Se

Seria a primeira vez em anos que James Potter deixaria a empresa mais cedo para se encontrar com uma mulher. E, por mais que houvesse garantido a seu pai que ainda se lembrava do que fazer com uma, sentia um nó na base do estômago que o tornavam, no mínimo, um pré-escolar em primeiro dia de aula. O controle estava totalmente nas mãos da senhorita Evans. Numa forma de deixá-la mais à vontade, cometeu a tolice de permitir que ela definisse como seria aquele encontro. Claro, ela acreditava que estaria somente seguindo as instruções de Sirius – sendo amigável com o único aliado que possuíam para seu final feliz – e não que James pretendesse afastá-la totalmente do irmão mais novo e dos planos que envolviam seu casamento. Em todo caso, aquilo não precisava ser ridículo… o que nunca seria garantido, julgou ele, se o controle estivesse com a filha do chofer.

Lilian, no entanto, provara durante aquela primeira semana juntos que não era tão lenta como as outras mulheres por quem Sirius costumava se interessar. Havia grandes traços de uma personalidade dominante, mas que jamais se desenvolveria se ela passasse o resto de sua vida na garagem… ou casada com seu irmão. Ela precisava de alguém com quem conseguisse ser ela mesma sem pensar duas vezes e, até então, essa pessoa tampouco estava sendo James. Ele, todavia, julgava-se aquém de qualquer culpa. Sua infância e adolescência e as atitudes de Sirius praticamente criaram aquele homem frio de negócios. Seu irmão era o carismático e belo que conseguiria atrair as pessoas para a teia de relações de sua família. James sempre precisou ser o inteligente que nunca a deixaria desmoronar. Seu pai já não conseguia mais acompanhar seu ritmo, sua mãe tentara poucas vezes. Ninguém estava à altura de James C. Potter. Muito menos a filha do chofer…

Naquela noite, ela guiou o carro; apesar da insistência dele. Tinha um sorriso constante escondido no canto direito dos lábios. Como se evitasse a qualquer custo rir de uma piada extremamente engraçada. Ele não se sentia à vontade com aquele sorriso. Não gostava dele. Qual era a piada? Ele? Que razões alguém teria para rir o tempo inteiro? Ninguém consegue ser tão feliz! Bem, Sirius geralmente conseguia. Ou pelo menos assim se domara para ser. Os risos que o via dividir com suas amantes geralmente consistiam em sons afetados… poucas vezes o vira praticamente latir como um cachorro, sua risada característica. Uma delas, claro, foi na noite em que Lilian retornou de viagem. Ela o fizera rir de verdade. Mas como, levando em consideração aquele sorrisinho bobo, era um grande mistério para o Potter mais velho.

O carro estacionou próximo ao Royal Albert Hall. Eles saíram juntos e ao virar-se para encarar Lilian do outro lado, percebeu-a parada a admirar a construção; o mesmo sorriso secreto presente em seus lábios.

— Vamos? – chamou acenando animada. James revirou os olhos para o prédio. Agora estava claro o que teriam de fazer a noite toda. No Albert, costumavam se apresentar as melhores orquestras ou óperas internacionais. E, embora nada tivesse contra orquestras ou óperas, aquela não era a maneira que gostaria de passar sua noite. Seu plano de fazer com que Lilian se apaixonasse por ele e esquecesse Sirius não renderia nada ali, onde ela sequer prestaria atenção em sua presença. Bem, ao menos ela demonstrava bom gosto musical… eles podiam muito bem ter ido parar num bar com música country ao vivo…

Sentaram-se num dos camarotes, com visão lateral para o palco. A orquestra inteira posicionada…

— Itália. – murmurou Lilian em meio aos aplausos. Eles haviam chegado em cima da hora de começar. – Alice me contou que a orquestra apresentaria as melhores trilhas do cinema italiano e… bem… ela sabe como eu gosto… mas se você se cansar… – continuou, tropeçando nas palavras, como sempre fazia ao se dirigir a ele.

— Oh não, não. Cinema italiano, hein? O que fizemos a você para que precisasse ir tão longe para um filme? – brincou tentando deixá-la mais confortável.

— Bem, se os estrangeiros têm a delicadeza de assistir aos nossos filmes… por que não lhes estender a mesma cortesia? – rebateu ela, dando de ombros. – Além disso, é sempre bom… sei lá… buscar novas perspectivas sobre alguma coisa…

— Novas perspectivas, senhorita Evans? – indagou James, arqueando as sobrancelhas.

— Você nunca reparou? – inquiriu ela de volta, abismada, mas parando ao lembrar-se de que aquele era James Potter. Quando teria sido a última vez em que saiu do escritório para ir ao cinema ou tirou uma hora de seu dia para assistir a um filme estrangeiro? – O modo como eles abordam assuntos abstratos como… amor, luto, felicidade… na maioria das vezes, não se parece nada com o nosso. – explicou. James assentiu, com um sonoro e admirado “Ah”.

Pararam de conversar para prestar atenção na música. O programa se iniciara com a trilha de La Doce Vita. Um filme de 1960 de Federico Fellini. Na grande tela ao fundo do palco, cenas em preto e branco passavam repetitivamente. Em especial a cena de um casal dentro da Fontana de Trevi. James nunca estivera na Itália antes; e apenas conhecia o nome daquele ponto turístico, pois alguém na escola alguma vez lhe dissera. Apesar de ser um vivido homem de negócios, seu interesse pelo mundo e o que ele oferecia era deveras limitado. Tudo se resumia a lucro e prejuízo. Capital aberto ou fechado. Os altos e baixos das ações. Em sua vida de porto seguro para a estabilidade financeira de sua família, sobrava muito pouco espaço para beleza e poesia.

 Sendo assim, é claro que não saberia entender o motivo de todas aquelas pessoas estarem tão encantadas em ouvir algo que provavelmente já escutaram milhões de vezes em suas casas. Lilian, por exemplo. Ele conseguia imaginá-la bem no pequeno apartamento sobre a garagem, arrumando tudo enquanto se imaginava dentro de uma ópera de Puccini ou mesmo fazendo a última coreografia de um clipe da… como era o nome daquela cantora negra famosa? Em todo caso, conseguia visualizar a senhorita Evans como aquele tipo de garota que nunca cresceria de fato e, sem saber porque, sorriu com a ideia… as palmas da plateia ecoando ao fundo.

— O próximo é Cinema Paradiso. – ela fez questão de lhe avisar, aproximando-se do parapeito do camarote com olhos cheios de esperança. – Devo deduzir que você nunca assistiu a esse também? – perguntou com um tom zombeteiro brincalhão.

— Você pode deduzir que eu nunca assisti a nenhum destes filmes, sim. – respondeu ele devolvendo o tom dela.

— Lição de casa, então, James Potter! E não quero saber de desculpas! – tornou a brincar, mas corando ao perceber que talvez houvesse cruzado uma linha. Nunca se sabe… ainda mais com ele…

— Claro, professora Evans. – aquiesceu ele com um aceno solene de cabeça, mantendo o sorriso intacto ao sentir a incerteza dela em brincar com ele. – Mas, já que vou ter que cumprir com essa tarefa, vou precisar de um incentivo… pode me dizer por que esse é tão importante? – aquela pergunta pareceu tê-la deixado mais relaxada do que seu sorriso e brincadeiras. A cada dia ficava mais claro para ele que a querida ruiva de seu irmão gostava de palestrar sobre seus gostos favoritos a qualquer um que estivesse disposto a ouvi-la.

— É a história de um garotinho que era apaixonado pelo cinema. Quer dizer, ele aprendeu a amar o cinema porque ficava escondido na sala de projeções com o projetista, Alfredo, um senhor de idade, melhor amigo dele eu diria, assistindo às seções prévias em que o Padre mandava cortar todas as cenas de beijo. Daí, o garotinho cresce e deixa a cidade onde vivia para morar em Roma, onde se torna um cineasta bem sucedido, mas infeliz. Então, no começo do filme, nós ficamos sabendo da morte do Alfredo, o que leva o garotinho a reviver todas as suas lembranças da infância, seu primeiro amor… A amizade entre eles é o espírito do filme… e a cena final…

Ela se interrompeu ao ouvir as primeiras notas de “Se”, o tema de amor de Cinema Paradiso, composta por Ennio Morricone com sua filha, Andrea Morricone. E, antes que James se desse conta do que havia de errado, os olhos dela estavam marejados e com lágrimas a percorrê-lo…

 — Ei… o que…?

— Me faça um favor, James. – pediu ela, interrompendo-o, sua voz calma, apesar das lágrimas. – Feche os olhos e imagine… imagine milhares de cenas em preto e branco com casais trocando juras eternas e se beijando… imagine que essa é a melhor lembrança de sua infância e que está passando como um filme diante de seus olhos…

Tentando evitar que ele tivesse um colapso, ele a obedeceu. No entanto, era mais difícil do que imaginava… ele não possuía muitas lembranças de cenas de beijo de sua infância… Vendo aquilo como uma empreitada inútil, abriu os olhos. Os de Lilian encontravam-se fechados e um sorriso encantador perpassava por todo seu semblante. À medida que a música alcançava suas notas mais altas, ele voltou-se para o telão e viu: as cenas de beijo que deveriam ser daquele filme. Todas em sequência, seguidas uma da outra e unidas ao som melodioso de violinos, flautins e violoncelos…

 Sem que se desse conta, estava lacrimejando… e feliz por isso. Na primeira noite em que saíram, Lilian confidenciara a ele que, no escritório, ele era conhecido como o único doador de coração do mundo. Lembrava-se de ter rido, mas aquelas palavras realmente o atingiram. Contudo, naquele momento, com lágrimas nos olhos, ele pôde afirmar com toda a certeza que não era verdade. Ele possuía um coração. Empolgado, virou-se para encarar sua companhia. Os olhos dela ainda estavam fechados e o reflexo desfocado preto e branco das cenas passavam pelo canto esquerdo de seu rosto.

     Ali, pela primeira vez, James Potter enxergou Lilian Evans. E ela era linda.


Mais um trechinho Jily. E porque eu gosto de dividir com vocês…

Essa é a cena narrada por Lily…

xoxo

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In My Own Little Corner

Ontem à noite, eu falava com uma amiga. Comentávamos sobre o fato de eu ter um blog: uma conversa que para vocês pode parecer banal, contudo, entre nós foi surpreendente pelo fator que expliquei na página “Primeiras Impressões”, ou seja, eu nunca consegui continuar um blog. Fazê-lo ir para frente. E, bem, mesmo que ainda hajam poucos inscritos, já consegui dezesseis postagens e isso para mim é muito. Em tentativas anteriores, no máximo, haviam cinco postagens.

Durante o nosso papo, comentei com ela sobre a escolha do título “In My Own Little Corner”. Perguntei se seria válido escrever qualquer coisa a respeito dele. A resposta foi positiva, então, por essa razão estamos aqui. Vamos lá!

Algum de vocês já ouviu falar ou assistiu a versão de Cinderella de dois carinhas chamados Rogers&Hammerstein? Bem, um dia, não me lembro exatamente quando, eu vi que no SBT seria transmitida uma versão da Disney para esse musical. Uma criança de seis, sete ou oito anos de idade? Parecia o paraíso, combinar duas das suas coisas favoritas em uma só: Disney e musicais. E, até então, eu não sabia nada a respeito de quem seria a Cinderella e naquela época, nem fazia diferença. Hoje também não, embora muitos critiquem a voz da Brandy. Contudo, eu cresci com as versões dela das canções clássicas de Rogers&Hammerstein. Uma em particular.

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À essa altura, o que eu vou dizer agora pode parecer obsoleto, mas, fica… vai ter bolo! Enfim, In My Own Little Corner é uma música que, quando eu era pequena, não conseguia entender completamente. Afinal, eu só fui virar rata de livraria aos onze anos. Quando recebi minha carta de Hogwarts? De certa forma. O Hagrid não quebrou minha porta, nem nada disso. Até porque, meu primeiro livro da saga e da vida com mais de duzentas páginas, foi Harry Potter e o Enigma do Príncipe (o Hagrid já não invadia domicílios a essa altura do campeonato). Depois disso, foi livro atrás de livro e pelas barbas de Merlin, como eu dei prejuízo kkkk…

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Em todo caso, tempos depois, voltando a assistir a versão com a Brandy, e também mais adaptações do musical, percebi que nesse momento Cinderella e eu temos mais em comum do que eu imaginava. Essa passagem da produção visava explicar que, mesmo estando presa a madrasta malvada, a gata borralheira ainda possuía sua labareda de alegria e meios de viver seus sonhos e aventuras. Através dos livros… desde que ficasse em seu cantinho, na sua cadeirinha. Lá, ela poderia ser quem quisesse. Uma prima donna, uma princesa do Peru, uma garota que sabe flertar com todos os rapazes, uma caçadora… ela poderia ser todas as personagens que conhecera em seus livros.

Deste lado, também encontramos uma garota assim. Uma garota que, apesar de ter conseguido realizar um sonho, como Cinderella, durante muito tempo teve apenas o seu próprio cantinho e, ao invés de uma little chair, uma little shelf. Uma estantezinha onde suas preciosidades permaneciam enfileiradas para serem abertos e lidos e relidos por quantas vezes quisesse. E continua sendo assim. Sempre será assim.

Pois bem, é isso! Isso é In My Own Little Corner. Postagem pequenininha, mas que eu achei por bem fazer.

xoxo

Guerra e Paz BBC: e agora eu vou reler esse livro!

Rússia. Assim como a Regina George, é impossível começar a explicá-la. Claro, existem vários pontos controversos no que concerne a política atual e não atual. No entanto, estou aqui apenas para analisar o ponto mais relevante para este post: cultural. Acredito que todos, senão a maioria de nós, já ouviu falar a respeito de um camarada chamado Liev Tolstói. Ou Leão Destrói, como diria o nosso amado Charlie Brown. Pequena grande história, Tolstói nasceu em meio a aristocracia russa, porém, devido a certas vivências dentro do exército, recolheu-se no campo na posterioridade de sua vida. Conheceu Victor Hugo – sim, a mente por trás de Les Misérables – quem influenciou em demasia suas opiniões políticas, bem como algumas cenas de batalha de Guerra e Paz.

Eu gostaria muito, do fundo do meu coração, que este post pudesse conter a minha crítica pessoal sobre o livro. No entanto, bem… quando eu li Guerra e Paz, houveram empecilhos. Primeiro: foi minha primeira ida a uma biblioteca, logo, o livro não era meu e essa pessoa, na afobação da vida, leu rápido demais. Eu não aproveitei Guerra e Paz, pessoas; porque só o que eu pensava enquanto lia era: “Eu preciso acabar de ler… eu preciso acabar de ler, se não vou perder o prazo e pagar multa AIAIAI.” Segundo: eu li muito jovem. Deve ter sido o quarto ou quinto livro que eu peguei depois de Harry Potter. Isso com doze anos. O QUE UMA CRIANÇA SABE SOBRE A GUERRA E A PAZ COM DOZE ANOS? Nada. Então, pode-se dizer que foi apenas Ana Carolina tentando pagar de cult. Se @#$%, porque Ana Carolina só lembra de Natasha… e ela nem é a personagem mais incrível dessa obra! Terceiro: o livro não era meu. Então, eu nunca pude acessá-lo para reler, como eu já fiz com Anna Karenina – também Tolstói, e ele acredita que esse tenha sido seu primeiro grande romance… SABE DE NADA INOCENTE! A gente simplesmente não pode jogar cinco anos no lixo. Seus leitores não vão permitir. Sim, o livro foi escrito em cinco anos…

Acho que já deu para entender que a minha relação com a obra dá quase ensejo a um processo de negligência, abandono afetivo… enfim! O importante é: eu me lembro de ter gostado muito. Da Natasha. Porque com doze anos, eu não estava interessada na guerra, ou seja, aqueles capítulos muito extensos e focados no Napoleão Bonaparte, nas cenas de batalha, no sofrimento do exército russo e/ou francês… eu pulava. EU TRAPACEEI LENDO GUERRA E PAZ! ME PROCESSA! Eu mereço. Porém, contudo, todavia, graças a Deus e aos roteiristas que se dispõem a adaptar quase oitocentas, mil páginas, para as telas. Eu não tenho problema nenhum em dizer que muitas das minhas leituras ocorreram porque antes delas eu assisti ao respectivo filme. Foi assim com Orgulho e Preconceito da Jane Austen e, consequentemente, eu li toda a obra dela depois e vi todas as adaptações delas depois. Porque eu não era burra com doze anos de idade, eu trapaceei, mas não era burra. Eu sabia que os filmes não eram tudo. Nunca são! Até hoje!

Mas que bom que eles existem. Que graça divina! Bem, vou parar de lançar vocativos (e as mãos) para o alto e explicar: se vocês não sabem, eu sou uma enorme fã de filmes antigos. Eu assisto às quatro horas de Cleópatra – com a Liz Taylor – deboua. Sento ali no sofá e fico vidrada. E, assim, tendo feito isso, eu achei que estava pronta para as três horas da versão de 1956 de Guerra e Paz; porque tinha a Audrey Hepburn no elenco. Ela era a Natasha; a única personagem de quem eu me lembrava em detalhes. Daí, assistindo ao filme, eu me lembrei do Andrei, do Pierre, da Hélène (#$%), da Sonya <3… e redescobri outros. Porém, eu não gostei tanto dessa versão, mas não sabia dizer porquê. Afinal, todo mundo que já assistiu a ela, ama. E, então, eis que surge no ano passado a notícia de que Andrew Davies iria produzir com a BBC uma adaptação para as telinhas da obra do escritor russo realista mais querido de todos os tempos.

De novo, a atriz que faria a Condessa Natasha Rostova era alguém que eu conhecia. Lily James. A Rose McClare de Downton Abbey (ô série que me persegue desde que acabou, SENHÔR! Acho que ela e Harry Potter fizeram um pacto) e a Cinderella de 2015. Também a Tuppence Middleton, de Sense8, que faria a Condessa Hélène (@#$%) e o JIM BROADBENT, O PROFESSOR SLUGHORN DE HARRY POTTER! E a atriz que foi a Senhora Weston na adaptação de Emma de 1996… Assim, muito ator que eu conheço e de quem eu gosto. Mas, ainda de luto por causa de Downton Abbey, eu assisti ao piloto e nada mais. Gostei do piloto; falei que veria o resto depois. O depois foi essa semana. Estreou em Janeiro. E o que eu concluí? Preciso, desesperadamente, ler Guerra e Paz de novo! Ler de verdade dessa vez. Sem trapaças. Sem achar que a Natasha é a única coisa que importa na trama. Não é. E, de verdade, Lily James está se tornando uma das minhas atrizes favoritas do momento. Quase me dá vontade de ir assisti-la sendo Elizabeth Bennet naquele arremedo de filme chamado Orgulho e Preconceito E zumbis (a obra que faz Jane Austen se revirar no tumúlo até hoje). Quase.

Mas, sério. Ela é fantástica! Finalmente eu descobri porque eu não gostei tanto da versão de 1956. Não acredito que vou digitar essas palavras, mas… eu não gostei, porque não acho que a Audrey Hepburn tenha feito eu sentir qualquer coisa pela Natasha quando, num determinado momento da obra, NO SPOILERS, ela tem o seu momento ápice de drama. EU AMO A AUDREY! Porém, esse é um problema que eu vejo na maioria dos filmes antigos, quando eles têm que ser dramáticos são num grau que não é emocionante, e sim ensaiado demais. No teatro, seria ÓTIMO, mas para o cinema, para mim, não encaixa. E assim, a Lily fez drama? Fez. Ela chorou, ela bateu porta, ela gritou, sim, mas não pareceu coreografado; foi realmente tocante. E outra, agora COM SPOILER, a série retratou melhor o desenvolvimento da relação Natasha/Pierre do que o filme. No filme, você percebe que rola alguma coisa ali, mas chega até nós como uma paixonite e não amor de verdade.FIM DO SPOILER.

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Audrey e Henry como Natasha e Pierre

Na minha opinião, o próprio personagem do Pierre, porque até parece que eu estou fazendo de novo e dando atenção apenas para a Natasha, mas NÃO… o próprio Pierre, o ator que o interpretou, por ser mais jovem do que o Henry Fonda, responsável pelo papel no filme, pareceu fazer mais jus a juventude da mente do Pierre no início da obra. Não que exista uma idade certa para alguém achar que está se casando com um anjo e a pessoa, na verdade, ser um demônio (Hélène &@$%), contudo, a aparente juventude do ator, somado a imaturidade do Pierre no início da estória, se juntam em um sincronismo tão perfeito… Nota dez para os escaladores deste elenco. Ficou muito bom! E eu quero colocar o Pierre num potinho junto com a Sonya… Aaaah, Sonya… Lembra que eu falei de mulheres fortes, mas que não necessariamente precisam ter qualquer habilidade nas artes marciais para isso? Então, Sonya! Depois que eu reler Guerra e Paz, e mergulhar mais na mente de Sonya, me aprofundarei mais em destacar suas virtudes. Por enquanto, basta dizer que: você merecia um final melhor, amiga. Você merecia a Rússia inteira!

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Lily e Paul como Natasha e Pierre

Outra personagem de quem eu não lembrava muito e que acredito não ter sido tão destacada no filme, foi a Princesa Marya Bolkonskaya, irmã do Andrei Bolkonsky (ela não era princesa da Rússia, ok? Para tal, seu título seria Princesa Real). Em todo caso, Marya. A PARTIR DESTE MOMENTO TEREMOS SPOILERS PARA QUE EU POSSA EXPLICAR MELHOR, ENTÃO, VOCÊ ESTÁ POR SUA CONTA E RISCO SE CONTINUAR! foi uma personagem por quem eu senti muita empatia e com quem, de certa forma, eu me identifiquei. Queridos leitores, o que eu vou falar agora não é uma tentativa de ganhar elogios nos comentários, ok? Ok. Então, eu não me considero o membro mais bonito da família; se alguém dela concorda com isso ou não, me recuso a responder porque é polêmico. Enfim, Marya também é o patinho feio da casa Bolkonsky e seu pai (Jim Broadbent fabuloso, OSCAR PARA ELE!) não ajuda em nada a respeito. Ela tem uma dama de companhia que ele insiste em favorecer, de certa forma, contra a própria filha; se ela, Marya, tenta apaziguar ou ajudar em alguma situação, ele a censura com veemência. Ao fazê-lo, é nítido que isso faz parte de sua natureza e não uma forma de castigo, mas não deixa de me parecer errado…

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Princesa Marya Bolkonskaya (Jessie Buckley)

É um relacionamento extremamente abusivo, a meu ver. Devido a tantas represálias, Marya é uma pessoa calada e retraída, mas logo se vê que é doce. Romântica. Digna do potinho de todos nós. Pois bem, aqui vai o spoiler, o pai vem a falecer. Em seus últimos momentos, segundos, há uma espécie de redenção na relação deles; o lampejo da compreensão: “Eu rezei pela morte dele… e durante todo esse tempo… ele me amava”. Ela observa, chorosa. É uma cena bem densa, porque revela que existiam trevas no coração da princesa e não apenas a placidez aparente. Logo em seguida, a vemos deixar as sombras de seu pai para trás e desabrochar na mulher que vivia escondida em meio a palavras duras. E é tão gratificante vê-la ganhar autoconfiança, finalmente se apaixonar, não vou dizer por quem, isso seria demais… Mas, sabe? Finalmente encontrar a paz de poder ser quem se é. É maravilhoso e eu fiquei contentíssima pela Princesa Bolkonskaya. FIM DOS SPOILERS, AMÉM! 

Além disso, temos uma cinematografia de tirar o fôlego. Uma trilha sonora utilizada da maneira certa, em especial nas cenas de batalha. Um figurino leve e ao mesmo tempo luxuoso: Detalhe no vestido de baile da Lily James muito Elizabeth Bennet de Orgulho e Preconceito… Resumindo: vou ler Guerra e Paz esse ano! Talvez depois que acabar de ler “As Irmãs Romanov”, minha leitura atual e você precisa conhecer essa fantástica adaptação! Somente seis episódios, mesmo tempo de duração de um episódio de Sherlock cada um e mesmo assim tem mais episódios que essa série destruidora! Eu queria que esses comentários chegassem ao Mark Gatiss…

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Pierre (Paul Dano), Natasha (Lily James) & Andrei (James Norton)

Um último comentário: vocês devem ter reparado que eu xinguei o tempo todo ao escrever Hélène. Bem, eu nunca xingaria uma mulher de @#$% só porque ela dorme com vários homens e é adúltera. Não sou dessas. Mas, eu posso sim, chamar uma mulher desse jeito quando sem motivo nenhum ela resolve, por algum motivo desconhecido, se meter na vida de outra pessoa, sabendo que sua interferência vai culminar em merda. Foi o que aconteceu com Hélène e Natasha em um determinado trecho. Outro motivo para eu querer ler o livro é para tentar entender as motivações dessa mulher. Nota dez para a Tuppence Middleton por construir uma pessoa sem nenhuma qualidade, na minha opinião, que a redima perante a sociedade. Se vocês assistirem e encontrarem alguma, me contem!

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Hélène Kuragina (Tuppence Middleton)

Me recuso a concluir com ela, então:

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Sonya Rostova (Aisling Loftus)

É esse rosto que vocês precisam amar. Detalhe: eu tenho um pingente IGUAL ao dela e nem precisei ir até o set furtá-lo. Sorte? Coincidência? Provavelmente.

Então, é isso. Vamos assistir?

 

xoxo

Meiguice não é fraqueza

O título pode ser autoexplicativo, mas eu gostaria de poder aprofundá-lo um pouco mais, especialmente hoje: O Dia Internacional da Mulher. Eu preciso começar dizendo que sou usuário de um Tumblr. Acredito que só essa informação, a essa altura da minha vida, já seja motivo para que você, quem está lendo esse texto, esmoreça toda a minha credibilidade para escrever sobre qualquer assunto que seja. No entanto, eu diria que o meu Tumblr (oldmovieslover.tumblr.com – sim, merchan) é o meu maior espaço de pesquisa. Através dele, eu descobri vários novos fandoms, bem como a sincera opinião de várias pessoas dos mais diversos países sobre diversos assuntos. Seja o suicídio, seja o feminismo, seja algo banal sobre – personalidades de personagens fictícios. De forma que, ultimamente, venho notando uma atitude dentro dos fandoms que tem me preocupado muito, porque eu já estive lá, eu já compartilhei desta atitude, mas agora que paro para analisar, ela é de certa forma errada e precisamos falar sobre isso.

Isso o quê, Ana? Bem, acho que estamos tentando simpatizar com alguns personagens pelas razões erradas. No momento, meus sentimentos estão um tanto confusos a respeito deste assunto e então creio que a melhor forma de fazê-los entender, é através do exemplo que mais grita para mim. Muito provavelmente, muitos de vocês conhecem a saga das Crônicas de Gelo e Fogo de George Martin, atualmente adaptada para uma série televisiva da HBO. O que eu quero dizer neste post encontra embasamento na dicotomia entre duas personagens desta saga: Sansa e Arya Stark. Acho que vocês devem ter sacado o que eu quero dizer, no dia internacional da mulher, usando essas duas moças como exemplo e tendo a postagem tal título; mas, vou ser ainda mais clara: chegou até mim, como uma epifania, que talvez nós estejamos mal falando de Sansa Stark e idolotrando Arya Stark por razões erradas. Calma, eu vou dissertar. Primeiro, eu gostaria de esclarecer que, sim, eu sei que ambas têm seus defeitos e suas qualidades, independente do que virá a seguir. Obrigada, espero que continue descendo a página para ler mais. E sim, essa indignação está mais voltada para personagens femininas.

Serei simplista. No início da febre de As Crônicas de Gelo e Fogo/ Game of Thrones, havia muitas meninas, inclusive eu, debatendo no Tumblr ou na rodinha de Domingo: “Eu odeio Sansa/Sonsa Stark. Ela é uma chata! Eu sou muito mais a Arya, que sonha em ser uma grande espadachim, um cavaleiro.” Ou seja, nós detestávamos a Sansa, simplesmente porque ela acreditava nos contos de fada, era romântica, ingênua, manipulável, doce, filhinha da mamãe. E queríamos ser a Arya porque na nossa mente ela era foda. E por que Arya era foda? Porque em seu arquétipo, havia caracteres de uma feminista, pois, pelo menos na minha, concepção infantil da época, feminista é aquela mulher que impreterivelmente deve ter traços masculinos. Não no sentido: uma voz grossa, braços fortes. Nada disso. Contudo, ela deveria saber lutar. Ela simplesmente não poderia ficar observando enquanto outra pessoa faz o trabalho sujo, chorar quando ficasse assustada ou ser excessivamente gentil. Ela deveria ser osso duro.

Substituindo uma figura autoritária masculina por outra

Entendam, não estou dizendo que se você gosta da Arya, você está errado. Ou se você é uma pessoa fria, é o pior ser humano do mundo. Só estou querendo dizer que: por que você ser a Arya é algo admirável, mas se você for uma Sansa, é intragável, passável? Por que eu, Ana Carolina, alguém que, se vivesse no universo de As Crônicas de Gelo e Fogo, seria uma Sansa Stark da vida (sonhadora, romântica, delicada e meiga) devo achar que ser assim é reprovável e buscar ser como Arya Stark? Por que ultimamente, para que nós tornemos uma personagem feminina admirável, ou melhor, para que nós a admiremos, ela tem que ser FODONA? Não perfeita, mas, ser sassy. Outro dia, dois anos atrás, eu vi uma postagem no Tumblr que me deixou pensativa por uma boa meia hora. Estamos vivendo um momento em que valorizamos mais aquele personagem com tiradas sarcásticas, que na vida cotidiana seriam tidas como grosseria, e rebaixamos aquele gentil. A típica melhor amiga. Queremos viver em um mundo de Violet Crawleys, de línguas rápidas e ferinas, e por causa disso esquecemos da beleza que é ser uma Anna Bates! Doce, leal, prestativa, boa demais para esse mundo Anna Bates.

Não quero generalizar. Não são todas as meninas do mundo que pensam assim, mas o número que pensa já me preocupa o suficiente para me dar ao trabalho de escrever esse post. Outro exemplo que posso dar e que também me trouxe até aqui, foi a minha recente leitura de E O Vento Levou. Na minha resenha sobre o livro (Amanhã é outro dia), eu acredito ter deixado bem claro o meu asco para com a protagonista, Scarlett O’Hara e meu amor pela coadjuvante Melanie Hamilton. No desenvolver da obra, Scarlett vai ganhando sua “emancipação” ao passo que adquire uma loja e começa a trabalhar, algo que, para a época em que se situa a narrativa, seria um absurdo. Uma mulher não deveria fazer isso. Tá, ok. Parabéns para a senhorita O’Hara por não se importar com as fofoqueiras de plantão e seguir com seu plano, embora seja puramente mesquinho. Contudo, me incomoda alguns comentários de leitores que afirmam que, Scarlett ser como é torna a leitura de um livro de 950 páginas valer a pena. Tudo bem, você pode gostar de analisar o caráter dela durante a leitura, mas, se você, depois de tudo, quiser ser Scarlett O’Hara… eu rezo por você.

Por quê? Porque ela não era a típica dona de casa que Melanie foi? Porque você é uma pessoa tímida e gostaria de ter a garra dela para “falar na cara” o que sente? Melanie Hamilton estava ali o tempo todo para lhe mostrar que tudo bem ser assim, digo, ser tímido e não conseguir ser hostil com outro ser humano. A gentileza é algo maravilhoso. Precisamos mais disso no mundo em que vivemos! Mas daí me veem pessoas glorificando: Lady Mary Crawley, Irene Adler, Annalise Keating… Mulheres fortes, eu sei. Eu as amo tanto quanto vocês! O problema é que eu não sou como elas e, por vezes, é um esteriótipo tão reproduzido em Hollywood – a dama de ferro – que em certos momentos, me pego pensando se eu não deveria abandonar minha fachada Sybil Crawley, Molly Hooper, mulheres tidas por mim como representantes do grupo: nós preferimos a gentileza ao sarcasmo, muito bem, obrigada… Além do mais, pausa para foco na Molly. Ela não é a Irene. Eu creio que a nossa patologista não teria facilidade em atirar contra uma pessoa, mas AMIGOS, OLHA A DESTREZA DESSA MULHER EM UM LABORATÓRIO! ESSA MULHER FEZ SHERLOCK HOLMES SE DESCULPAR COM UMA OLHADELA SÓ! E ELA NUNCA PRECISOU DE UMA ARMA! ELA NUNCA PRECISOU SER SEXY OU USAR DE SEX APPEAL! ELA SIMPLESMENTE FOI MOLLY! FOI MEIGA, DOCE… mals o excesso de caps lock, mas enfim… estão entendendo? Gente, eu não sei ser mais clara… talvez eu não esteja sendo clara de jeito nenhum, mas, entende?

Vou resumir então o que eu quero dizer: você é uma mulher forte da maneira que você quiser! Você pode ser uma personagem forte independentemente de saber lutar mano a mano, com espadas ou se simplesmente for aquela amiga que está sempre pronta para ouvir ou fazer uma piada no momento certo! Todos esses arquétipos são dignos de admiração! E a Sansa, a mulher meiga, sonhadora e romântica, é tão fabulosa quanto a Arya! Você não empodera uma mulher por colocar uma calça nela! Vendendo o esteriótipo muralha intangível. Eu, e talvez você, temos que parar de assistir seriados ou ler livros e achar que aquela Miranda Priestly ou que a Irene Adler são as ultra mega super gatas da parada! A última bolacha do pacote, haha… estou me rebaixando aqui, mas enfim, A ÚLTIMA BOLACHA DO PACOTE! NÃO SÃO! Você que se vivesse no mundo do senhor dos anéis e seria aquela lady meiga, calada, tímida e que desmaia ao ver sangue, tem tantas chances de conquistar o seu Aragorn E O MUNDO usando, sim, uma saia ou uma calça, ou o que você quiser… Vocês podem tudo! De todos os jeitos são maravilhosas!

Vamos parar de achar (alguém me ajude a traduzir esse texto para o inglês depois, vou postar no Tumblr) que ser sassy ou saber como bater nos meninos – haha – é o que torna alguém interessante. Não é. O nome disso é: backstory.

~pausa para uma respirada~

Espero que não tenha ficado confuso ou que eu tenha ofendido alguém. Mais uma vez: Feliz Dia Internacional da Mulher.

Para fechar, duas quotes que representam bem o que eu quero dizer:

Screw writing “strong” women.  Write interesting women.  Write well-rounded women.  Write complicated women.  Write a woman who kicks ass, write a woman who cowers in a corner.  Write a woman who’s desperate for a husband.  Write a woman who doesn’t need a man.  Write women who cry, women who rant, women who are shy, women who don’t take no shit, women who need validation and women who don’t care what anybody thinks.  THEY ARE ALL OKAY, and all those things could exist in THE SAME WOMAN.  Women shouldn’t be valued because we are strong, or kick-ass, but because we are people.  So don’t focus on writing characters who are strong.  Write characters who are people.

“Chega de escrever mulheres “fortes”. Escreva mulheres interessantes. Mulheres bem cercadas. Escreva mulheres complicadas. Escreva mulheres que chutam traseiros, escreva mulheres que se escondem no cantinho. Escreva mulheres que estão desesperadas por um marido. Escreva mulheres que não precisam de um homem. Escreva mulheres que choram, que discursam, mulheres tímidas, mulheres que não aceitam a merda de ninguém, mulheres que precisam de validação e mulheres que não se importam com que os outros dizem. TODAS SÃO OK, e todas essas coisas podem existir EM UMA MESMA MULHER. Mulheres não deveriam ser valorizadas porque são fortes, ou porque chutam traseiros, mas porque somos humanas. Então não foque em escrever sobre personagens fortes. Escreva personagens que são humanos.”

Let her be angry, let her be resentful and rebellious. Let her be hard, and soft and loving. And sad. And silly. Let her be wrong. Let her be right. Let her be everything, because she’s everything.

“Deixa-a se zangar, deixa-se se ressentir e se rebelar. Deixe-a ser dura, e delicada e amorosa. E triste. E boba. Deixe-a estar errada. Deixe-a estar certa. Deixe-a ser tudo, porque ela é tudo.”

xoxo

Ana Caracoles visita o Mundo Esmeralda

Na Sexta-feira, dia 4 de Março de 2016, atingi um novo nível de reconhecimento. Descobri que existem três níveis de impressionável aos quais meu corpo responde. O nível morte do Dumbledore: muito impressionante. Eu vou para a cama chorando depois e tenho uma noite de sono sem sonhos e, no dia seguinte, acordo com uma sensação de “minha vida mudou, estou sem chão.” O nível morte do Han Solo: não sei lidar. Passo mal horrores, não consigo dormir e só penso em como Harrison Ford pôde sequer cogitar tal ideia. E, agora, o nível Wicked: morta feat. enterrada. Muitos feelings desafiando a gravidade. Não durmo, passo mal, melhoro, volto a passar mal, mal durmo, tonta de tanta vontade de passar por tudo isso novamente.

A horrível verdade? Eu nunca, nunquinha, havia assistido a um teatro musical ao vivo. Tudo mudou no ano passado, quando pude assistir O Fantasma da Ópera no “Her Majesty Theater” em Londres. Eu sempre fui uma grande fã do teatro, desde a minha primeira vez vendo uma adaptação infantil de Rapunzel. Tenho uma enorme admiração por todos os envolvidos nessa arte e acredito em sua competência. No entanto, quando soube que Wicked viria para o Brasil, fiquei com um SUPER pé atrás. Primeiro: por ser baseado em um dos contos mais americanos que existem (O Mágico de Oz), achei que trazê-lo para o nosso país, acabaria com seu significado, a sua magia; achei que, ao adaptarem as letras das músicas para o português, muito da mensagem de Wicked se perderia. Segundo: eu não conseguia imaginar ninguém, absolutamente NINGUÉM, que fizesse jus ao papel da Elphaba. Eu cresci ouvindo a versão da Idina Menzel de Defying Gravity, amando-a demais, para simplesmente aceitar qualquer uma imortalizando a canção na nossa língua pátria.

Resumindo, eu não acreditava que o nosso país, na falta de alguém mais específico para culpar, estivesse pronto para Wicked. Que fique claro, não por acreditar na falta de competência de nossos atores, mas sim, porque vocês teriam a mesma reação se eles resolvessem adaptar O Sítio do Pica-pau Amarelo de Monteiro Lobato. É querer trabalhar com algo sério, quero dizer, a maioria de nós admiradores do mundo de musicais cresceu ouvindo a Idina e a Kristin entoando as clássicas canções desse musical… Mas, então. A surpresa… vamos usar um vídeo comparativo.

Não siga em frente antes de ouvir as duas versões. Mas, enfim. O trabalho em Wicked foi minucioso de uma forma que eu, na minha ingenuidade, não acreditei que seria. As adaptações foram, sim, perfeitas. E não, não estou exagerando! Os figurinos, perucas, cenários, todos vindos da terra natal deste hit e utilizados com maestria por nós, que conseguimos, talvez, trazer até mais magia para a terra encantada de Oz. E as atrizes maravilhosas: Myra Ruiz e Fabi Bang. Fiquei sabendo que foi a diretora original da peça que as escolheu entre milhares de Elphies e Glindas, o que só confirma que, sim pessoal, existe um carinha lá em cima que sabe o que faz ao iluminar as mentes de pessoas prestes a tomarem sérias decisões. Cena atrás de cena, coreografia atrás de coreografia, ainda que da distância do Balcão A, as duas me fizeram mergulhar na terra do mágico, na Cidade das Esmeraldas e garantiram a todos que estávamos lá na estreia, uma noite memorável.

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Falando sobre o momento que todo fã de Wicked espera: Defying Gravity. Agora é o momento em que eu tiro a minha máscara de pessoa contida e digo: pessoas atrás de mim devem ter me xingado, porque eu cantei junto com a Myra e fiz os gestos! Estava sentada na segunda fileira do balcão A, então, quando ela levita, é como estivesse olhando diretamente na minha direção. Por óbvio, que eu compartilharia esse momento com ela, não é mesmo? kkkkkkkkkk Para vocês terem uma ideia, meu pai não é fã de musicais e simplesmente AMOU Wicked. Até agora pagando pau horrendo para Fabi Bang. E tentando dar uma de: é gostei, mas você gostou mais… AHAM! ACHA QUE ENGANA QUEEEEM? Mais um foi fisgado pela mágica da Broadway. No Regrets.

Então, após várias lágrimas com isso:

Seguimos para o lado de fora. Eu levei uma Sharpie. Uma Sharpie na qual Myra e Fabi tocaram para me darem seus autógrafos. Foi meu primeiro momento tiete da vida!! Confesso que me comportei melhor do que esperava. Era nítido o cansaço delas, mas também foi nítido o quanto se entregaram em seus papéis! Sério. A partir de hoje, não aceito ninguém falando mal do teatro brasileiro (alguém já ousou fazer isso?) ou que os americanos fazem melhor: NÓS SOMOS MARAVILHOSOS! PERFEITOS! MELHORES! E eu queria ter dito isso para Fabi e para a Myra, mas se eu tivesse dito qualquer coisa que não: “Você poderia assinar para mim? Foi maravilhoso! Se importa de tirar uma foto comigo?” Teria me acabado de chorar e eu quero guardar esse mico para quando conhecer a Maggie Smith. Logo, mitei na elegância Hepburniana e consegui manter a compostura que normalmente eu não teria.

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Detalhe: acho que meu pai pagou tanto pau para a Fabi, que caprichou mais na nossa foto do que na minha com a Myra, mas ok. E outro detalhe: O tipo de foto em que você não liga como ficou sua cara, o importante é que a foto existe.
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Vista do Balcão A
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A empolgação da pessoa antes de começar

 

Bem, era isso o que eu tinha para dizer. Vejam Wicked! O trabalho está sensacional e merece ser prestigiado por nós, fãs. Próxima meta: My Fair Lady em Agosto!

xoxo

 

Neil Gaiman: Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado

Se você estivesse preso em uma situação impossível, em um lugar desagradável, com pessoas que te quisessem mal e alguém te oferecesse um escape temporário, por que você não ia aceitar isso? E ficção escapista é apenas isso: ficção que abre uma porta, mostra o sol lá fora, te dá um lugar para ir onde você esteja no controle, esteja com pessoas com quem você queira estar (e livros são lugares reais, não se enganem sobre isso); e mais importante, durante o seu escape, livros também podem te dar conhecimento sobre o mundo e o seu predicamento, te dar armas, te dar armaduras: coisas reais que você pode levar de volta para a sua prisão. Habilidades, conhecimento e ferramentas que você pode utilizar para escapar de verdade.

E enquanto nós precisamos contar a nossos leitores coisas verdadeiras e dar a ele armas e dar a eles armaduras e passar a eles qualquer sabedoria que recolhemos em nossa curta estadia nesse mundo verde, nós temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens e morais pré-digeridas goela abaixo em nossos leitores como pássaros adultos alimentando seus bebês com vermes pré-mastigados; e nós temos a obrigação de nunca, em nenhuma circunstância, escrever nada para crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.

Fonte: Neil Gaiman: Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado

Palavras… apenas palavras

Aqueles que me conhecem intimamente… sabe? Aqueles que chamam minha mãe de tia ou que podem entrar no meu quarto de sapato mesmo… Enfim, essas pessoas conhecem um lado meu que não é tão famoso aos estranhos. O lado de uma escritora amadora, mas que encontra grande alento nas palavras. Tudo começou quando eu tinha nove anos e costumava montar estórias usando o PowerPoint, pois amava colocar imagens para enfeitar, ainda era uma pessoa muito visual ao invés de apenas escrita. Em seguida, passei para o papel, melhor, para o word e atualmente para o papel para depois passar para o Word – sim, eu tenho esse trabalhão! – No entanto, o que ambas as fases têm em comum é uma saga chamada Harry Potter.

Eu amava tanto, mas tanto os personagens da JK Rowling, que os peguei emprestado durante muito tempo para criar meus próprios enredos, mas, claro, acrescentando alguma figurinha original que me representasse naquele círculo social fabuloso. Pouco tempo depois eu fiz uma tentativa de iniciar algo completamente destituído de referências Potterianas… e me lembro que o nome da protagonista de tal ato era Arabella Carter. Ainda hoje, possuo os primeiros manuscritos dessa história em folhas de fichário – aulas de física suuuuper rentáveis… depois chorava quando pegava nota de prova. Fazer o que? Prioridades… – Contudo, nunca terminei. Quem sabe um dia?

Minha escritora favorita sempre foi Jane Austen e ela também possuía um baú cheio de manuscritos inacabados, cartas e anotações, que insistia em carregar consigo para qualquer lugar. Quando eu viajei a primeira vez para a Inglaterra (ano passado), uma das minhas primeiras compras foi um journal, porque eu achei que iria escrever lindamente sobre todas as minhas impressões sobre o país dos meus sonhos. Acabou que eu vivi muito e me lembro de muitas dessas experiências, mas, o journal permanece vazio para quando eu voltar, talvez só e assim tenha tempo de algo mais introspectivo. Já aos quinze anos, eu fiz mais uma tentativa de algo original. Concluí e confesso que sou apaixonada por vários dos arquétipos de meus personagens… mas, sinto que a ideia da história ainda precisa ser melhor trabalhada. Sendo assim, pretendo reescrevê-la, repensá-la.

Enquanto não faço isso, porque faculdade a gente não pode levar da mesma forma que fazíamos com as aulas de física, pratico minha arte (que não vendo na praia) em sites de fanfic. O que é fanfic? Sabe aqueles textos de Harry Potter que eu disse ter escrito aos nove/dez anos utilizando os personagens da Rowling e o universo dela, mas acrescentando uma pitadinha de mim? Pois bem, isto é fanfic. Existem vários sites onde é possível lê-las espalhados na internet, mas, atualmente, eu posto apenas em dois. Fanfiction. net e Nyah!Fanfiction.

2016-02-11
Minha página de perfil no Nyah

Não sou uma das mais famosas, mas aqui o intuito não é esse. E sim, continuar sempre melhorando e criando melhores personagens, enredos e afins. Minhas principais estórias são a respeito de Sherlock Holmes – o cânone, não a versão da BBC, por mais que ame – e algumas – uma – de Harry Potter. Esse post é dedicado a dúvida da senhorita Cecília Maria do BLOG REFÚGIO, sobre eu nunca ter deixado um link na mesa dela hahaha… E, como prometido, irei disponibilizar dois trechos de duas fanfics para que ela possa ler e também vocês, se gostarem, eu passo meu perfil onde estão copilados todos os meus trabalhos.

Primeiro… a fanfic de Harry Potter, Memórias Sobre a Fênix, que possui uma história interessante. Permaneci com seu enredo na cabeça durante longos anos, com medo de como seria recebida. No fim, foi bastante positivo e fico muito orgulhosa disso.

capa (3)
Capa da fanfic. Sim, é a Mary e o Matthew que eu usei para representar meu casal principal… porque apesar da Lady Mary ser uma bitch, a Michelle Dockery se enquadrava na minha descrição da protagonista: Amélia Preminger

A sinopse é a seguinte: “Muitas pessoas começam um diário, pelo simples prazer de escrever. Este, no entanto, começou por outro motivo…”

Com o fim da guerra, o trio de ouro acreditava que os mistérios deixariam de persegui-los. Numa visita a Hogwarts para ver Hermione, Harry encontra uma carta bastante interessante endereçada ao professor Dumbledore por uma mulher desconhecida. Instigados pela curiosidade de descobrirem quem seria aquela que possivelmente fora a única mulher na vida do professor, vão até a casa de Elifas Doge, amigo de infância do falecido diretor. Lá, ele lhes entrega o diário de Amélia Preminger, uma conhecida Inominável da qual não se tem notícia há mais de três anos. Em meio a narrativa de suas memórias sobre seu eterno amor por Dumbledore, Harry, Rony e Hermione poderão descobrir que a amizade verdadeira pode sobreviver sob a mais eloquente das paixões.

E o trecho:

Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, Amélia Preminger se deitou sem sentir pesar em seu coração. Sem qualquer onda de culpa ou arrependimento, e isso fez com que seu sono ficasse mais leve… Leve o suficiente para leva-la dali até o lugar que ela ansiava há muito ver. De pronto, ela não o reconhecera, até se olhar em um dos espelhos dispostos no console da lareira e ver que seus cabelos haviam voltado ao tom castanho que sempre tiveram e que nenhuma ruga lhe escondia os olhos. Olhou mais uma vez para trás e reconheceu o hall de entrada da casa dos Flamel.

Por um momento assustou-se, até começar a ouvir as notas de uma melodia conhecida… E então uma voz entoou branda, vinda da sala de visitas… “In the still of the night… as I gaze out of my window, at the moon in it’s flight, my thoughts all stray to you.” Ela a seguiu com passos calmos até seu local de origem, para encontrar a pessoa que ela mais almejava ver… Ele estava como ela gostava de se lembrar dele… Com seu terno mais alinhado, os cabelos acaju na altura dos ombros. Estava chegando ao refrão da música, quando ela o alcançou e repousou uma das mãos em seu ombro, juntando-se a ele… “Do you love me as I love you? Are you my life to be? My dream come true… or will this dream of mine, fade out of sight… Like the moon growing dim, on the rim of the hill, in the chill… still… of the night.”… Sentou-se ao seu lado enquanto as notas finais eram tocadas e ele sorriu assim que se virou para encará-la. “Por que demorou? Está atrasada.” Os olhos azuis muito brilhantes de Alvo Dumbledore pareciam dizer, vidrados nos olhos amendoados de Amélia Preminger.

Estavam finalmente juntos em um lugar onde seriam felizes para sempre.

Já o segundo trecho de outra fanfic, essa com Sherlock Holmes e que possui um carinho mais especial para mim. Por quê? Bem, todos sabem do meu amor pelo detetive de Londres, isso não é segredo para ninguém, mas, esse amor me fez desenvolver uma personalidade feminina – not Irene Adler – que seria o interesse amoroso de Holmes. Quem de vocês ainda achar que ele tem uma conexão especial com o John e considerar minha ideia um absurdo, tudo bem. Tenho vários leitores assim e que gostam da minha personagem: Anne de Bergerac (Anne… Ana… sentiram? A pessoa nem tentou disfarçar) individualmente. Comecei estas histórias em 2009, após sair da sessão do filme do Guy Ritchie e não parei mais.

Anne Bergerac: As Portas da Contradição foi a primeira fanfic que postei na vida, seguida por Entre Pontas de Faca e Velhas Histórias, Sob os Olhos do Napoleão e agora O Legado de Pontmerci. Durante esse quarteto, é possível, notadamente, reparar como meu estilo foi se desenvolvendo e amadurecendo. Já quis começar as duas primeiras várias vezes e certamente ainda farei isso, mas nunca irei desmerecer quem eu era ao escrever as primeiras versões. Afinal, a menina que criou Anne Bergerac, embora não seja a mesma que escreveu O Legado de Pontmerci, ainda detém todo o meu amor e respeito. Sem ela e seus sonhos para o nosso “pomposo detetive” não haveria Anne e Sherlock… não haveria, como uma leitora bem pontua, Sheranne… O dia que eu vi esse nome numa lista de ships para a vida toda de uma leitora minha… eu chorei, sério! Você sabe que fez um bom trabalho quando criam nomes de ships aos seus personagens. Então, sem mais delongas…

Anne Bergerac
Notem que no canto direito ainda está constando como Slytherin_Carol, hahahah, meu primeiro nome de usuário antes de me tornar Ana Holmes, como está na capa de Memórias…

Agora os trechos… acho que vou mandar o primeiro parágrafo de cada um, para que vocês reparem o que quis dizer com progressão…

Anne Bergerac: As Portas da Contradição

             Estamos em um daqueles dias frios em Londres. Quando tudo o que você pensa em fazer parece chato e maçante. Chovendo, o barulho das gotas d’água batendo pela janela fechada por uma leve cortina branca. A Sra.Hudson trazendo chá, enquanto eu estou sentada em uma das poltronas perto da lareira, esperando que meus dois amigos voltem de mais uma energizante empreitada. Quem sou eu? Você se pergunta. Sou Anne Bergerac, filha de um policial da Scotland Yard falecido há dois anos, assim como sua esposa. Ambos trabalhando juntos em um caso para a polícia, ajudados pelo meu defensor e grande amigo. Sherlock Holmes. Com a morte deles, fiquei sem um teto sob minha cabeça, o senhor Holmes, um homem muito bom e um tanto “modesto” (falo isso por convivência próxima), me convidou para morar com ele e seu amigo Watson. Desde então, ajudo a Sra.Hudson que às vezes insisti para que eu descanse por ser jovem demais. Jovem… Tenho 26 anos e sou apaixonada pelas empreitadas de Holmes e Watson. Me intrometo continuamente, mesmo Holmes dizendo para que eu fique fora do escritório dele. O que este não sabe é que seu e meu grande amigo, John Watson, me deixa a par de tudo e com isso, consigo ajudar Holmes, mesmo ele não sabendo como.

Entre Pontas de Faca e Velhas Histórias

Durante a noite, não conseguimos distinguir entre o que é sombra e o que é concreto. Apenas tentamos passar por ela, com a esperança de que voltemos inteiros para casa no fim. Contudo, para uma mulher, especialmente quando ela é atraente, nem sempre se pode contar com a sorte. As ruas de Londres são dos mais variados tipos. Tem-se desde as mais seguras, até as mais perigosas. E por mais que as pessoas tentem evitá-las… alguns de nós simplesmente não conseguem retirar o perigo de suas veias.

            _ Quem está aí? – eu perguntei, me virando para verificar se não estava sendo seguida. Realmente, não esperava que houvesse resposta e continuei meu caminho.

            O casamento, para muitos, é como uma grande benção. Mas para mim, significa ser acordada às três da manhã para chamar a Scotland Yard, enquanto meu marido persegue nosso principal suspeito. Ele fica com toda a diversão e eu faço o trabalho chato. Não me lembro de ele ter me prevenido sobre isso quando ficamos noivos, mas o que se pode fazer… me apaixonei o suficiente por ele para desistir da ideia de jogá-lo no Tâmisa.

Sob os Olhos do Napoleão

É tolice tentar descrever meus pensamentos. Sentindo-me desmaiar, cambaleei até a parede oposta. Por um instante, o grupo de policiais que subia as escadas permaneceu imóvel, em um misto de espanto e profundo terror. No momento seguinte, uma dúzia de braços robustos esforçava-se por um esboroar a parede. Ela caiu inteira. O cadáver, já bastante decomposto e coberto de sangue coagulado, estava ereto perante os olhos dos espectadores, na mesma posição em que eu o deixara. Mas sobre sua cabeça, com a boca vermelha escancarada e uma chispa de fogo no único olho, sentava-se a besta horrenda cujos ardis me tinham levado ao assassinato e cuja voz denunciadora agora me levaria ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro dentro do túmulo.”

            _ Anne? – eu ouvi a voz de Sherlock me chamando de volta para o mundo assim que fechei o exemplar de Poe que estava lendo. Estava cansada de ficar sentada na mesma posição por todos aqueles longos minutos, pois “O Gato Preto” prendia tanto a minha atenção, que relia duas vezes cada um de seus parágrafos. Puxei a porta para que meu marido entrasse em resposta ao seu chamado, ao passo que guardava meu livro junto aos outros.

O Legado de Pontmerci

Louis Bergerac de Pontmerci era um homem honrado na medida em que um Pontmerci poderia ser. Sendo assim, por mais que desgostasse de funerais, cumpriria a promessa que havia feito a seu pai em seu leito de morte e cuidaria dos preparativos para a cerimônia, sem deixar que qualquer pormenor tivesse que passar pelo aval de sua mãe. Em circunstâncias habituais, ela não permitiria que qualquer acontecimento fosse planejado sem que a palavra final fosse a sua, contudo, aquilo estava muito longe de ser o habitual.

Os Pontmerci não eram boêmios, e, portanto, não sentiam grande necessidade em exaltar a vida. Ainda assim, quando esta se perdia, demonstravam o devido respeito pela passagem de um plano para o outro. Louis sempre fora o mais religioso dos três, sem deixar que sua fé se transformasse em fanatismo, e encarava a morte pacífica de seu pai como uma benção. Fazia um bom tempo que vinha sofrendo com as pontadas em seu coração, mas não sofreu em suas últimas horas. Apenas fechou os olhos e apertou uma última vez a mão de seu precioso menino e de sua esposa.

Gostaram? Meu Deus que post longo… Enfim, Ceci, espero ter sanado sua curiosidade.

xoxo