos melhores episódios ever da série, o final da quarta temporada, e que nos rendeu essa quote:

That was the year I got left at the altar. It was the year I got knocked out by a crazy bartender. The year I got fired. The year I got beat up by a goat, a girl goat at that. And dammit, if it wasn’t the best year of my life.

Ted fez sua análise, apenas com os aspectos ruins daquele ano e ainda assim chegou a conclusão de que fora o melhor de sua vida. Sendo bem clichê: porque são as coisas ruins que vão fortalecer seu foco para chegar ao melhor resultado. Vejamos, então, esse foi o ano em que eu tive o menor aproveitamento ever de uma matéria que eu gosto na faculdade, sem falar que foi o ano em que repeti sem parar com meus colegas sobre como ambos os semestres haviam sido… ruins. Ruins mesmo. Esse foi o ano em que mais me coloquei para dormir depois de sentar por horas chorando. Foi o ano em que mais duvidei da minha capacidade e do que queria para a minha vida, mesmo estando a essa altura do campeonato. Foi o ano em que acordei em um mundo sem Alan Rickman, Debbie Reynolds ou Carrie Fisher; sim, isso deixou meu 2016 muito triste. Foi o ano em que tudo sempre parecia dar errado, mesmo quando eu me matava para dar certo…

Também foi o ano em que, pela primeira vez na minha vida, matei aula para viajar para São Paulo e assistir, também pela primeira vez, o musical Wicked. Sem esperar nada de ninguém, planejei tudo… correu tudo mais ou menos como o esperado, mas, foi melhor. Aliás, foi a noite em que recuperei meu amor pelo teatro, pela arte. Foi o ano em que abri minha conta no smule e descobri como trabalhar a minha ansiedade de uma forma que não precisasse correr para o hospital ao menor sinal de tensão: cantando em alto e bom tom/som. Foi o ano em que fiz milhares de novas amizades por causa disso. Foi o ano em que meu amigo me disse que ia ter uma palestra com a Ellen Degeneres; e eu pirei. Foi o ano em que me fantasiei de Bellatrix Lestrage pela primeira vez em anos e gritei pelo shopping que matara Sirius Black again. Foi o ano em que ganhei o segundo lugar de um concurso de cosplay e fiz mais amizades por causa disso. Foi o ano em que cheguei ao fundo do poço e encontrei o caminho para cima. Foi o ano em que o In My Own Little Corner fez um ano de vida e, que surpresa, eu não havia desistido dele com apenas 3 meses.

Foi o ano que li E o Vento Levou e descobri meu novo livro e filme favorito. Foi o ano em que voltei de vez para o Twitter e só tive a ganhar com isso… porque a mãe de uma amiga que fiz lá, tirou snap da Maggie Smith e mandou para nós… então, também foi o ano em que vi a Maggie Smith fazendo compras. Foi o ano em que finalmente entendi e me apaixonei pelo final de How I Met Your Mother, aliás. Foi o ano em que voltei a fazer aulas de piano. Foi o ano em que descobri que também possuo minhas Padfoot e Prongs, porque sou a Moony. Foi o ano em que recomecei a ler Guerra e Paz, e vi Cormoran Strike chegar de penetra no casamento da Robin Ellacott e ela dizer “aceito” olhando para ele e não para seu noivo… MEUS DEUSES, VÃO LER CARREIRA PARA O MAL! Ah, também foi o ano em que Apolo, o Deus, foi primeira pessoa num livro do Rick Riordan e foi LEGENDARY PORQUE DESCOBRI QUE ZEUS TEM SNAPCHAT! ASUHAUSHAUSHAU Nem sei porque ainda acho isso engraçado.

Foi o ano da melhor reunião de natal de todos os tempos, com o melhor amigo oculto de todos os tempos, com as melhores piadas e referências de todos os tempos. E foi o ano em que a magia voltou… Animais Fantásticos e Onde Habitam nos trouxe de volta para casa e com ele veio Newt Scamander, Jacob Kowalski, as irmãs Goldstein, Porpentina e Queenie – a minha nova personagem favorita da vida! Aviso que no futuro teremos cosplay, porque sou dessas. Um filme que superou minhas expectativas enquanto fã e admiradora da genialidade de JK Rowling e que me fez chorar de nostalgia. Pela personagem que poderia ter sido apenas um rostinho bonito generalizado e sem importância, mas que foi muito mais e agora ninguém mais vai ligar para Dolores Umbridge quando falarem em rosa no universo de Harry Potter. FOI O ANO EM QUE DEUS FOI MARAVILHOSO E ELA ENTROU NA PADARIA!!! ❤

tumblr_ohirktdrpe1vzorbeo9_1280

tumblr_oh8w8q1zm81tnrb35o1_1280Ano dessas fanarts maravilhosas em que todos me marcaram no facebook porque me conhecem bem e estavam lá quando, após o filme, fiquei meia hora falando de nada mais do que Queenie e Jacob… ❤

O ano em que velhas amizades foram resgatadas, atuais foram colocadas à prova e sobreviveram, e novas conquistadas…

Sim, tivemos grandes perdas e reviravoltas este ano… mas, pensando como Sabrina Fairchild, foi um ano em que a vida aconteceu… e não pudemos fugir dela… e, de fato, 2017, you’ll have some very large shoes to fill…

emily blunt the devil wears prada emily charlton
Nós somos a Emily com as muletas…

 

Feliz Ano Novo, meus queridos… quem quer que esteja lendo este post. Espero continuar com vocês em 2017!!

xoxo

Nós Somos as Crystal Gems

Tem se tornado o sentimento comum entre a presente geração acreditar que crescemos com os melhores contos animados para a televisão; que por não termos passado pela febre ensandecida da Peppa Pig ou da Galinha Pintadinha, mas pelas manhãs com Disney Cruj e tardes com Animes, obtivemos algum tipo diferente de percepção sobre o mundo ou mesmo alguns valores que o permeiam. Neste último caso, podemos citar especialmente o exemplo de Animes, tais quais, Digimon, Dragon Ball, Fullmetal Alchemist; todos com sua própria moral.

Cada qual com aquele desenho ou história que o marcou mais. No meu caso, foi Avatar: a lenda de Aang. Uma animação do canal Nickelodeon e que, apesar dos primeiros episódios leves, logo demonstrou a que veio, ao começar de pronto a explorar o passado e personalidade de seus personagens. Criando, assim, um dos melhores shows e nomes que jamais serão esquecidos. Bem como uma charmosa tradição de pai e filha: assistir todas as temporadas no fim do ano.

Por muito tempo, uma animação não me prendia ou me “falava” tanto quanto Avatar. Entretanto, dizer que nada mais é tão grandioso ou virá para as próximas gerações, seria pretensão e, ademais, burrice. Afinal, esta é a era de Hora de Aventura. É correto afirmar que as animações atuais adquiriram maior liberdade para explorar criatividade, o que, em consequência possivelmente gera um novo conceito de diversidade. Novas gerações se aproximam, de forma que é apenas natural que aquilo que ajudará na sua educação humana, como ajudou na nossa, siga os padrões, ou melhor, o mundo que os acompanha.

Foi nessa linha de pensamentos e por recomendação de uma amiga, das antigas, aquele anjo que conhece o ser humaninho aqui e que já sabia que a sementinha, uma vez plantada, ia florescer feliz, enfim, foi assim que me envolvi com Steven Universo. Envolver mesmo! De não querer fazer mais nada além de assistir episódios, ouvir a trilha sonora, saber tudo a respeito desse universo animado. Talvez, esteja querendo arrastar mais pessoas comigo na minha loucura, mas, é dia das crianças, vamos todos nos voltar com o olhar maravilhado para o show de cores e diversidade que é Steven Universo.

Steven Universe  é uma série de desenho animado norte-americana criada por Rebecca Sugar, cartoonista da Cartoon Network, ex-artista de storyboard, escritora e compositora de Hora de Aventura. Produzida pelo Cartoon Network Studios, essa foi a primeira série do Cartoon Network Studios a ser criada por uma mulher. Estreou a 4 de novembro de 2013 no Cartoon Network dos Estados Unidos, 7 de abril de 2014 no Cartoon Network do Brasil. É uma história coming-of-age em animação que conta a história de Steven, um jovem rapaz de 14 anos de idade que é membro das Crystal Gems, uma equipa de guardiãs humanóides extraterrestres mágicas que protegem a Terra de ameaças com a ajuda dos poderes da sua jóia presente numa parte do corpo.

O Steven vive na cidade fictícia de Beach City com as Crystal Gems: Garnet, Ametista e Pérola. Ele acompanha as Gems nas suas aventuras e ajuda-as a proteger o planeta Terra.

O que tornou este show tão especial para mim, após menos de cem episódios, foi a forma majestosa com a qual aborda assuntos referentes ao mundo adulto e infantil, conseguindo passar mensagens poderosas através de simbolismos aparentemente inocentes aos olhos dos pequenos, mas profundos a nós que conseguimos captar a metáfora. Mensagens referentes a amor, solidão, relacionamentos, estupro, até mesmo sexo que, na minha leitura, encontra representação na ideia da fusão: quando duas Crystal Gems se unem – por vontade própria – a fim de criarem um “novo ser” mais poderoso.

Temos também personagens extremamente ecléticas e fora do padrão, mesmo quando estão tentando seguir um padrão. Você poderia pensar que Garnet é a típica caladona misteriosa, mas daí BAM! Ela se mostra completamente engraçada, cativante, amorosa e compreensiva. Pode, à primeira vista, acreditar que a Pérola é a Mônica das Crystal e que só se importa em estar certa, no que é sensato e em manter tudo lindo e arrumado, e de repente BAM! Ela é um dos personagens mais trágicos e que provavelmente vai te arrancar mais lágrimas de todos nós. E a Ametista poderia ser só uma garota com um grande apetite e senso de humor, mas, seus fantasmas internos e inseguranças a tornam extremamente humana e viva. Steven parece ser um garotinho normal: inocente, ingênuo, esperançoso, disposto a olhar para o melhor da situação, ainda que com olhos infantis, mas então, por um momento, se torna a consciência e, talvez, o mais maduro do grupo.

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Você não pode deixar uma experiência ruim tirar isso de você

É um show que apresenta muita vida e personalidade, com certeza uma recomendação eterna e outro que, se tudo der certo e eu conseguir viciar meu pai, vai se tornar outra tradição de família. Fica a minha sincera dica a vocês.

Nós somos as Crystal Gems, nós sempre salvamos o dia. Não pense que não podemos, abaixo à covardia. E é por isso que todo mundo sempre acredita na Garnet, na Ametista, na Pérola e no STEVEN!!

xoxo

A Vilã de Jane Austen

Uma boa estória pode ser resultado de várias circunstâncias. Por vezes, a própria forma pela qual os fatos são apresentados e conduzidos, por si só, é capaz de tornar uma primeira tentativa em um eterno clássico. Em outros casos, muito do sucesso se dá pela graça das pessoas as quais nos vemos apresentados. Os personagens de uma estória são a sua alma, visto que serão eles a ajudar para a criação de profundidade e significado. Sendo assim, na minha humilde opinião, mesmo o conto mais simplório pode ser considerado de grande valor, se seus personagens cativarem o coração do leitor; e existem incontáveis variáveis para tais personas. Meus preferidos: os vilões. Um bom vilão é capaz de fazer muito pelo seu herói ou sua heroína, pelos seus melhores amigos, seus “minions”… O comentário/crítica/conselho de amiga/recomendação desta semana se trata especialmente de uma vilã. Uma que encontrei no lugar menos provável…

Muitos de vocês sabem ou deveriam saber de minha adoração por Jane Austen. Desde que coloquei minhas mãos em um de seus livros pela primeira vez – Razão e Sensibilidade – me decidi que teria de ler todos os seus romances. Alguns me conquistaram mais do que outros, como é natural que aconteça, mas, é notável que detenho carinho por todas as adaptações cinematográficas já realizadas de todos eles. Há pouco tempo, cerca de dois anos, julgava ter atingido meu objetivo e lido todas as suas obras, quando numa ida inocente até a livraria me deparei com um exemplar de “Lady Susan”. Comprei-o no mesmo instante, tendo ouvido falar se tratar de algo um tanto quanto inacabado. Na verdade, está bem terminado! O diferencial era que, ao contrário de seus outros romances, este se resumia a um cumulado de cartas trocadas entre os personagens e que, ainda assim, deram o tom perfeito para a narrativa que em nada deixa a desejar! Jane era conhecida por escrever excelentes cartas a seus familiares, nesta obra descobrimos o porquê.

Cada uma é cheia de espírito e demasiadamente claras na diferenciação de caráter a cada um dos remetentes. Em especial, um remetente, a alma dessa estória. Lady Susan Vernon. Bem, ao longo dos anos, conhecemos vários tipos de personagens provindos da caneta afiada de Jane. Tivemos Lady Catherine De Bourgh, Mrs. Jennings, Mr. Collins, Mrs. Bates, Emma, Elizabeth, Fanny, cada um com sua “mania”, seu traço definidor. Todavia, Lady Susan, creio eu, foi a única verdadeira vilã da senhorita Austen, no sentido literal da palavra e o que ela representa para todos nós ou, como gosto de pensar, que teria significado para os conterrâneos do século 18/19. Uma viúva de trinta anos, extremamente provocativa – ao que denominam atitude coquete – e manipuladora. Dentre todas as personagens de Jane, esta parece ser àquela com quem mais se divertiu ao tocar sua pena no papel, o que torna esta, talvez, a novela em que mais se nota o famoso “Jane’s Wit”, o quão espirituosa sua escrita poderia ser.

Há um escândalo que precede a chegada de Lady Susan à propriedade rural do irmão de seu falecido marido em Churchill. Boatos afirmavam que, enquanto permanecia como convidada em Langford, ela teria sido expulsa pela dona da propriedade, Mrs. Manwaring, por tentar seduzir seu marido e o noivo de sua jovem cunhada. Descrita por sua cunhada, Catherine Vernon, como possuindo “uma mistura rara de simetria, esplendor e graça” logo no início do romance, esses atributos positivos talvez sejam os únicos cumprimentos que Lady Susan viria a receber em toda a história. Sendo inteligente e agradável, com um conhecimento do mundo que torna a conversa fácil e um feliz domínio da linguagem, capaz de transformar o preto em branco, ela orgulha-se, e com o prazer, de converter uma pessoa pré-determinada em não gostar dela em seu mais ferrenho defensor.”

Uma vilã no período Regencial de Jane só poderia ocupar um novo lugar de amor em meu coração, sendo uma de suas melhores personagens, junto a Elizabeth Bennet, Emma Woodhouse e Elinor Dashwood, na minha opinião. Claro, já tivemos seres desprezíveis em seus livros, tal qual a senhorita Lucy Steele, tão deleitada em destruir as esperanças e o amor de Elinor por Edward em Razão e Sensibilidade. Contudo, a novidade em Lady Susan Vernon é o quanto sua personalidade é cativante e charmosa enquanto planeja seus movimentos com cautela. Uma lufada de ar fresco, eu diria e como a crítica também disse quando finalmente tal conquista fora adaptada para o cinema. Ouso quotar…: “Ela é uma vaca, mas, você não consegue não torcer para que seus esquemas tenham sucesso!” Ainda mais quando ouvimos várias de suas cartas proferidas em voz alta pelo charmoso sotaque inglês de Kate Beckinsale.

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A adaptação foi anunciada no ano passado, mas, tão pouco fora anunciado a seu respeito que acabei me esquecendo de sua estreia. No entanto, graças a um tumblr, acabei conseguindo descobrir que ela de fato ocorrera, apenas não recebera o nome de “Lady Susan”, mas “Love & Friendship” – Amor e Amizade – o porquê de tal título, não tenho a menor ideia. Contudo, apenas nisso deixa a desejar. Em resto, é perfeita! Kate está brilhante em seu papel de “maior flerte da Inglaterra”, é impossível deixar de olhar para ela quando em cena. A trilha sonora é magnífica, numa combinação de instrumentos de corda com momentos de coro, e os figurinos… ah, os figurinos… a filmografia, tudo tão brilhantemente iluminado! Parece até um episódio de Downton Abbey. O roteiro adaptado das cartas presentes na novela é sucesso de Whit Stillman, bem como a direção. Correspondendo ao espírito de Austen, temos excelente comédia regencial aqui, na pura tolice do personagem de Tom Bennett, Sir James Martin, o suposto pretendente da filha de Lady Susan, Frederica.

Além disso, podemos dizer que a viúva é perfeita na arte de enaltecer aquilo que a educação inglesa não nos permite dizer em voz alta, mas que todos estão pensando, tornando alguns momentos de desconforto após suas tiradas sarcásticas, simplesmente encantadoramente risíveis. Uma vilã encantadora para a minha lista, livro e filme recomendadíssimos para os fãs da senhorita Austen que nunca falha na arte de nos entreter com suas reflexões acerca de seu tempo e tão à frente dele.

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 xoxo

Ao fazer Biografia, não caia na Ficção

Desde o fim do grande sucesso que foi Downton Abbey, a emissora britânica de TV “ITV”, bem como os apaixonados fãs da estimada série, vêm buscando uma alternativa para aplacar a nostalgia de seus corações exaltados e carentes por um bom drama de época. Neste cenário de enormes expectativas e poucas alternativas – rima não intencional, as always – eis que me surge Victoria. Produzida pela mesma casa que trouxe a existência da família Crawley para a tela, porém, agora com um diferencial: ao passo que Downton foi criada e escrita em sua totalidade por um homem, Sir Julian Fellowes (o responsável pela morte imperdoável de vários personagens amados e pelo enfraquecimento de arcos poderosos), Victoria é fruto da mente e mãos da senhora Daisy Goodwin. Isso, claro não influencia em nada as minhas reações quanto ao show; apenas um pequeno detalhe. 

Em todo caso, sim. Victoria chegou como a nova aposta da “ITV” como série de época para conquistar tantos fãs quanto seu sucesso de audiência anterior. Afinal, Downton criou sua própria linha de roupas… Imaginem se sair uma linha de roupas vitorianas por aí; não que iremos voltar a usar saião na rua, mas peças baseadas, ia ser mara… Bijuterias, chás, canecas, sacolas de compras, livros, artefatos de papelaria, calendários. Milhares de produtos comerciáveis com o logo DA – infelizmente, em totalidade europeia e estado unidense, o Brasil se fu… – Se eles possuem a mesma pretensão com Victoria? Não posso afirmar com propriedade, no entanto, é certo que ambas as séries possuem trilhas sonoras, leia-se temas de abertura, cativantes. Logo, antes de começar a gritar meus sentimentos, salientarei: existem milhares de detalhes felizes nesta série. A música é uma delas.

Na britânia, já foram exibidos três episódios e só irá ao ar nos Estados Unidos em Janeiro, como era de costume com Downton e também pela mesma emissora, salvo engano, Masterpiece. Em todo caso, não consigo deixar de sentir arrepios toda vez que ouço o coro, Mediaeval Baebes, entoar “AAleluuiiaaa”…

Pouco? Eu sei. Vamos ouvir, então, a “versão estendida” como tema da coroação de Victoria no primeiro episódio.

Do mesmo gênio que trouxe até nós a trilha sonora do seriado Guerra e Paz da BBC, também já contemplado neste blog em uma postagem: Guerra e Paz BBC: e agora eu vou reler esse livro!, Martin Phipps. Ouvindo o entoar dos coros de Aleluia, temos a sensação de que em breve embarcaremos em uma época de majestade e de grande significado para o povo inglês; o que, de fato, é e deveria ser. Na Inglaterra, de uma maneira geral, existem vários monumentos e construções em homenagem a essas duas pessoas que foram a Rainha Victoria e o Príncipe Albert. Sozinha, visto que Albert faleceu aos 42 anos de tifo, seu reinado computou 63 anos, o segundo maior da história. O museu batizado em nome de ambos é o mais completo de Londres. Temos o Albert Memorial em Hyde Park. Temos a torre do relógio no centro de Brighton. Temos o Victoria Memorial em frente ao Palácio de Buckingham, tendo sido ela a primeira monarca a ocupá-lo como residência oficial da família real.

Enfim, pequenos detalhes, eu poderia discorrer sobre outros, mas acredito que estes são suficientes para ilustrar o meu ponto de discussão acerca da série. Bem, é nítido para todos os cidadãos britânicos e para aqueles que se dão ao trabalho de estudar um pouquinho sobre este casal da realeza, o quanto eles se amaram em vida. O quanto a morte de Albert em 1861 atingiu a monarca que nunca mais vestiu outra cor senão o preto do luto e fez raríssimas aparições públicas. Assim sendo, quando eu comecei a assistir a série, esperava que os primeiros episódios tratassem da luta de Victoria contra o controle de sua mãe e John Conroy, seu amadurecimento, na falta de palavra melhor, forçado perante a troça de seus parlamentares para com a mulher monarca que todos chamavam de “baixinha” pelas costas. E, claro, de sua AMIZADE e relação PATERNAL com o primeiro ministro Lord Melbourne.

Vejam vocês, amiguinhos que talvez estejam lendo esse texto e também assistam à série e, por acaso, shippem Victoria e Melbourne, aquilo ali é um despautério e eu não sei como uma cidadã inglesa se acha no direito de brincar assim com duas figuras historicamente reverenciadas! Okey, mas daí vocês vão rebater: mas e a liberdade criativa dela? Afinal, como autora de vários romances de época publicados, a senhora Goodwin talvez tenha propriedade para brincar um pouco… O problema, amiguinhos, é que se é para fazer uma ficção da história, que seja anunciado dessa forma. Contudo, Victoria foi anunciado como uma série de gênero: biográfico, drama e histórico. Cadê a ficção?? Cadê?? Sendo assim, eu creio que essa brincadeirinha de pegar Jenna Coleman e Rufus Sewell, dois bons atores, e jogar uma tensão sexual, um amor proibido, onde cartas registradas relatam que existia apenas um relacionamento tal qual o de um pai e uma filha – visto que Victoria perdeu o pai muito cedo e não possuía muitas figuras masculinas em quem se espelhar ou a quem se voltar para conselhos – está muito errada.

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ESSA CENA TÁ TODA ERRADA!!! 

O que isso vai nos trazer de bom? Um triângulo amoroso?! O quão saturados nós já estamos disso, meus caros?! Tivemos um em Downton Abbey – Mary, Matthew, Lavinia – e olha o quão bem terminou. Aliás, se é para ser a nova Downton Abbey, vamos analisar. Julian Fellowes não brincou com pessoas. Ele brincou com uma casa. O Highclere Castle que HISTORICAMENTE serviu como casa de convalescênça durante a primeira guerra mundial; dessa forma, podemos dizer que a segunda temporada de Downton foi baseada em fatos históricos e não se desviou deles. Não desvirtuou a história. Na verdade, se atentou a eles minuciosamente, trazendo um “conselheiro” histórico para o set de filmagens. A família Crawley era formada por pessoas fictícias e, portanto, Julian podia fazer o que bem entendesse com elas. Daisy Goodwin está escrevendo sobre seres humanos reais; seres humanos constantemente estudados por historiadores e que, por isso, merecem o devido respeito. Victoria e Albert é o Real Life OTP de muitas pessoas! Não crê? Tumblr it.

Eles possuem uma voz. Apesar de estarem mortos, a presença deles ainda é muito sentida pelo povo inglês, por aqueles que estudam sua história – desculpem-me se aqui houver sido um pouco redundante – e essa voz não pode ser ignorada. Exemplo:

“NUNCA, NUNCA passei uma noite assim!!! O MEU QUERIDO, QUERIDO, QUERIDO Alberto (…) o seu grande amor e afecto fizeram-me sentir num paraíso de amor e felicidade que nunca pensei alguma vez sentir! Segurou-me nos seus braços e beijamo-nos uma e outra e outra vez! A sua beleza, a sua doçura e gentileza – como posso agradecer vezes suficientes ter um marido assim! (…) ser chamada por nomes ternurentos, que nunca me chamaram antes – foi uma bênção inacreditável! Oh! Este foi o dia mais feliz da minha vida!”

Este é um trecho do diário da rainha Victoria, após o dia de seu casamento. Ela amava esse homem! Ele não a amava menos! Assim sendo, ao menos que Daisy esteja nos preparando para um gigante plot twist, o desenrolar de uma brilhante história de amor – que já deveria estar acontecendo, porque eles sempre se gostaram – o seriado, infelizmente, não vai atingir o objetivo almejado. Vai desperdiçar a excelente equipe de fotografia, porque ela é fantástica, os figurinistas, os atores, os compositores, tudo porque o seriado não consegue se ater àquilo que propôs fazer: um relato biográfico da ascensão de uma das rainhas mais famosas da história mundial. Outro ponto relevante que pode ser levantado é: uma série precisa de mais pontos de trama para desenvolver, a fim de justificar temporadas e minutos de episódios, do que um filme – indireta para a adaptação de 2009, The Young Victoria.

Bem, em 2001 foi feita uma mini série de 2 episódios – um filme para a televisão – sobre a história de Victoria e Albert, com este nome. Poderia ser dito então “já foi feito”, mas, se o problema fosse esse, não haveriam tantas adaptações de Guerra e Paz, por exemplo. Cada direção traz um elemento novo, de modo que reboots podem ser feitos e ainda assim serão tão amados quanto as obras originais ou as primeiras adaptações. A história não precisava sofrer tamanha alteração. Focasse, então, para aumentar as chances de duração, no emponderamento de Victoria. No seu amadurecimento como monarca, pois sua história não se resume a um simples conto de amor, como tem parecido até agora. De fato, chega a ser risível o número de vezes em que ela pergunta pelo “Lord M” às suas damas de companhia ou até mesmo usa uma das carruagens delas para ir até ele incógnita. Querida, o povo está passando por uma mudança governamental muito grande, um grupo quase pulou pra cima de você durante um evento oficial e você me fica preocupada em dizer a Lord Melbourne que ele é o único homem da sua vida, sendo que você teve 9 filhos com o suposto “garotinho” por quem afirma sentir tanto desprezo?!

Falta coerência. Falta força. Eu pretendo continuar assistindo só para saber o que a autora ainda nos reserva nesse show de ficção. No entanto, não posso dizer que não te prende. Como forma de entretenimento ficcional, é divertido e encantador; todavia, não foi criado para ser um entretenimento ficcional, mas biográfico. Embora muitos filmes biográficos possuam erros, esse é um muito simples, pois é possível fazer a pessoa se apaixonar pela historicamente certa, não é? Portanto, se você não for chato como eu, pode assistir sem lamúrias, sem crise existencial. Recomendo como obra de ficção. Como se você estivesse assistindo a tantos outros filmes de época… Mas, como algo em que buscar fatos acerca da vida da rainha Victoria e do príncipe Albert, passo nem perto. Pela prévia, pois Albert já vai começar a arregaçar as manguinhas no próximo episódio, eles vão se detestar e, talvez, se apaixonar aos poucos – Meu Deus, onde eu já vi isso antes em um romance de época? – Poderiam ter desenvolvido a paixonite infantil para um amor mais maduro e cúmplice? Poderiam, mas, não foi essa a escolha feita e eu respeito, pouco, a liberdade criativa da autora… porém, que está errado, está.

Espero não ganhar unfollows com o desabafo.

 

xoxo

Chanel Nº5

Eu não sou puta.

Eu sou o que você quiser que eu seja. E por estar tão presa às possibilidades, não sou mais eu. Sou ela.

Eu não sou puta.

Eu sou a menina sobre cujo corpo inocente, suas mãos impuras você lançou. E que por estar tão sozinha, não encontrou ninguém que a escutasse… e ficou gaga; eternamente engasgada na verdade não proferida.

Eu não sou puta.

Eu sou a garota de mães trocadas… “Eu não sou a sua mãe. Sua mãe é aquela ali.” E que por estar sujeita às falácias do destino, nunca teria um pai.

Eu não sou puta.

Eu sou a mulher que foi jogada de casa em casa, perdida de irmão a irmã. E que por já estar perdida, só desejava me perder dentro de um lar que pudesse chamar de meu.

Eu não sou puta.

Eu sou ela. Aquela que o mundo transformou, por achar que assim seria melhor. E que por estar atada a tal imagem e ao que faziam dela, nunca foi levada à sério.

Eu não sou puta.

Eu sou uma atriz. E por me deixar levar ou por me deixar corromper… me reduzi a uma boca de batom vermelho.

Eu não sou puta.

Eu sou uma mulher incompleta. Que viveu a vida que toda provinciana gostaria de ter, mas que gostaria de viver a vida que toda provinciana tem. Que queria ser mãe, antes de atriz. Mas que nunca conseguiu.

Eu não sou puta.

Eu sou ela que canta e dança e se faz de boba para que você se sinta no privilégio de conquistá-la. E que por desejar tanto pertencer a alguém, jamais pertenceu a si mesma.

Eu não sou puta.

Eu sou aquela sobre quem todos acham que sabem alguma coisa. E que por isso acabou se tornando uma história mal contada.

Eu não sou puta.

Eu sou uma mulher que ao finalmente tentar me pertencer, outros chamaram de puta. E que por estar cansada de ser distorcida, não desmentiria.

Eu não sou puta.

Eu sou fruto da doença confundida com capricho. Da insegurança confundida com a vaidade. E que por ser humana, deixaria-os pensarem o que quiserem sem que lucrassem com um pedido de socorro.

Eu não sou puta.

Eu sou aquela que morreria sozinha. E que por isso permaneceria um mistério, independente do quão mais fácil é simplificar uma pessoa a uma palavra: puta.

Eu não sou puta.

Eu sou uma mulher que falhou de muitas formas. E que por ter sido engolida e amada, nunca conseguiu terminar um dia sendo eu, apenas ela.

Eu não sou Marilyn.

Eu sou Norma.

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E então ela se foi… Marilyn ou Norma, ela se foi… mas o mito do Chanel Nº5 e a risada alegre de menina permanecem gravados em filtros de preto e branco…

xoxo

A Garota

Eu me lembro de uma garota.

É estranho, na verdade, porque eu nunca cheguei a verdadeiramente trocar qualquer palavra com ela. Simplesmente me lembro de vê-la do outro lado da sala, enquanto ela circulava sem parar na ponta dos pés bem depressa. Na minha mente, no entanto, tudo o que ela fazia se passava em câmera lenta. E não sei porquê. Não consigo explicar… por que fazia questão de guardar informações sobre uma garota com a qual eu jamais trocaria uma palavra?

E não é que eu tenha uma queda por ela. Não tenho. Quer dizer, talvez tenha. Mas não é uma queda luxuriosa. Eu nunca quis que ela fosse minha namorada. Mas eu acho que sempre fui apaixonado por ela. Havia alguma coisa mágica naquela garota. Acho que ela nunca reparou em como eu encarava sem piscar… ou talvez, fosse boa demais para me deixar constrangido e perguntar se alguma coisa estava errada. Talvez, soubesse que eu não fazia por mal e que simplesmente gostava de estudá-la. Uma vez, a ouvi dizer que não se achava bonita. Porque era magra demais e todas as outras garotas eram cheias de curvas… e eram loiras e tinham olhos claros.

Não. Essa garota por quem eu parecia ter uma obsessão em observar não era uma daquelas atrizes de cinema com longos cabelos louros e olhos azuis ou verdes brilhantes. Com certeza era alta, mas era magricela e tinha olhos e cabelos escuros. Castanho escuros. No entanto, havia alguma coisa… alguma coisa sobre essa garota que a tornava mágica. Outra vez, a ouvi falando sobre olhos. O poder dos olhos. O poder do olhar. Acho que é isso. Acho que o poder dela estava em seus olhos. Quando ela erguia os olhos na direção de alguém, eles nunca pareciam hostis. Sempre amigáveis… um pouco ariscos, até. É que ela era reservada e tímida. A guerra a fez assim. Não falei? Ela viveu uma guerra… por isso ela dançava. Queria ajudar os soldados com o dinheiro das apresentações de sua dança…

Não era uma dança vulgar. Nada sobre ela jamais poderia ser vulgar. Não com aqueles olhos ou aquele sorriso. Não falei sobre o sorriso? Ah… ele geralmente vinha acompanhado dos olhos amigáveis. Olhos de corça. Ela sempre gostou de animais, assim pude observar. Tinha um cachorro que carregava na cestinha de sua bicicleta e também um cervo. Ela nunca julgou uma pessoa, não vejo por que se daria ao luxo de julgar os animais. Estou dizendo! Ela era linda! Os olhos com o sorriso seriam capazes de fazer qualquer um derreter e se sentir confiante, querido! Um dia, a ouvi falar.

Era uma voz cálida. Doce. Um tipo de voz que te abraça enquanto você a escuta. Quando a escutei pela primeira vez, fiz de tudo para tornar a escutar outra vez. E a ouvi cantar. Ela sabia tocar violão e tinha um melhor amigo estilista que a adorava por ser magricela e ter cabelos castanhos, mesmo que ela não se amasse por isso. Ele desenhava roupas bonitas para ela e ela sempre ficava bonita com essas roupas. Conseguia ficar perfeita só com um conjuntinho preto simples. Era fascinante. Algumas pessoas se esforçavam tanto. Ela nunca precisou.

Ela amava os filhos e amava as pessoas. Fiquei sabendo, é porque depois de um tempo cada um seguiu seu lado… Eu não podia ficar sentado do outro lado da mesma sala que ela para sempre, podia? Acho que não… mas queria… Em todo caso, fiquei sabendo que ela dedicou sua vida às pessoas. A fazê-las felizes. Particularmente as crianças… aquelas crianças que, assim como ela, talvez nunca houvessem se sentido tão confiantes a respeito delas mesmas. No que dizia aos adultos, sorriu por eles. Chorou por eles. Dançou e se apaixonou por eles. Dividindo aquela magia que só ela possuía com eles. Mas sempre preferiu as crianças. Não posso culpá-la. Eu mesmo; também prefiro as crianças.

Quem sabe ela não se identificasse com elas? Quem sabe ela não fosse tão despretensiosa e livre como uma criança, até que o mundo comece a deixar suas marcas nela? Acho que se um dia houvesse criado coragem para falar com ela… mesmo que somente por um instante… eu teria feito essa pergunta. E talvez houvesse descoberto mais a seu respeito, do que qualquer biografo. Chorei no dia em que ela morreu. Chorei de verdade. Porque eu me lembrava dela melhor do que muitas pessoas… eu a vi. Tive a chance de ouvir sua voz de perto… isso vale muito mais do que muitos podem um dia dizer que conseguiram…

Ah… esqueci de dizer o nome dela… que cabeça de vento… Bem, o nome dela é Audrey. Hoje é aniversário dela… acho que por isso me lembrei… ela merece ser lembrada… só queria um dia ter falado com ela e lhe desejado um feliz aniversário. Sabe, ela tinha até uma música… uma música que sempre me fazia lembrar dela. Era alegre e calma, como ela… Preciso enfatizar, ela era linda, do jeito que a palavra linda foi feita para ser usada. Para todo ângulo… mas o mais importante sobre ela é que: ela poderia ter sido qualquer garota… mas qualquer garota não poderia ser ela…